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OURIQ

Um diário trasladado

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06
Out10

Obra académica - do tomo I


Eremita

Ensaios

 

[actualização]

 

1. Causas da inexistência de uma saudação gestual que indique arrependimento e não implique  as duas mãos, mesmo depois de mais de um século de automobilismo.

 

True story: o The Last Samurai, um filme sobre choque de culturas - os ameríndios e os americanos, um oficial americano e os samurais, Tom Cruise e a sua tendência para tratar um sabre de madeira como um taco de baseball - ladeado por uma amiga indiana (da Índia) e um colega japonês (creio que de Quioto). Como foi nos EUA, comprei um balde de pipocas e, mais por distracção do que por gula ou falta de educação, esqueci-me de oferecer pipocas ao japonês, tendo chegado ao fim do balde no preciso momento em que uma cena do filme tratava da rudeza dos ocidentais. Revati, a indiana, encontrou ali uma boa oportunidade para me desancar. Felizmente, os três falávamos inglês e consegui desfazer-me em desculpas. É muito importante poder comunicar sem perda de informação.

 

(cont)

 

2. Rodrigo Vive! - divagações sobre o conceito de ressuscitamento psicológico.

 

Rodrigo  Vive! é um texto sobre o fenómeno, creio que familiar, de estarmos convictos da morte de uma pessoa que, afinal, continua viva. Comigo isso sucedeu com duas pessoas. A primeira experiência envolveu Holly Johnson, nome a que retrospectivamente reconheço alguma presciência. Trata-se, como é do conhecimento geral, do vocalista da antiga banda pop britânica Frankie Goes to Hollywood. Dos finais de oitenta ao princípio do século, julguei-o morto, até que ele ressuscitou na minha cabeça, mais velho, não excessivamente mais gordo e como se pegasse num verso interrompido há quase  duas décadas de The Power of Love. O outro ressuscitamento psicológico aconteceu com o fadista Rodrigo, que julgava morto em parte por ele ser tão popular na RTP Memória, e que acabo de ver anunciado como figura de cartaz de um espectáculo que não me pareceu ser de espiritismo. Mas escrevo este texto, essencialmente, por gostar muito do seu título. Rodrigo Vive! tem uma sonoridade especial, que Holly shit! (uma conseguida tradução para a versão em inglês deste trabalho) não reproduz. As nossas motivações podem ser mesmo muito prosaicas. Por exemplo, certo dia - true story - uma mosca pairava sobre a cabeça de um amigo meu, durante uma aula, e ele começou a mexer o braço para a afugentar, chamando a atenção da professora, que julgou estar perante um aluno com uma dúvida; o meu amigo, depois de um breve instante em que terá medido eventuais esforços e consequências, achou que seria mais simples improvisar uma pergunta do que explicar a realidade. E se assim se prova que a curiosidade académica nem sempre é o que parece, quem poderá negar o capricho de escrever um texto só para justificar um título?

 

3. Sobre os solos de Brian May

 

 

 

 

4. Enterrar ou cremar a personagem?

 

Creio que as discussões sobre a cremação tocaram já na reciclagem dos nutrientes e outros aspectos relevantes para a ecologia, mas desconheço estudos que comparem as possibilidades narrativas do enterramento das personagens com as da cremação. É isso que me proponho fazer em Enterrar ou cremar a personagem?

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