Sobre o cabrão do sefardita
Eremita

O Judeu tem permanecido mal caracterizado, mas nos últimos dias a sua personalidade revelou-se através de diálogos. Quem é este gajo, apetece perguntar - enfim, apetece-me a mim perguntar: Judeu, quem és tu? "Olá, sou o Judeu, tenho setenta anos, desinteressei-me do sexo e das relações passionais em 2005, não uso computador e sei que vou falhar a máquina do movimento perpétuo, mas acredito que conseguirei desenvolver o melhor lubrificante de sempre". Infelizmente, nem inventado o Judeu consegue dar mais esclarecimentos, pelo que só sobro eu para o explicar. Uma hipótese: se Fausto Gomes é o palhaço que veicula as ideias que me envergonham mas em que deposito uma remota esperança, o Judeu é uma projecção no futuro para a pessoa que provavelmente serei caso decida mudar de vida, ou seja, um louco corajoso. O Judeu é quem mais temo e admiro no Ouriquense, um homem que, legitimado pela a convicção com que persegue a máquina do movimento perpétuo, me condena pela cobardia de não assumir o sonho e me refugiar no metadiscurso sobre o fracasso e no comentário sobre o que não faço, mas que, simultaneamente, também constitui o melhor argumento para que não mude de vida, pois não me agradaria acabar como ele e nem sequer foi preciso recorrer a golpes baixos, como dar-lhe incontinência.
