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OURIQ

Um diário trasladado

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07
Jan11

Início dos doze trabalhos de Fausto


Eremita

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(pub) fonte

Ovos Biológicos

Passados 35 anos, há ainda expropriados que não receberam as indemnizações. Não deveria o Estado ter agilizado o processo?

Considero que isso é inadmissível. Por mais que se diga o contrário, em Portugal, o Estado não é uma "pessoa de bem". Não respeita o Direito que cria, mesmo se exige que os outros o respeitem.

Na altura da Lei Barreto, as terras ocupadas estavam a produzir mais do que antes da reforma agrária?
Nuns casos sim, noutros não. Em 1974 e princípios de 1975, por causa das ameaças existentes, alguns lavradores reduziram as sementeiras e os trabalhos. Mas esse não foi o factor determinante. Os ocupantes, em geral, quiseram demonstrar a sua "superioridade", por isso semearam o mais possível, mesmo com riscos de não fazer os pousios adequados, o que causou problemas. De qualquer maneira, a ideia de que no Alentejo havia milhares e milhares de hectares não cultivados era um mito ou uma mentira. Havia alguns casos, mas nada que se pareça com o que se dizia. E ainda diz... É preciso ter em conta o facto de o Alentejo ter condições muito especiais e ser terra de sequeiro. O montado é seguramente a fórmula ideal, tanto económica como ecologicamente, para cultivar aquelas terras. Os ocupantes de 1975 fizeram, nalguns casos, tantos disparates quanto a Campanha do Trigo dos anos vinte e trinta dos idos de Salazar...


Quem mandava nas terras à altura da Lei Barreto?
Em teoria, no Verão de 1975, o Estado. Na prática, os ocupantes, as Unidades Colectivas de Produção (UCP) e o PCP. Era uma espécie de território conquistado. Chegou a haver casos, não poucos, em que brigadas civis vigiavam a circulação automóvel, identificavam passantes, etc.


Que efeitos teve a reforma agrária na agricultura portuguesa? E que efeitos teve o fim do regime da reforma agrária?
Efeitos importantes e duráveis da reforma agrária? Nenhuns. A não ser que dividiu a população, abriu feridas e criou conflitos. Por outro lado, durante dois anos, garantiu salários (não necessariamente emprego ou trabalho) a uns milhares de trabalhadores. Alguns potenciais empresários foram-se embora. Muitos trabalhadores também. Os factores de abandono dos campos retomaram, o que aliás aconteceria de qualquer maneira, ainda por cima com a Política Agrícola Comum europeia.  Declarações em 2010 de António Barreto, que foi minsitro da agricultura entre 76 e 78.

Fausto quer convencer-me a instalar uma produção de ovos biológicos no Cotovio, mas disse-lhe que primeiro precisava de ouvir a sua posição sobre a reforma agrária e a "lei Barreto". A "lei Barreto" ocupa um lugar especial. Salvo erro, é a única lei conhecida  por leigos pelo apelido do seu principal responsável, ou seja, está para as leis como "kafkaesco" e "quixotesco" para o léxico - aliás, mark my words: sonho escrever um western-épico alentejano (depois filme, com banda sonora dos Dead Combo, se a banda ainda existir em 2018) e o título será A Lei Barreto, que cumpre a regra mágica dos bons títulos (a exclusão de verbos*). Mas Fausto, que me parece ser de outro mundo, sem chegar a descer do jeep fez um esgar de desdém ainda eu não tinha terminado de falar e, quando arrancou apressado, usou a tracção às quatro rodas para frisar ainda mais o seu desagrado. Creio que me despreza, mas é um sentimento recíproco. Pelo que percebi desde que ele se instalou na vila, não fez por merecer o dinheiro que tem, é um simples herdeiro. A verdade é que tem mais dinheiro que eu para investir e em Abril a minha conta estará a zero.

 

* Esta regra é da autoria de Eduardo Cintra Torres e foi por mim aperfeiçoada, pois a verdade é que os verbos podem existir no título, bastando que apareçam no infinitivo. Trabalhar Cansa e Ofício de Viver são bons títulos, ideais para pequenas livrarias com prateleiras de boa madeira; Fazes-me Falta e Agarra-te ao meu Peito em Chamas são péssimos títulos, ideais para grandes superfícies comerciais.

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