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Ouriquense

10
Set18

Um fanático do PS "travestido" de defensor do Estado de Direito

Eremita

Se a alternativa do financiamento público parece ser má, uma segunda alternativa seria aceitar que a imprensa escrita terá sempre que depender de financiamento de acionistas com variados interesses (que podem ir do puro altruísmo à vontade de controlar a informação) – restando regular para que esse financiamento e motivações sejam transparentes para os leitores. Em boa parte, isto pode ocorrer por autorregulação. Por exemplo, recentemente, num artigo no Público, João Miguel Tavares levantou questões e suspeitas sobre o interesse do grupo macaense KNJ em investir na Global Media. Já o Correio da Manhã, do grupo Cofina, revelou escutas sobre esse mesmo grupo, ligando-o a José Sócrates e à sua rede de influências. Os consumidores que tenham tido acesso a estas notícias certamente saberão interpretar aquilo que é escrito nos órgãos da Global Media à luz daquilo que leram. Também recentemente, a propósito do caso de poluição ligado à Celtejo, vários órgãos de comunicação social chamaram a atenção para o facto de a Celtejo e o Correio da Manhã partilharem um grande acionista, o que, tal como no caso anterior, fará com que os leitores tenham um cuidado especial ao ler as notícias sobre a Celtejo que saiam no Correio da Manhã. Carlos Guimarães Pinto, Observador

Vários dias depois de ter desafiado o meu amigo Valupi a apresentar-me um exemplo concreto de mau jornalismo praticado pelo Observador, o grande blogger escolheu o artigo de onde retirei a citação que leram. Com o zelo de um apparatchik voluntário, ele cortou o artigo às postas para as apresentar de forma selectiva a leitores que não lerão o artigo, num exercício infantil de cherry picking que não deixa de ser curioso estando em discussão a qualidade do jornalismo - diz-nos, Valupi, o teu post é bom jornalismo? O objectivo é desenvolver a tese  do costume: que o texto de Carlos Guimarães Pinto é  um ataque à Global Media camuflado na forma de ensaio. Vamos aceitar, num primeiro momento, que o Valupi tem razão, isto é, que acertou no processo de intenções que faz a Carlos Guimarães Pinto. E daí? Haverá algum mal em avançar propostas na imprensa, mesmo quando passam por ataques a grupos concretos? Não serão tais textos clarificadores? E não será a clarificação um dos objectivos do jornalismo? Os visados não têm direito de resposta e o seu bom nome protegido pela lei? Onde está o pecado? Será que a vaidade intelectual de Valupi faz com que se considere o único capaz de perceber o que mais ninguém vê e que, por isso, o artigo não é nada clarificador, pois tenta manipular as cabecinhas menos privilegiadas? Alucinações à parte, se a argumentação desenvolvida no artigo é má, que se desmonte; se os dados foram manipulados, que o autor seja denunciado e envergonhado em público. Mas não é isso que Valupi faz, pois optou pela vitimização, refugiando-se uma vez mais na sua visão sectária do mundo e na sua teoria da conspiração favorita, que para ele já é hoje uma espécie de útero materno de onde dificilmente sairá.

 

Quem ler o artigo encontrará muitos dados relevantes sobre a imprensa portuguesa e a mundial para uma das discussões mais recorrentes  - que modelo de negócio pode salvar a imprensa escrita? - mas que, salvo erro, ninguém ainda tinha procurado juntar e contextualizar para fazer jornalismo, pois o tema tende a ser discutido com muita emoção, sobressaindo a nostalgia e o catastrofismo. Que um consenso sobre o processo de intenções feito por Valupi baste, na cabeça dele, para validar um exemplo de mau jornalismo diz tudo sobre o valor que o nosso homem dá à imprensa. Para o Valupi, um exemplo de mau jornalismo é a divulgação de uma opinião da qual ele discorda. Valupi, pode haver bom jornalismo sobre uma tese que conduz a mau jornalismo e mau jornalismo sobre uma tese que conduz a bom jornalismo. Convém separar os níveis da discussão e creio que os baralhas propositadamente. 

