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OURIQ

Um diário trasladado

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20
Jul11

Antecipando uma efeméride


Eremita

O Ouriquense comemora 3 anos no próximo dia 30 de Julho. Tenho a perfeita noção de que só não faço mais aqui para ainda poder fazer outras coisas, mesmo estando convencido de que isto, na sua assumida desadequação ao veículo (o blog), é a melhor coisa que fiz e farei na minha vida.

 

Andamos todos a escrever pouco, mas estamos a passar pela nossa fase mais criativa de sempre. O Fausto teve uma epifania e decidiu que o Cotovio vai ser o reino do poejo, que ele conta cultivar em estufa, para termos pelo menos uma colheita extra fora da época e podermos atacar de supresa as lojas gourmet de Lisboa, numa acção concertada com a campanha "Além, o poejo".  No BW, a minha tentativa de escrever um grande romance lusitano (previsão a Julho de 2011: 800 páginas), Hans tem privado muito com o autor e tudo isto acontece sem escrever uma única linha e sem que Hans exista como pessoa, é mesmo apenas uma personagem. Ricardo Chibanga anda desaparecido. O Judeu tem ido ver o mar, o que me deixa sem carro e sexualmente frustrado. Tatiana passeia-se com as crianças e creio que já não a amo. Ainda penso em Igor e nos episódios terríveis do périplo por Espanha.

 

Continuo a ler Proust e hoje fiz uma observação quando estudava os primeiros compassos de uma fuga para alaúde de Bach: na fase de estudo da fuga, há um momento em que os dedos já fazem as vozes, mas a cabeça ainda não as canta, no sentido em que a consciência do acto de cantar antecipa o que se ouve. As vozes já soam, só que não tenho ainda mão nelas, porque a dificuldade técnica ainda está muito presente e não antecipo o momento em que entram, antes sou surpreendido por elas quando vão a meio -  a surpresa é tão genuína que, por instantes, parece que alguém está a tocar por mim e esta experiência fora do corpo de tipo esquizóide só acontece com as fugas. "Fuga" vem do latim "fugare" (perseguir) e "fugere" (fugir) e antes entendia que os dois verbos descreviam a interacção entre as intrincadas melodias que caracterizam este estilo, mas creio que é só quando se tenta tocar uma fuga que a sua verdadeira natureza nos toca. Não, as melodias não se perseguem e escapam entre si, como musas caprichosas num jogo da apanhada; elas apenas fogem de quem as tenta tocar. Assim, a fuga é como as aves que não podemos aprisionar: no momento em que se dominamos, deixam de ser o que eram. O único consolo por ter pouca técnica é esse: comigo as fugas serão sempre fugas.

 

 

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Comentários recentes

  • Anónimo

    Epá, não me digam que o Eremita amuou, perdão!, co...

  • Anónimo

    Não percebo nada disto.

  • Anónimo

    Ah, só para unir as pontas. Depois disto é que sur...

  • Anónimo

    olha o escroque que dá pelo nome entre outros "rfc...

  • Anónimo

    Ó Eremita, pá, alegra-te também que tu que, afinal...

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