Brasil
Eremita
Quando era muito novo, pensava que o Brasil era um país sem intelectuais. A idade não pode ser atenuante; mais do que ignorância, era estupidez minha; e mais do que estupidez, era erro de paralaxe de quem observa a antiga colónia da antiga metrópole e ainda acusa a influência do país que, por seu turno, colonizou culturalmente a geração que o precedeu e fez do eurocentrismo quase um instinto, isto é, a França. Aos poucos, já desembaraçado das telenovelas da Globo e também da França, com algumas leituras, percebi que o Brasil não só tinha uma História de intelectuais, como em número esmaga a intelectualidade do pequeno rectângulo, numa desproporção que a demografia apenas explica em parte. E fiquei ainda com a sensação de que também na qualidade eles são superiores, não sei se fruto da miscigenação de culturas e de alguma miscigenação propriamente dita (Machado de Assis, etc.) ou se apenas pelo fascínio que desperta quem fala a mesma língua de forma tão diferente e capaz. Anos depois, vieram os blogs e lembro-me de seguir dois com grande fidelidade, embora já não me recorde dos nomes: um era escrito por uma mulher que tinha Bukowski em epígrafe no blog e provavelmente na anatomia; o outro era escrito por um fulano muito irritante, a armar ao Nelson Rodrigues e idolatrado pelos bloggers lusos que idolatram Nelson Rodrigues. A moda passou e o Assis ficou. Mas hoje voltei a ler um blog brasileiro e gostei muito.