 

Quem ler os textos mais teóricos de Valupi sobre estes assuntos, encontrará um impoluto defensor do Estado de Direito e um crítico implacável do jornalismo de sarjeta (que existe, não é o que está em discussão). Mas quem perder algum tempo a analisar os impulsos de Valupi, mesmo aqueles temperados por dias de reflexão, percebe facilmente que o homem está mais interessado em defender o seu PS (o "socrático") do que o Estado de Direito. Na cabeça de Valupi, o ataque movido pelo Ministério Público e o Correio da Manhã a José Sócrates prejudicou o PS eleitoralmente, algo desmentido pela simples análise das sondagens imediatamente antes e depois da prisão preventiva de Sócrates, o momento mais dramático nesta história. Na cabeça de Valupi, Miguel Macedo, um antigo ministro do PSD que viria a ter sérios problemas com a justiça, nunca existiu. Na cabeça de Valupi, a operação Tutti Frutti, que investiga autarcas do PSD, não existe. Até a última frase da citação, apesar de aparecer desligada da passagem antecedente na selecção de Valupi, não existe. O grau de sectarismo do nosso homem é tal que não resistiu a explicar-nos que a frase apenas aparece para dar uma aparência de decência ao ensaio, mas que na verdade é inconsequente, pois como o Correio da Manhã autocensura as notícias sobre a Celtejo, o exemplo deixa de valer. Como a confusão de níveis é aqui gritante, alguém devia explicar ao Valupi o significado da expressão "silence speaks volumes", que se aplica ao Correio da Manhã, pois não sendo este jornal o único órgão de imprensa, a omissão de notícias sobre a Celtejo que os jornais outros publicam é um caso evidente de autorregulação de tipo, digamos, passivo. 

 

O mais absurdo é que a descrição que o Valupi faz do artigo não é correcta. Não há sequer grande margem para interpretação, os reparos que faço são objectivos. O ataque à Global Media ou, pegando nas palavras apatetadas de Valupi, a mensagem "aqueles tipos da Global Media são uns perigosos socráticos que vão dar cabo da democracia e da liberdade no Ocidente”, é uma alucinação do nosso blogger favorito. As referências à Global Media surgem en passant e são equilibradas com referências igualmente críticas ao Correio da Manhã (como na passagem citada). E mesmo a promoção do Observador, de pertinência duvidosa tendo em conta que o texto é publicado pelo próprio Observador, é relativamente moderada. Aliás, as descaracterizações do Valupi são tantas que o tiro lhe sai pela culatra, pois não é possível um texto promover o Observador descaradamente como exemplo do jornalismo futuro e, ao mesmo tempo, como sugere Valupi, não apresentar soluções para o problema do financiamento do jornalismo - as contradições são a marca de água da retórica verborreica.

 

Tirando umas omissões sobre as fianças do grupo Cofina e a descrição eufemística do jornalismo de sarjeta do Correio da Manhã, o artigo é um exercício competente sobre o financiamento da imprensa na era do digital e os problemas específicos que a reduzida dimensão do nosso mercado coloca. Enfim, tudo isto me incomoda, pois não tenho especial interesse em promover o Observador. Valupi, "por qué no te callas?" Infelizmente, o que tivemos agora foi apenas um aperitivo para um período que se avizinha em que o nosso homem andará frenético.  

 

08
Set18

Erros de paralaxe

Vasco M. Barreto

O Google faz hoje vinte anos. Graças a ele, a vida dos povos mudou mais que nos cem anos precedentes. Ter nascido antes ou depois do aparecimento do Google faz toda a diferença. Sou do tempo em que o Google Earth e o Google Maps eram coisa de ficção científica. E quem diz esses diz o Gmail e o sistema Android e o YouTube. As nossas vidas nunca mais foram as mesmas. Eduardo Pitta

 

A hipérbole, como qualquer figura de estilo, cumpre uma função. Mas a hipérbole, por definição, é particularmente sensível  ao grau. Abaixo de um certo limiar de exagero, não chega a ser hipérbole; acima de um tecto de exagero, deixa de ser hipérbole e passa a ser outra coisa qualquer de contornos e função mal definidos. Pitta é demasiado rigoroso para não mencionar factos e todas as facetas do Google que refere estão efectivamente associadas a este colosso empresarial, apenas se estranhando que atribua ao Google o poder transformador que geralmente se associa à internet, não a uma empresa em particular, mas é bem possível que o impacto mais imediato da internet nas nossas vidas passe há muitos anos pelo Google, mais até do que pelo Facebook ou outras redes sociais. Aceite-se. Também apreciei não ter referido outros projectos do Google mais highbrow, como o Google Books/Project Ocean ou o Google Ngram Viewer, o que teria ficado a matar na prosa de um crítico literário mas provavelmente não corresponderia a uma experiência pessoal real. Bravo. Assim, só mesmo a frase que destaquei me parece bizarra, um caso sério do efeito de paralaxe que a actualidade produz. 

