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OURIQ

Um diário trasladado

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06
Mar09

Raios catárticos


Eremita

Laetitia Casta, a modelo francesa detentora da melhor associação nome-métier desde que Futre pendurou as botas, aparece absolutamente flawless no anúncio da L'Oreal. Para quem viveu em França nos anos noventa, havia uma colecção de sex symbols para todos os gostos: Virginie Ledoyen, talhada para a infidelidade e a perversão; Isabelle Hupert, à medida de uma fantasia sofisticada; Julie Gayet (para ser franco, só reparei nela mais tarde),que inspira a vontade de fazer um filho; Élodie Bouchez, à imagem de uma amiga com quem se tem um deslize; Sandrine Kiberlain, que nos usa na cama com o desprezo e a angústia de quem, por o parceiro saber pouca filosofia, sente a coisa como um acto de bestialismo. Sobre todas elas pairava Laetitia. Mais inocente, menos sofisticada, nada maternal, sem que despertasse confiança e muito pouco intelectual, o que Laetitia tinha, além da beleza, era uma naturalidade absolutamente desarmante. É esta naturalidade que a condenou já e a condenará para sempre a ser má actriz, mas é por isso que será sempre irresistível. A naturalidade e uma confiança no seu corpo superior à de qualquer estrela porno e, ainda assim, imaculada. Dez anos depois, a mulher que "gosta muito de fazer amor" continua  igual. Não há cosmética para isto.

 

O deputado José Eduardo Martins tem ganho algum protagonismo nos últimos anos. Trata-se claramente de um homem eloquente, de um cultor da palavra - digo-o sem ironia. Para minha surpresa, li-lhe ontem nos lábios, quando se encontrava no hemiciclo de São Bento, um "vai para o caralho". As imagens mostraram depois um segundo "vai para o caralho". Martins reagia a uma insinuação de um tal Afonso Candal do PS, que não é o Candal que conhecemos, mas um daqueles deputados que tentam falar acima das suas possiblidades, o que induz sempre uma sensação de desconforto no ouvinte. Discutia-se as energias alternativas e Candal terá dado a entender que a luta de Martins não era pelos contribuintes mas em proveito próprio. Martins mandou-o para o caralho e consta que lhe terá proposto um acerto de contas lá fora, luta que depois imaginei poder ter lugar nas escadarias exteriores da assembleia - seria um cenário fantástico e quem sabe se não teremos em mãos o embrião de uma tradição. Quem sai bem desta história? José Eduardo Martins, obviamente. Digo-o, de novo, sem ponta de ironia. A credibilidade e o bom nome do Parlamento não passam por se lá entrar de gravata, nem por se tentar falar ou ter um comportamento acima das reais possiblidades. O "vai para o caralho" de Martins foi das coisas mais sinceras que se têm ouvido naquela casa e isso é positivo.

 

O sorriso de António Costa quando Pacheco Pereira e Lobo Xavier zurziam em Sócrates não foi nada postiço. Sou pouco apreciador de uma leitura da política sempre segundo o cinismo e os interesses pessoais, que é o equivalente da lógica "follow the money" quando se tenta resolver um crime. Parece-me que a realidade pode ser muito mais complexa do que isso. Mas é inegável que, como número dois do partido, defender Sócrates deve ser um enorme gozo para António Costa. Se se sai mal, Sócrates fica a perder e ele, mais tarde ou mais cedo, a ganhar. Se se sai bem, ganha no imediato. Costa não pode perder quando se trata de proteger Sócrates e nestas condições todos podemos ser magnânimos, todos podemos sorrir. 

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