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10
Fev09

O nariz de Tatiana


Eremita

 

 

O nariz de Tatiana nasceu oficialmente a 26 de Outubro de 1794, em Flushing, Queens, New York e renasceu esta noite. Ao longo destes meses de pesquisa, dou graças a Deus por me ter dado forças para evitar os meandros de perdição que são os sites de fetichistas de narizes. Só por isso posso agora gozar a feliz plenitude que apenas os encontros ocasionais são capazes de induzir. Tinha já perdido a esperança, devo confessar, mas hoje, no café, entre os milhares de imagens de um serão televisivo, houve uma que fixei e que trouxe a correr para casa, reavivando-a na memória como quem diz um número de telefone em voz alta, para logo a recuperar sem dificuldade na internet. Eis o nariz de Tatiana, que também é o de Rosemarie DeWitt. 

 

 

Tem a palavra o Padre Carreira das Neves: "sem a possibilidade de dizer não a Deus, o homem não podia ser livre face a Deus, mas apenas, como no éros platónico, irremediavelmente seduzido e atraído à maneira daquele que, perante duas mulheres, preferiria, e não poderia deixar de preferir, a mais bela. Preferir, entre vários objectos, o mais apetecível é uma acção espontânea, que não comporta a liberdade; é mesmo a negação da própria liberdade. Mas, na bíblia, Deus é Deus, não porque seduz o homem atraindo-o com a força do éros e do seu determinismo, mas porque o constitui tão radicalmente outro diferente de si que este até pode dizer-lhe que não. A voz da cobra, que se insinua dentro das pregas da consciência humana, é a objectivação desta radical alteridade humana, que é capaz, na sua liberdade, de dizer realmente e dramaticamente não a Deus". 


Sábias palavras, as do Padre Carreira das Neves. Embora proferidas num contexto que não importa agora recordar, tocam tangencialmente nos dois pontos para onde converge a minha acção. Porque ao desafiar o éros platónico, escolhendo criar deliberadamente uma criatura que não é a mais bela mas um símbolo da minha idiossincrasia, quando não até da minha liberdade, fico agora a saber que a minha escolha só terá um sentido real se Tatiana for capaz de me dizer realmente e dramaticamente "não". 

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