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OURIQ

Um diário trasladado

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02
Out10

Dois notáveis corpos


Eremita

 

Alle Anderen (2009)
Refiro-me menos à notável secura de carnes de Lars Eidinger e ao improvável rabo arrebitado de preta de Birgit Minichmayr e mais ao modo como Maren Ade os filma. As primeiras cenas são a melhor representação do enamoramento que vi no cinema, pelo menos desde a cena da sauna em Soleil Trompeur, de Nikita Mikhalkov. Depois o filme é um autêntico disparate, como também costuma acontecer às relações. São mesmo as cenas iniciais que o salvam.

Que seja um filme alemão a lembrar-me o que é o amor não seria tão bom como descobrir um brilhante cómico de stand up algures em Hamburgo, perdido num alinhamento de cabaret, mas chega para estilhaçar outro estereótipo. O amor no cinema europeu costumava acontecer na Europa do sul (Igreja e ilhas gregas), em Paris (mulheres a fumar), no Reino Unido (na versão amor de época, com um belo guarda-roupa,  e na versão do amor realista, com gente a carecer de um dentista) e na Escandinávia (quando Bergman filmava). Na Alemanha, na Áustria e em praticamente toda a Europa de Leste o tratamento do amor tende a ficar refém de grandes acontecimentos históricos, dos empalhamentos de Vlad Dracula ao nazismo e ao comunismo - bem sei que qualquer leitor se lembrará de vários exemplos que destroem esta tese, mas estou apenas a partilhar uma impressão pessoal. Acresce que a contribuição da Alemanha para o universo de referências erótico-passionais registava uma descida constante desde o fim dos anos noventa, por causa da subtil metamorfose que pôs  no rosto de Claudia Schiffer o eterno sorriso de um coelhinho e do desaparecimento daquele belíssimo enquadramento televisivo que era a posição de recepção de serviço de Steffi Graf filmada de costas, sobretudo quando em Roland Garros, talvez por o ligeiro ocre da terra batida ligar tão bem com o branco da roupa e realçar ainda mais aquelas pernas sublimes. Podia ainda referir incidentes menores, como as recorrentes gravidezes de Heidi Klum e, curiosamente, a substituição de Helmut Kohl por Angela Merkel (o chanceler Schröder é uma figura absolutamente irrelevante, neste contexto), que também contribuíram para o decaimento do erotismo da mulher alemã no contexto internacional. Vivemos pois uma época longe das glórias passadas que foram Marlene Dietrich, a adaptação cinematográfica de As Lágrimas Amargas de Petra Von Kant e os anos dourados da pornografia centro-europeia antes da queda do muro de Berlim (isto li eu numa colectânea de ensaios), não sendo até descabido afirmar que o principal ícone feminino alemão contemporâneo é Bill Kaulitz, aquele moço do grupo Tokio Hotel.

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