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OURIQ

Um diário trasladado

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23
Out10

Livro


Eremita

A história dessa dúvida era extensa e pountuada por períodos distintos. Durante épocas, estações, a Adelaide convencia-se de que a tia sabia. Essa teoria era suportada por pequenos sinais e cálculos. A Adelaide tinha quase a certeza, tinha um pouco menos de certeza e, por fim, não tinha certeza nenhuma. Logo a seguir, a Adelaide convencia-se de que a tia não sabia. Ficava assim durante meses. Depois, tinha quase a certeza, menos, menos, e não tinha certeza nenhuma outra vez. Livro, página 79

 

Há o plágio, há o autoplágio e depois há o que acabámos de ler: o pastiche de um autor a si próprio. Esta curta citação capta as limitações e méritos da prosa de José Luís Peixoto. Destaco dois: a simplicidade do raciocínio e a simplicidade formal. Não há em Livro, até agora, uma única reflexão de fôlego. Peixoto não é um ensaísta disfarçado de romancista, o que pode ter as suas virtudes.  Mas até o uso da palavra "teoria" denuncia a falta de interesse que o escritor tem pelo mundo das ideias - como se percebe, Adelaide não tem uma teoria, tem apenas uma impressão. Quanto à simplicidade formal, a sua expressão mais óbvia são as repetições e o vocabulário limitado (ainda que adornado com um esporádico regionalismo ou uma palavra moribunda). A citação não faz justiça a Peixoto, pois ele por vezes consegue efeitos muito bonitos e intencionais com estes parcos recursos, o que é admirável, mas são demasiadas as passagens em que a repetição de palavras e expressões se alia a um discurso pobre de ideias, sem que nenhuma solução - como um efeito-surpresa, por exemplo - seja praticada para criar alguma mais-valia. A repetição é de tal ordem que a prosa se torna quase didáctica e a redundância é tão fisicamente próxima - de uma frase para a frase seguinte - que José Luís Peixoto parece dirigir-se a um indivíduo com Attention Deficit Disorder.

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