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OURIQ

Um diário trasladado

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Um diário trasladado

30
Dez08

5


Eremita

ElMINA Uma pequena violação da regra da tabula rasa: espreitei as fotocópias do Lonely Planet do Gana que Mónica trouxe, embora apenas tivesse lido duas páginas e assegure desde já que não voltarei a repetir a falha até ao fim da viagem - no Sábado, a 3 de Janeiro, durante umas voltas de táxi, será Lawrence a dar-me umas noções de religião, política e história locais, mas regressarei a Ourique com a minha ignorância sobre esta gente e esta terra praticamente imaculada. Elmina é a povoação mais próxima do nosso hotel. Trata-se de um lugar de pescadores, que ainda tem uma fortaleza construída por portugueses - "ah, our first colonizers", dirá Lawrence no Sábado, depois de saber a minha nacionalidade. Disciplino-me para evitar a visita à fortaleza, um impulso que ficou de anos a viajar com a família e a entrar em tudo o que se assemelha a um monumento. Will Smith, virei a saber mais tarde, não seguiu esta regra e visitou-a mesmo. Há uma fotografia dele e da sua entourage - vieram aqui numa pausa das gravações de Ali - a escutar atentamente um guia, que certamente lhes falava do comércio negreiro. Em paralelo com o tráfico de escravos, Elmina, deve ter sido uma região de prospecção de ouro (el mina). Outros tempos.

O porto de Elmina teria merecido várias fotografias. Podia ser um cenário para corsários do século XVIII ou piratas contemporâneos dos mares da Somália. Parece intemporal e ao mesmo tempo familiar. A familiaridade virá talvez das cores das embarcações e de um pestilento cheiro a peixe podre ou peixe seco - a distinção é subtil - que me faz recuar umas décadas, até Sesimbra. A grande diferença é que o pescador ganês parece não passar os dias em terra a cuidar das redes, como o sesimbrense.

Elmina será ponto de passagem obrigatório todos os dias, na ida para a praia e no regresso, depois do jantar. De manhã e de noite, a vila nunca deixa de ter gente nas ruas e comércio, mas a noite urbana em África tem algo de fantasmagórico. Por causa da má iluminação e da tez negra, os transeuntes confundem-se com a paisagem. Não chega a assustar, antes pelo contrário. Aliás, esta anulação visual faz-me sentir em paz, exactamente como quando pela primeira vez me deparei com a minha cidade toda cheia de neve. A diferença é que no caso da cidade a explicação se deve ao silêncio imposto pelo estado intransitável das ruas, enquanto na noite de África as motoretas, a música e as conversas não deixam de ser fazer ouvir. Mas é a mesma paz. Como explicar isto? Não faço ideia. Deve ser coisa de eremita.

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