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OURIQ

Um diário trasladado

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Um diário trasladado

05
Fev09

Uma conversa com o inventor


Eremita

Mas nunca mais a viu?

Nunca mais.

E sem explicação?

Nem uma.

Nem um sms?

Naquela altura não havia.

Nem um bilhete?

Nada, nem sequer um escrito no espelho embaciado.

Ficou de rastos, imagino.

Não. Só a tinha visto duas vezes.

Ah, mesmo assim é estranho.

"Mesmo"? Não. Sobretudo. Sobretudo por isso é estranho.

De facto. Tentou encontrá-la?

Não. Só a tinha visto duas vezes.

Claro. Mas deve ter sentido algum vazio.

Ela morreu.

Foi como se tivesse morrido para si, percebo-o bem.

Não.

Então?

Não morreu para mim. Morreu. Imaginei que tinha morrido para toda a gente, inclusive para mim. 

Percebo a diferença.

Percebe mesmo?

...Não. E se morreu mesmo? E se a mataram?

Eu teria sido o principal suspeito, a polícia daria comigo.

E ninguém o contactou?

Ninguém.

Imagino que isso seja reconfortante.

Sim, sobra só a hipótese da morte natural.

Acreditando  que era uma pessoa decente, bem entendido.

Lembre-se que eu chego até a acreditar na competência da polícia. 

Sobra ainda a hipótese de lhe ter feito alguma.

É uma hipótese meramente académica.

Não se lembra de nada?

De coisa alguma.

E se foi tão terrível que se forçou a esquecer?

Como quer que rebata esse argumento?

Justamente.

Em todo o caso parece-me inverosímil.

E ela reaparecer?

Ainda mais inverosímil.

Mas e se reaparecer...

O melhor será não fazer perguntas.

Receia a verdade?

Não, receio a mentira. 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

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