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OURIQ

Um diário trasladado

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23
Nov08

Sans domicile fixe


Eremita

Sempre tive vocação para SDF. Sans domicile fixe é uma grande expressão, mas de um modo improvável, uma quimera feliz do pendor burocrático dos franceses com a necessidade de um eufemismo para clochard que deu um bom verso. Com o benefício da opção voluntária, habituei-me a uma variante deste género nos últimos dias em Lisboa e tenho tentado reeditá-la em Ourique, mas não é a mesma coisa. Agora que faz frio, ainda é pior, porque deixo de poder pernoitar esporadicamente no monte em ruínas - o que já era fraco consolo - e continuo sem amigos na vila. O essencial é ter amigos em casa de quem se possa dormir. Muitas pessoas confundem esta necessidade com o desejo de aventura e em vez de procurarem os amigos vão atrás de um parceiro sexual. Eu defendo que a profilaxia da infidelidade - admitindo que se trata de uma doença - passa mais por recuperar o hábito de infância das dormidas em casa dos amigos (a sós) do que pelos protocolos vigentes da terapia conjugal. Se penso nas minhas últimas noites felizes, concluo que quase todas foram passadas em sofás de diversas salas de estar. Na última semana, depois de ter rodado todos os amigos e tentando evitar que se preocupassem comigo, vi-me forçado a telefonar a uma ex-amante, pedindo-lhe que me deixasse dormir no seu sofá. Respondeu-me de imediato que tinha o sofá no estofador, revelando alguma presença de espírito e até simpatia. Nunca procurei tirar a limpo se os sofás vão até aos estofadores ou se são os estofadores que vão até aos sofás, mas havia precedentes para outras mentiras caridosas. Enfim, este episódio sobretudo explica que à pergunta "porque não vens hoje para a minha cama?" se responda: "porque amanhã quero ainda poder ir para o teu sofá"...  E não é que isto dá um refrão catita? Eis a primeira canção minimalista escrita em Ourique:

 

 

Sans domicile fixe

(letra e música: EdP, Ourique, 2008)


Porque não vens hoje à minha cama?

Porque amanhã quero o teu sofá

E porque não me beijas nos lábios?

É para poder dizer-te olá

. .. . .  ....  ... . 

..  .  .  . .  ..

.. . . . ...

. .  ..

..  ...  .. .

 

 

 

 

 

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