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OURIQ

Um diário trasladado

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01
Mai12

Hey, let's be careful out there


Eremita

Repescado de 24 de Junho de 2011, modificado e dedicado a quem me disse que encontrou nesta palavras algum consolo - outro louco, portanto.

 

Um modo de trivializar o consumo de antidepressivos é a comparação com a insulina que os diabéticos tomam. É uma péssima comparação. A começar, porque os diabéticos não têm alternativa e os antidepressivos não são essenciais. Mas a melhor demonstração de que o doente estabelece com estes medicamentos uma relação especial é a polémica sobre a sua real eficácia. Há uma extensa literatura sobre o efeito placebo dos antidepressivos (1 e 2), isto é, há gente a tentar provar que o princípio activo dos antidepressivos é tão eficaz a curar uma depressão como uma pílula de açúcar. A ser verdade, seria uma bomba. Infelizmente, o que faz funcionar o mercado dos livros contra os antidepressivos vai além da natural desconfiança face aos interesses comerciais e corporativos das farmacêuticas  O que faz funcionar este mercado é o desejo que os deprimidos têm de que os seus antidepressivos nada mais fizeram do que simbolizar o poder das suas mentes contra a doença. Da sua força de vontade. Da sua personalidade. Porque não seria apenas uma boa notícia, seria um renascimento.

 

Esta é uma situação absolutamente insólita: a de um doente que fica feliz e comovido por saber que o tratamento que o curou era, afinal, uma aldrabice. Naturalmente, tal desejo é tão forte que o deixa à mercê de charlatães. Daí que desconfiar apenas das farmacêuticas seja um erro, por se tratar de um caso particular de uma regra geral: devemos desconfiar de todas as oportunidades de negócio que exploram os nossos desejos mais íntimos.

 

Que consolo pode esperar quem se conformou com os efeitos terapêuticos dos antidepressivos? A ideia de que só porque há um remédio não pode haver um traço de personalidade, antes uma doença, é demasiado cândida. Tomar antidepressivos pode fazer bem à saúde, mas não dissipa a questão que acompanhará o deprimido até um episódio decisivo, que pode nunca chegar: não será a depressão uma forma de cobardia? E enquanto esse momento não chega, a única coisa que ele pode fazer, na mais completa solidão, é transformar o medo em coragem e a raiva em alegria. Apesar da posologia. 

 

 

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