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OURIQ

Um diário trasladado

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04
Abr09

Primeiro diálogo erótico em Ourique


Eremita

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(pub) A brief history of romance comics

Há uns dias, o jantar em casa do inventor trouxe uma surpresa: uma das cosmopolitas de Ourique. Esta coincidência não é de espantar numa terra com tão poucos habitantes, mas deixou-me atrapalhado, inclusive antes de ela me ter tocado com o pé descalço, debaixo da mesa, pormenor que me lembrou uma cena de uma pornochanchada reprimida em que Arielle Dombasle, neste caso sobre a mesa mas também com a consequência de ter  excitado um dos convivas, grava o relevo do seu mamilo desperto num pacotinho de manteiga. Na verdade, a associação é pouco rigorosa, porque feita antes de ter respondido à questão que de imediato surgiu: havia ali intenção ou casualidade? Tratou-se de uma daquelas situações em que o Lucílio Baptista que existe dentro de nós mais prontamente se manifesta. O jantar decorreu sem mais incidentes, mas depois o inventor ausentou-se e eu fiquei a sós com ela.

 

- Não pode gostar de viver em Ourique.

- Gosto muito. Encontro aqui tudo aquilo de que necessito.

- Mas isso é sobreviver. Não tem falta do supérfulo?

- Tenho pena de estar longe do mar.

- E de Lisboa?

- Lisboa é um esterco.

- Sim, as ruas estão muito sujas.

- Não me referia à limpeza. Sufoco com a atmosfera de Lisboa.

- Mas há vida cultural, não acha?

- Não há tranquilidade. Os lisboetas estão sempre a comparar-se com as outras capitais. Não conheço outro lugar assim.

- Os estrangeiros gostam de Lisboa.

- Também não conheço outro lugar em que se dê tanta importância ao que os estrangeiros pensam.

- Ainda pensei que me fosse falar da decadência da cidade. Dos prédios devolutos, da prostituição nas ruas, da pobreza...

- Disso gostava.

- Por amor de Deus. Também acha que já só os pobres têm nobreza?

- Não. Mas gostava de ver os transexuais do Conde Redondo.

- Credo...

- São figuras fascinantes, não acha?

- Está a provocar-me.

- Não, digo-lhe o que penso. São casos únicos.

- Como assim?

- Por me atraírem muito quando estão longe e me assustarem tanto quando estão perto.

- Acha isso raro?

- Muito.

- Ora. Sinto que também eu o atraio à distância e o assusto agora.

- Engano seu. São só mesmo os transexuais e o Cristo-Rei.

-  ... Fale-me mais dos meus enganos.

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