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Um diário trasladado

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16
Fev12

Ascensão e Queda do Ponto-e-vírgula


Eremita

Produza-se primeiro a evidência, ao jeito daqueles inquéritos que só confirmam o que já se sabe. O ponto-e-vírgula está a morrer há muitos anos, ao ponto de transformar o batido eufemismo que se usa para o cancro (a "morte prolongada") numa definição que pecaria por defeito. O gráfico seguinte mostra a evolução ao longo de mais de 500 anos do uso relativo do ponto-e-vírgula em livros escritos em inglês. Percebemos que o ponto-e-vírgula ganhou e depois perdeu popularidade. Tentaremos explicar este fenómeno sem atribuir culpas à Revolução Industrial (em todo o caso, não temos uma ideologia).

 

Evolução do uso relativo do ponto-e-vírgula em livros escritos em inglês

 

 

O magnífico Ngram Viewer, da Google Books, permite-nos ainda tirar duas outras conclusões. A primeira: o que se verifica em inglês é válido para muitas outras línguas. A segunda: o "chinês simplificado" é uma notável excepção, porque regista um aumento de popularidade do ponto-e-vírgula, embora o seu uso seja ainda menos frequente do que no inglês. São factos órfãos de explicação.
Evolução do uso relativo do ponto-e-vírgula em livros escritos em "chinês simplificado"
Aqui não se esclarece a excepção do "chinês simplificado", mas atribui-se a morte do ponto-e-vírgula ao telégrafo; vale a pena ler e seria inútil repetir o que lá se escreve. Sobra a indução a partir da autobiograifa: gostamos do ponto-e-vírgula porque é um sinal de pontuação que conhecemos já adultos. Na escola todos aprendem as consequências dramáticas de uma vírgula mal colocada (num contrato, numa carta de amor, etc.), mas nada nos dizem sobre o ponto-e-vírgula. A aproximação faz-se mais tarde, por iniciativa própria, como autodidactas. E usamos este sinal pela primeira vez com a mesma insegurança e entusiasmo com que se arrisca no instrumento a primeira dissonância. Mas chega de indução. Para mim, o ponto-e-vírgula é o mais íntimo do sinais de pontuação, porque não pontua a língua, pontua o raciocínio. Reconheço-me nestas palavras que retirei da citação anterior e fica tudo dito: "'[t]he most common abuse of the semicolon, at least in journalism, is to imply a relationship between two statements without having to make clear what that relationship is.' All journalists can cop to this: The semicolon allows woozy clauses to lean on each other like drunks for support". Traduzindo: não podemos abdicar do ponto-e-vírgula, não somos assim tão espertos.

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