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OURIQ

Um diário trasladado

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29
Dez10

Tantas tulipas murchas não serão esquecidas


Eremita

 

 

 

Não sei se concordo. Gonçalo M. Tavares (GMT) parece sempre mergulhar mais fundo do que os outros, mas quem são esses outros? Quem são os seus pares? A resposta a esta pergunta entronca na resposta a uma outra questão: se dermos por adquirido que GMT mergulha mais fundo, será que volta à superfície com a pérola? Por exemplo, o que aprendemos de novo neste ensaio que não se soubesse já? Provavelmente nada. Ou então aprende-se algo, mas que provavelmente está errado. GMT substitui a perspectiva histórica e o conhecimento técnico, que não reclama, por uma descida à essência das coisas, mas que de novo, depois desta primeira vez, me soa a prestidigitação intelectual. Não se trata de aldrabice, antes de uma conversa da treta, aqui entendida como a tradução da bullshit definida por Harry G. Frankfurt no seu famoso ensaio.

 

O que me continua a fascinar nos textos de Gonçalo M. Tavares é uma indefinível autoridade, que talvez resulte da enorme honestidade com que produz tanta treta. E só consigo explicar este paradoxo de uma forma: o que (me) interessa em GMT  - e o que provavelmente lhe interessa a ele - é a sua imaginação. Que a matéria-prima da sua imaginação sejam os conceitos não nos deve levar a avaliá-lo como intelectual, filósofo ou ensaísta, mas como escritor. A resposta à pergunta inicial não é surpreendente: os pares de GMT serão os outros escritores. Mas o que daqui decorre é menos trivial: não se pode destacar Gonçalo M. Tavares dos seus pares pelos seus embrulhos filosofantes. Em última análise, uma avaliação séria da imaginação de GMT é, em si, um difícil exercício de imaginação, que passa por suprimir o efeito ofuscante da  matéria-prima que GMT utiliza, e também por um esforço de abnegação, em que descartamos as suas conclusões ou, no limite, sem mais investir delas desconfiamos; como se ignorássemos o ouro e a esmeralda que o ourives usou e a jóia resultante, para melhor o observar enquanto trabalhava.

 

PS: só voltarei a escrever sobre GMT se entretanto mudar de opinião.

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