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OURIQ

Um diário trasladado

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30
Abr12

Sara(h)


Eremita

 

Escher

 

Forças indescritíveis obrigam-me a incluir uma mulher no enredo. Não são as pressões do mercado, pois aponto para a obra de culto; não é o olhar insinuante de Tatiana, pois resisto-lhe e agora até a acho gorda; não foi um sussurro de cama murmurado em Espanha, pois esqueço-me de todos na viagem de regresso e basta-me a FM. São forças. Indescritíveis ou descritas assim: homenzinhos, talvez barbudos,  em labor incansável, que percorrem os labirintos do meu cérebro como as figuras nas escadarias do Escher, mas em modo irrequieto. Fiz uns esquemas que não esgotam o leque de possibilidades  e conto comentá-los em ocasião oportuna:

 

Modelo femme fatale

 

Triângulo amoroso correspondido de contexto heterossexual

 

 

 

Triângulo amoroso com hetero e bissexualidade

 

 

 

Envolvimentos circularmente exclusivos

 

Modelo trevo de três folhas, aka tricórnio de matriz poliândrica 

 

 

Sinceramente, não sei como as pessoas escrevem romances com tanta facilidade. Estes esquemas, que são uma ínfima fracção de todos os enredos e permutações possíveis nas relações amorosas de quatro indivíduos, deixaram-me muito ansioso. Enfim, o mais simples será matar Sara(h) e mantê-la à distância com recurso ao flashback. Mas agora vou até ao café beber umas imperiais. 

 

 

 

 

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