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OURIQ

Um diário trasladado

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07
Abr12

O portal


Eremita

Alguém dotado para a informática lembrou-se de digitalizar o planeta Terra, criando um portal interactivo para o efeito. Qualquer um podia consultá-lo gratuitamente e introduzir as fotos das suas férias ou no jardim com os noivos, anotadas ou não. O programa integrava as fotos anotadas num mapa mundi e arquivava as outras no mapa terra incognita. Periodicamente, com base na localização dos computadores de onde as fotos não anotadas tinham sido enviadas e em conhecimentos avulsos, os criadores do portal comparavam as fotos mapeadas com as fotos da terra incognita e, de cada vez, algumas destas fotos transitavam para o mapa mundi, de modo que a área fotografada nesse mapa foi sempre aumentando, embora a terra incognita não deixasse de crescer também. O projecto excedeu todas as expectativas - na gíria do meio, tornou-se viral. Criou-se então uma ferramenta de revisão da classificação de acordo com o policiamento do público, isto é, o portal passou a ser uma espécie de wikipedia em imagens. O sucesso do portal despertou a cobiça das grandes empresas, mas os seus donos conseguiram negociar com todas e centralizar as novas possibilidades, como o mapeamento ligado ao Google Maps e às grandes redes sociais. Quando a cobertura da área de terra do planeta atingiu uns estimados 2%, foi lançado o desafio de fotografar a terra inteira da Terra. O objectivo deixara de ser uma base de dados com fotos de todas as áreas de terra a descoberto, para passar a ser o de uma metafotografia que integrasse todo o planeta, como se fotografado da Lua, mas de grande resolução e sem as limitações das fotografias de topo que os satélites tiram - "como vista da lua, mas fotografada na rua" era o slogan. Cada fotografia de paisagem, que necessitava de uma resolução e escala mínimas, começou a ser processada por um sofisticado software ainda em fase experimental que conseguia combinar imagens do mesmo objecto tiradas de perspectivas diferentes. O sofware revelou-se poderosíssimo. E foi assim que o grande puzzle da Terra cresceu, não à custa da identificação do ajuste perfeito entre peças recortadas, mas pelo labor de um algoritmo que integrava todos os elementos associados à fotografia e era capaz de descobrir áreas de sobreposição mesmo entre fotografias tiradas de perspecivas diferentes. Em menos de um ano, arquivou-se 95% da área coberta de terra do planeta. Passou a ser possível uma viagem virtual entre Lisboa e Pequim, com todas as encruzilhadas que o verdadeiro viajante encontraria pelo caminho. Mas o turismo não acabou, apenas se transfigurou. Zonas inóspitas e sem beleza natural tornaram-se destinos cobiçados; fotografar o último metro quadrado de planeta foi anunciado como a derradeira e a mais democrática exploração. O upload dessa última foto foi notícia em todo o mundo. No dia seguinte, alguém escreveu numa coluna de jornal de fraca circulação uma frase apenas entendida pelos mais velhos: "Só o azul do mar nos salvará".

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