 

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Afonso Costa e o conde de Penha Garcia tentando agredir-se mutuamente num duelo, em 1908. Não houve registo de duelos entre as elites em 1998. Mas segundo certa doutrina, o contraste entre 1998 e 2018 é ainda mais gritante, talvez por agora haver constantemente tweets insultuosos que correspondem à categoria de micro-agressão. 

 

1998. Lembro-me muito bem, estava no Instituto Pasteur, em Paris. Pesquisava-se então a internet usando a Altavista e o Yahoo! Eram motores de busca inferiores ao Google que apareceria em Setembro desse ano e não havia então muito que procurar, se tivermos por termo de comparação qualquer dos anos subsequentes. Mas em 1998 já se fazia muito do que se viria a fazer depois, com excepção das redes sociais, cujas características principais e impacto na vida pessoal os antigos fóruns de discussão nunca chegaram a antecipar. Curiosamente, o Google falhou no mercado das redes sociais, pois a sua rede Google+, que lançou em 2011, é hoje uma espécie de Holandês Voador que quase ninguém viu e onde ninguém tem vontade de entrar. Enfim, ninguém duvida que muito mudou de 1998 a 2018, mas afirmar que "a vida dos povos", por causa do Google, mudou mais em vinte anos do que entre 1898 e 1998 é um absurdo de escla astronómica. Estará Pitta a dizer que o Google teve um impacto na vida dos povos superior ao efeito combinado da televisão, que redefiniu os serões em família, dos fertiliizantes azotados inventados por Fritz Haber, que possibilitaram a "Revolução Verde" das décadas de 60 e 70, alimentando hoje metade da população mundial, da ampicilina, outros antibióticos e inúmeros progressos na medicina, que combinados com a melhoria do saneamento básico e da alimentação levaram a um aumento da esperança média de vida global impressionante, da pílula, que deu autonomia às mulheres e possibilitou uma revolução sexual? I could go on, inclusive restringindo a comparação ao universo dos costumes, das rotinas e percepção da realidade dos cidadãos e até mantendo a comparação só ao nível das classes mais privilegiadas, que não terão passado por mudanças tão drásticas como a classe média e os mais pobres: haverá alguma dúvida de que um cidadão de 1908 estranharia 1998 muito mais do que um cidadão de 1998 transportado para 2018? Já viram fotografias do princípio do século XX? Mas voltemos à vida dos povos. O que preferem: ganhar 30 anos de vida com qualidade ou ter a possibilidade de prescindir de um mapa de papel para encontrar o caminho para Carrazeda de Ansiães? Salvar um filho de uma pneumonia ou atingir o estatuto de completista do Monty Piython sem gastar um tostão, graças ao Youtube? Não pretendo diminuir a importância do enorme aumento de acesso à informação que o Google proporcionou e recomnheço que um smartphone é um objecto poderosíssimo, mas a hype associada à tecnologia e ao digital em particular tende a encurtar a memória e faz com que se perca a noção das proporções. 

 

 

08
Set18

Pacheco e a bola

Vasco M. Barreto

São raríssimas as pessoas que neste país têm a autoridade de Pacheco Pereira para escrever sobre futebol. Raríssimas. Nem sei mesmo se Pacheco Pereira não será o único que pode falar sobre a podridão que abunda no futebol. Para se escrever com lucidez sobre o futebol, convém não gostar de bola. Não estou sequer a pensar nos casos mais óbvios de conflitos de interesses, fanatismo grotesco e aldrabice descarada. Faz algum sentido perder tempo com uma pessoa que fale na qualidade de adepto de um clube, por muito que passe a ideia de integridade e decência? Devemos ouvir o Marques Lopes, o Adão e Silva, o Sousa Tavares e o Daniel Oliveira? Não será que a condição de adepto os desautoriza imediatamente? O "presidente adepto" poderá ter sido um epifenómeno que ficará para sempre associado ao efémero Bruno de Carvalho. Já o comentador adepto é uma figura tão omnipresente e perene que nem imaginamos o mundo a funcionar de outro modo. 

