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OURIQ

Um diário trasladado

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Um diário trasladado

09
Abr11

Joni Mitchell


Eremita

 

 

Se a memória não me falha, Gonçalo M. Tavares tem uma frase que não andará muito longe desta: a minha religião é o novo. Gosto muito. Porque ando a ler as mais famosas confissões (Chesterton, Tolstói, Santo Agostinho...) e a imagem que fica do pensamento religioso é a de um raciocínio fracturado em cuja fissura se injectou fé. Reduzida a cola, só snifada a fé pode inspirar. Guardo para o fim a teodiceia positiva de Sampaio Bruno, que já folheei e me pareceu escrita de um homem superiormente inteligente, mas se até Kant não conseguiu, o que devo esperar de uma celebridade local e hoje esquecida de quase todos? Daí que uma saída possível seja a transformação da religião em algo de idiossincrático, isto é, em algo inatacável. Pode ser o novo, o velho, o repetido; o importante é que seja genuíno e que a explicação não sobreviva ao seu autor. Nesse sentido, a minha religião é o acaso. Não haverá grande idiossincrasia nisto, bem vistas as coisas, mas convém esclarecer que não ando fascinado com o mistério da coincidência. O fascínio pela coincidência tem uma explicação racional. Também não fiz de Paul Auster o meu profeta - haja amor-próprio. O paralelo que encontro é com o que Herberto Helder escreveu sobre o conforto espiritual que retiramos de um estilo (vem no Os Passos em Volta, creio, mas não vou abrir o tupperware). Agora por minha conta e risco: o estilo tem três momentos; no primeiro, a criança descobre por imitação o estilo da espécie; no segundo, o adolescente procura por necessidade o estilo de um grupo; no terceiro, o homem encontra por acaso o estilo de um indivíduo. A salvação é isto. 

 

Continua (é a propósito daquela carta que chegou há uns dias).

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