To Jerusalem and back
Eremita
O Ouriquense continua a fazer o seu caminho no sentido da perfeição aparente. Um pouco como na ascensão da psicanálise a instrumento de dissecar biografias, se me é permitido. Ou como a génese de todas as restantes metafísicas, bem vistas as coisas. Para tudo começa a haver aqui uma explicação absolutamente consistente, mas também impossível de invalidar e tendencialmente barroca. É a laborar neste paradoxo de querer lógica interna naquilo que não precisa de qualquer lógica - como se a loucura precisasse de verosimilhança - que vai crescendo o capricho do artista.
Com o eremita na praia, os Quo vadis podem existir, porque não são escritos pela personagem e sim pelo narrador. Ganha também voz o judeu, com o seu hebraico primário. Como escreve o judeu? Com um tradutor automático, obviamente, pois o homem nem acerta na data do Hanukkanh. Mas são os textos mais trabalhados que surgem no Ouriquense, pelo menos se usarmos como critério o número de versões. O judeu começa por parir um texto em inglês. O texto é traduzido para hebraico e depois traduzido de volta ao inglês. A informação que se perde neste processo informa o judeu das alterações que deve introduzir no texto original, que é de novo submetido a uma ida e volta, o seu To Jerusalem and Back. Até voltar imaculado no sentido original, o processo é repetido. São 5, 6, 7 versões. Provavelmente haverá menos versões no futuro, se neste processo a prosa do Judeu se aproximar de uma gramática universal. Não sei que este método preserva o sentido em português ou noutra língua que não o par posto a interactuar. Em todo o caso, mais do que ter dado a chave de leitura para algo que não era propriamente críptico, forneci uma explicação.

