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OURIQ

Um diário trasladado

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Um diário trasladado

17
Set08

...


Eremita

 

Após um primeiro ensaio falhado, entrei finalmente na história. O ensaio falhado deveu-se a estar a ler no original, creio que precisei de fazer o olho - mas também a alguns excessos de Cortázar, que abusa da metáfora. Aliás, o estilo até agora não impressiona, parece que o registo de romance lhe tornou a escrita mais gorda. E há detalhes imperdoáveis. A finalizar o primeiro capítulo, a personagem principal deixa cair um cubo de açucar no chão de um restaurante. O cubo toca na alcatifa e põe-se a rodar até ficar perdido. Tenho a firme convicção de que isto é absurdamente inverosímil, para não dizer impossível. O realismo mágico não pode branquear a falta de rigor. Bem sei que acabar depois com o torrão a derreter-se na palma da mão é uma grande imagem, mas não se pode dissolver as leis da física pelo caminho. Enfim, demos-lhe por agora o benefício da dúvida. Conto  realizar uma experiência que testará esta minha impressão - é só mesmo o tempo de encontrar torrões de açucar - e depois apresentarei o gráfico.

 

Quem não leu a Rayuela talvez não sabia que há dois percursos de leitura. Optei pelo convencional, que é ir percorrendo o livro da capa à contracapa, sem recuos.  O esquema alternativo tem umas chamadas no fim de cada capítulo para o capítulo seguinte e tal esquema faz-me nervoso miudinho - eu teria preferido que Cortázar não estimulasse tanto a participação do leitor. É evidente que esta organização se relaciona com o jogo da macaca, que dá o título, mas o livro tem quase 600 páginas e seguir os dois esquemas é passar das 1000. O Cortázar que vá pentear macacos...

 

Raras vezes comecei um livro tão irritado. Perceber que a história decorre na minha Paris (Porte d'Orleans, Boulevard Jourdan, etc...) só complicou a coisa, vai ser flashback atrás de flashback, memórias dos passeios com P., P. no jardim da cité U, P. de bicicleta no Parc de Montsouris, e os passeios  de madrugada até ao coração haussmanniano da cidade. Tudo isto me irrita. Até ter tido uma bela história de amor em Paris. Parece que é memória plantada de ver tanto filme. Que raio de escolha, vou andar lixado até ao Natal. Prevejo vir a insultar este Cortázar como uma vítima da síndrome de Tourette em crise aguda - ele morreu há tempo suficiente para que tal não passe por falta de respeito.

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