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OURIQ

Um diário trasladado

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11
Set08

Histórias de Nova Iorque (I)


Eremita

O dominó de Battery Park é o meu mito urbano preferido. Já não se fala disto e nunca se falou muito, mas a todo o 11 de Setembro temo por esta história. Tanto receio que rebente pelas mãos de um bom jornalista, que faça a ascensão e derrareira queda de um rumor, como que seja pasto para tablóides e nasça depois uma seita dos adoradores de dominós. Gosto de viver com esta dúvida e de saber que somos poucos a partilhá-la. Por isso escrevo com intenções de parecer pouco credível.

 

Diz-se que perto de Battery Park, num apartamento espaçoso de 4 ou 5 assoalhadas, sem mobília, serpenteia pelo soalho uma linha feita de pedras de dominó postas de pé, a tal distância umas das outras, que tombar a primeira ou a última de encontro à pedra vizinha faria com que todas caíssem. É um passatempo bem conhecido, isto de alinhar pedras de dominó. Vive da tensão criada pela possiblidade de um acidente que destrua a obra antes de estar pronta a ser destruída e daquela ilusão de desprezo pela condição efémera que vem de consumir milhares de horas de trabalho em breves instantes, quando se decide dar o piparote. Não se sabe exactamente quantas são as pedras, mas seguramente muitos milhares, pois a linha invade todas as divisões da casa, fazendo caprichosos desenhos. Já ouvi de uns que as pedras são todas pretas e de outros que são todas brancas. Ninguém lhes sabe a cor, na verdade. Nem a cor nem a morada.

 

O chão estremeceu quando a primeira torre caíu, numa onda de choque que a norte se espraiou até à rua 20 e, a sul  morreu na margem. O mesmo voltaria  a suceder meia hora depois, quando a segunda torre ruiu. Esta história está bem contada e documentada. O que se passou no tal apartamento também,  mas não há provas nem testemunhas. Diz-se que a linha de pedras de dominó já lá estava, que o dono do apartamento dormia no andar de baixo e que só acordoiu com  barulho da segunda torre. Diz-se que antes mesmo de ligar a televisão, apressou-se sair,  galgar os dois lances de escadas e entrar no apartameno de cima, seguro de que iria encontrar as pedras tombadas. Mas o que ele viu foi outra coisa.

 

A princípio não percebeu. A linha tinha pedras tombadas em três pontos distintos. Em cada um, eram poucas as pedras caídas. Fala-se em números, mas é conversa de numerologista, convém ignorar. Eis o fundamental: parecia para cada início de queda em cadeia, surgira uma outra queda poucos centímetros a jusante e de sentido contrário. O resultado foi que as quedas em cadeia colidiram, anulando-se. Num dos casos, destacavam-se mesmo as duas últimas pedras de cada um dos lados, equilibrando-se uma na outra, O que se teria passado?

 

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