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OURIQ

Um diário trasladado

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08
Ago08

...


Eremita

Por onde andará o Luís? Era o meu único amigo em Ourique, amizade que durou uns dois Verões. No segundo Verão levei-o a ver o mar pela primeira vez e nunca mais encontrei uma pessoa tão feliz por tão pouco, pelo que mostrar o mar pela primeira vez a alguém me parece agora mais relevante do que desflorar uma rapariga - mas falo de cor. A questão é: que papel para o Luís? Nem sei se ele ainda vive, se ficou por aqui... Como não conheço o Ricardo Chibanga, não me custa fazer dele um fantasma, basta ter o cuidado de não guiar o fantasma até ao Ribatejo, onde o Chibanga vive - seria indelicado promover um encontro entre os dois. E sei que farei do Chibanga uma personagem cheia de nobreza e sapiência, capaz de usar o par de bandarilhas para apanhar uma mosca em pleno voo - como o Mr. Miyagi de Karate Kid. Imagino o Chibanga a caminhar para mim sobre o risco descontínuo da artéria principal da vila e a dizer-me coisas profundas enquanto me sinto sob o efeito hipnótico do seu fato de luzes ao nascer do sol. Imagino coisas incríveis com o Chibanga e nem é preciso chegar ao realismo mágico. Mas o Luís, que era meu amigo, inibe-me. Que direito tenho de o usar? Que decência há em ter mais vontade de brincar com a lembrança que tenho dele do que tentar reencontrá-lo? Não tenho a menor vontade de o reencontrar. A minha sorte é que não o reconheceria hoje se o reencontrasse e desejo que com ele se passe o mesmo. Mas éramos amigos, não houve ruptura - rupturas... sou lá capaz disso? - e tenho até saudades dele. "Por onde andará o Luís"? Who cares? O Chibanga soltou agora mesmo a mosca, que tinha apanhado de propósito pela pontinha das asas, porque o ofício dele é matar touros. O Luís teria esfodaçado a mosca com um tiro de flober, porque gostava de matar pássaros por matar. 

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