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OURIQ

Um diário trasladado

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06
Out08

Governo sombra


Eremita

 

Em Ourique temos sempre tempo para a rádio. Na sexta ouvi o programa sombra, na TSF. Trata-se de mais um produto daquilo que Pacheco Pereira designa por engraçadismo. Como definir o engraçadismo sem recorrer ao sentido de humor, que é variável e, por isso,  pouco útil a uma definição? Podemos entender o engraçadismo como o registo que legitima a ausência de preparação dos autores. O engraçadista está nos antípodas de Rui Tavares, para quem cada aparição pública é uma espécie de oral perante a nação. Tavares deixa-nos angustiados, porque vemos ali trabalho. Ao invés, o engraçadista é o coleguinha que animava a turma com as suas piadas, um tipo que nos reconforta.

 

A causa próxima para o engraçadismo no programa Governo Sombra é o humor espontâneo de RAP, que força  os seus colegas a produzir piadas, mesmo que não sejam humoristas profissionais. A causa última é o engraçadismo propriamente dito, o movimento que Pacheco Pereira tanto contesta. Curiosamente, o programa serviu para confirmar que o grande intelectual público dos nossos dias, o homem que substituiu Eduardo Prado Coelho, é o nosso Jorge de Burgos, isto é, o José da Marmeleira, Pacheco Pereira himself - que contou com duas referências (uma de RAP e outra de João Miguel Tavares).

 

A profusão de debates dominados pelo engraçadismo faz com que os media portugueses se pareçam hoje aos canais de TV franceses de há dez anos. No que me toca, gosto deste efeito, porque confunde os meus tempos e cria um anacronismo basal que é quase uma forma de intemporalidade. Se isto é bom para Portugal? Perguntem ao Rui Tavares.

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