07
Set18

Joana Marquel Vidal: uma proposta simples

Vasco M. Barreto

Todos têm razão e todos estão errados na discussão sobre se Joana Marques Vidal deve ser reconduzida. Se a Constituição diz - obviamente, mas quem tiver dúvidas deve ouvir Jorge Miranda - que pode haver recondução no cargo, a tradição mostra que essa opção é rara (na últimas décadas, apenas Cunha Rodrigues foi reconduzido), pelo que a solução não é óbvia. Entretanto, a partidarização atingiu um nível tal que, independentemente da decisão de Costa e Marcelo, teremos sempre um coro de descontentes (veja-se o PS socrático amador, o PS pós-socrático profissional, o ideólogo da direita e, para manter o equilíbrio, este cronista). Haveria alguma forma de prevenir um problema que agora é inevitável? Creio que sim: fazendo a decisão de reconduzir ou não depender de um sorteio. Por definição, o sorteio acabaria com o Procurador Geral da República (PGR) enquanto figura providencial, uma mania que corrói as instituições. E se fosse bem feito, tão transparente e televisionado como um sorteio do Euromilhões, não haveria coro de descontentes. Também não esvaziaria de poder o Presidente da República e o Primeiro-ministro, que caso o sorteio não indicasse a recondução teriam de escolher um novo PGR. 

 

Tirar à sorte remete para o jogo e o vício, um acto de desistência ou a erosão do civismo, como no caso recente das facturas premiadas com um automóvel, mas há também uma tradição, que remonta aos inventores de democracia, de introduzir aleatoriedade no processo de decisão, porque para assegurar a isenção é essencial desassociar uma nomeação de interesses particulares e preconceitos, ou por estar em causa um azar que nenhum cidadão merece mas a alguém terá de calhar (e.g. jurados em julgamentos e membros de mesa de voto). A discussão em torno da recondução ou não de Joana Marques Vidal parece ser um exemplo paradigmático de como uma simples moeda atirada ao ar resolveria o que ninguém é capaz de fazer. Mas a tendência que a imprensa tem para fulanizar a análise política e insuflar enredos ajuda a que esta simples solução pareça bizarra. 

06
Set18

Como não combater o racismo

Vasco M. Barreto

A propósito de um artigo da jornalista Clara Barata, escrevi para o Público um comentário sobre como não combater o racismo. Tem umas gralhas, mas também links úteis para quem se interessa por estes assuntos.

06
Set18

...

Eremita

Tweet (154 caracteres)

[especulação]
 

Em certos círculos, a acusação de que o Benfica foi alvo estará a ser interpretada como uma consequência das preferências clubísticas de Costa e Sócrates.  #vil_ataque_ao_PS #Estado_de_direito #pulhas

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03
Set18

Yaval Harari

Eremita

Envolvi-me, há uns dias, numa discussão sobre a qualidade do jornalismo do Observador. Não foi proveitosa, mas deixou-me a pensar se, não gostando eu das ideias políticas que guiam o Observador, devo promover algum artigo que me pareça bem feito. Como não resolvi este conflito, recomendo a leitura de um artigo bem humorado, de José Carlos Fernandes, que desmonta o fenómeno de massas em que se transformou o historiador israelita Yuval Harari, mas como um repto ao Público (o "meu jornal") para que comece também a publicar textos longform na edição online, que presentemente apenas cumpre os mínimos e é uma versão empobrecida da edição em papel com um ou outro acrescento que não implica investimento real.

 

Nas férias, tentei perceber o que entusiasma tanto as pessoas e li as primeiras páginas do primeiro sucesso de Harari, Sapiens, um livro sobre a história da humanidade. Bastou para perceber que não estamos na presença de um grande pensador, nem sequer de um grande divulgador, tendo em conta a falta de rigor da sua prosa, a tentação para a frase de grande efeito, o deslumbramento pela irritante Psicologia Evolutiva. Carlos Fernandes confirma a minha impressão de que seria uma enorme perda de tempo ler os outros dois livros de Harari, dada a inconsistência do seu pensamento. Enquanto projecto pessoal, que lhe deu fama e dinheiro, os três livros de Harari são brilhantes casos de sucesso, mas a ambição de abarcar todas as grandes temas condena-os à partida ao fracasso. Nem alguém mais sólido do que Harari seria capaz de se sair bem com uma trilogia de livros em que no primeiro resumisse a história da humanidade, no segundo tratasse o nosso futuro e no terceiro pontificasse sobre os grandes temas da contemporaneidade. Não é sequer certo que estas obras de aparente grande fôlego sejam úteis por contrariarem a tendência crescente para a fragmentação do conhecimento e a hiper-especialização, sobretudo se o registo não for mais profundo do que os produtos culturais que conseguimos obter gratuitamente online - como uma Ted Talk  - sobre qualquer um dos tópicos abordados. Um livro bem feito e exaustivo sobre uma parcela ínfima do conhecimento será sempre mais útil que os livros que fizeram de Harari o mais recente guru do secularismo. Guru de ascensão meteórica por guru de ascensão meteórica, prefiro Jordan Peterson, um académico canadiano que também chegou à fama e fortuna, de pensamento mais sólido e carácter mais intrigante do que o israelita. A propósito, será que algum jornal português (leia-se: o Público) já fez um perfil (longform) de Peterson, pretexto para tratar a chamada dark web

