Fizemos as pazes
Eremita
Não valia a pena prolongar uma zanga com o rapaz do cineclube. Cruzámo-nos na rua, murmurámos qualquer coisa ininteligível e demos um abraço. Depois entrámos no café e foi já sentados que ele prometeu que não voltaria a plagiar-me. Bastou-me, na medida em que consegui imaginar-me a perdoá-lo se me a plagiar outra vez. Ainda ouvi o poema que ele escreveu no momento sobre o nosso reencontro.
Amigos destes não podem partir à chuva
Amigos destes não podem partir à chuva
Abusar das promessas, esboçar encontros
Futuros na reserva em que nunca se toca
As palavras não saem, só o abraço assim
Um segundo mais curto e dois fora de tempo
