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OURIQ

Um diário trasladado

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18
Jan11

Say cheese


Eremita

 

Já começaram os preparativos para a guerra e Tolstói continua a descrever sorrisos. Sorrisos francos, amarelos, cínicos, superiores, empáticos, etc. Este Tolstói é algo irresponsável.

 

 

13
Jan11

Taxonomia do sorriso


Eremita

 

Terminada a primeira parte de Guerra e Paz, creio que o mais avisado seria ouvir tudo de novo outra vez. O que se segue carece de confirmação, mas acordei com uma comparação na cabeça que preciso de expelir para continuar o dia. À primeira vista, a famosa boutade de Leone sobre o apertado espectro de expressões faciais de Clint Eastwood enquanto actor ("with or without a hat") aplica-se também às personagens de Tolstói, que estão a sorrir ou não. A única diferença é que existem mais tipos de sorrisos do que chapéus numa chapelaria e Tolstói consegue descrevê-los com enorme precisão e economia de meios, sem roubar inteligência às suas personagens, algo a que a étouffante Agustina Bessa-Luís (do pouco que li) não resiste.

09
Jan11

Imaginação verde


Eremita

 

A navegar os primeiros 20 capítulos de Guerra e Paz (e também O Ginjal, de Tchekhov), confirmo a minha enorme incapacidade em reter nomes russos na cabeça. Mas confirmei uma outra impressão, que me parece mais substancial: decididamente, sou um leitor autista. Como este termo é usado com grande falta de rigor, esclareço que não quero dizer que me isolo do mundo para ler - tal sucede efectivamente, mas apenas porque na Primavera e Verão leio à sombra de um plátano de um monte do Alentejo profundo. Defino-me como leitor autista no sentido em que tenho pouca apetência para romances com muitas personagens, isto é, romances saturados de socialização. Talvez tivesse bastado notar, pela positiva, que no meu livro preferido há apenas um náufrago e um selvagem, que me inclino para solilóquios e que a minha peça de teatro favorita - A Long Day's Journey into Night - parece definir um limite superior de personagens modesto (4), mas as confirmações pela negativa são menos perturbadas por correlações fortuitas. Guerra e Paz nunca será o livro da minha vida e o número absurdo de figuras que nele interagem bastaria para chegar a essa conclusão. Parte desta tendência traduz limitações neurológicas (uma memória frágil, como referi, mais dada a rostos do que a nomes e números), mas também uma desconfiança na eficiência com que os romancistas exploram a prodigiosa multiplicação de possibilidades que a introdução de cada nova personagem oferece. Não se trata de ser incapaz de suspender a descrença quando há muita gente na página; é como se, com a leitura a avançar, fosse pesando mais o imenso universo do que poderia ter acontecido e não é relatado do que a história que é contada, uma balança que mais facilmente se equilibra com um número reduzido de personagens. Digamos que na ficção sou pela conservação dos recursos e que fico muito perturbado quando, mesmo sendo a obra grandiosa, houve muito desperdício, o que é certamente o caso de Guerra e Paz. Mas vamos chegar ao fim e cumprir o Ouriquense, pois  a nossa disciplina é férrea.

03
Jan11

Primeira impressão


Eremita

 

A impressão mais forte que os primeiros capítulos de Guerra e Paz deixam é a obsessão de Tolstói pelo lábio superior, o que nos leva a pensar num destino alternativo para a história da literatura se Gina Gershon tivesse privado com o escritor. Quanto ao resto, estou assustadíssimo. Serei incapaz de acompanhar tantas personagens durante tanto tempo; sinto-me espectador de um daqueles planos intermináveis à Robert Altman. Que saudades do Quijote: um homem alto, um homem baixo, uma pileca, um burro.


Nuno Salvação Barreto
ameaça partir a loiça se o Ouriquense continuar com a exibição gratuita de mulheres que tem caracterizado o começo de 2011. O forcado terá afirmado: "Nem com  a Primavera já aí. É preciso voltar às raízes..."

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