31
Ago18

Uma mina esquecida

Eremita

Por deveres de ofício auto-imposto, tenho estado a ler a prosa dos juízes do Tribunal Constitucional. Alguém devia perder algum tempo a seleccionar as melhores passagens dos acórdãos e publicar uma antologia anotada dirigida ao grande público. A imprensa tende a citar apenas as passagens mais pícaras, chocantes ou retrógadas, esquecendo a técnica, mas há argumentações de grande virtuosismo que mereciam ser divulgadas e estudadas. Até ao momento, impressionou-me a argumentação de Gonçalo de Almeida Ribeiro. Discordando dele em quase tudo, percebo que é uma pessoa superiormente inteligente e com uma formação que o distingue da maior parte dos seus colegas no TC. 

 

Continua

29
Ago18

A "indústria da calúnia" e os seus aliados acidentais

Eremita

Em 2018, fazer equiparações entre pessoas caluniadas na imprensa e José Sócrates é um exercício de mérito muito duvidoso. Sócrates foi vítima de uma perseguição ignóbil pelo CM, mas outros órgãos de imprensa investigaram-no de uma forma decente. E o que conta é isto: soube-se entretanto que o ex-PM é um mentiroso (que vai além da mentira inerente ao exercício da política) e tinha um estilo de vida sui generis, incompatível com as funções que desempenhava, o que basta para manter sobre ele uma suspeita e erguer um cordão sanitário que deixe pessoas honestas a salvo de um abraço socrático manobrado por terceiros. Isto é trivial, menos para o Valupi, que lidera o último bastião socrático do planeta e vem alimentando há mais de uma década uma teoria da conspiração segundo a qual o PS é o grande (e único, creio) alvo da "indústria da calúnia" em Portugal e Sócrates um mártir da falência do Estado de Direito. Outros que escrevam sobre a sustentação empírica de tal tese. O que me importa é estabelecer uma diferença de grau e qualidade entre as muitas notícias que foram saindo sobre Sócrates ao longo dos anos e notícias pontuais sobre, por exemplo, o socialista Fernando Medina (o episódio da compra de um apartamento em Lisboa) e o socialista João Galamba* (a propósito de uma casa que estava arrendada pela sua mãe, recentemente falecida). A diferença é óbvia. Muitas notícias sobre Sócrates tiveram um tempo de vida longuíssimo, em parte explicado pela ausência de explicações credíveis, e foram o preâmbulo para uma acusação de "31 crimes". Já a notícia sobre Medina morreu em poucos dias, quando este apresentou a documentação relevante, enquanto a nojenta "notícia" sobre a casa arrendada pela família do João Galamba morreu no momento em que foi publicada, pois nada noticiava. Os maluquinhos socráticos podem continuar a brincar às conspirações, mas deviam evitar equiparações absurdas e imorais que, na prática, dão eco à "indústria da calúnia" que eles tanto criticam.  

 

* Em relação ao João, impõe-se esta declaração de interesses. 

27
Ago18

O efeito Serguei Bubka

Eremita

 

 

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Numa época em que o açúcar assume o estatuto de veneno, premiar uma ida ao penico com um smarties incendiaria as redes sociais, fosse eu famoso. Mas a minha principal preocupação é se as miúdas, percebendo a falha no sistema, começam a fazer chichi literalmente às mijinhas, estratégia seguida nos meetings internacionais  - mas metaforicamente, não haja escândalo - pelo grande saltador com vara Serguei Bubka, que assim, de cada vez, ia juntando apenas um centímetro mais ao seu recorde mundial para sacar o devido prémio, quando era sabido que à porta fechada já saltava bem mais alto. 

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