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Set10
Um Mapa Mental das Américas Hispânicas
Eremita
1. Starbucks do Aeorporto de Lima, 10 de Setembro de 2010, 6:30 (AM): Chego ao Peru vindo de Lisboa e com escala feita em Madrid. Não a vi à saída e resolvo fazer tempo até que sejam horas apropriadas para incomodar o contacto que ela me deu. Peço um chocolate quente e logo se produz um primeiro equívoco comunicacional. O empregado pergunta-me o nome; não deve ser tradição local, será certamente política da empresa. Ele queria saber o meu nome para não se equivocar nos pedidos e poder identificar o meu chocolate quente. É simpático e eficaz, mas percebe-me mal: "Rasco?" Sorrio por motivos que ele jamais poderá entender e quase confirmo, mas ainda fui a tempo de o corrigir.
Sento-me a uma mesa já com o chocolate quente e aproveito o incidente para elaborar um esquema com que proteger a identidade dos intervenientes neste relato. Imagino recorrer a iniciais, A., B., C., etc., por ordem de entrada das personagens principais, e a algarismos - 1, 2, 3, etc. - para as personagens secundárias, explorando o colorido dos nomes próprios com as personagens marginais e para sempre irreconhecíveis. Apercebo-me depois do absurdo deste esquema e de todos os esquemas similares, por mais ou menos complexos que sejam. O clássico tratamento por iniciais, em muito casos, serve apenas para indicar que o autor sabe sobre aquela pessoa muito mais do que escreve - quando não se trata de um bluff pueril, é então menos uma forma de pudor do que uma manifestação de poder. A única forma de proteger a privacidade dos intervenientes é contar apenas aquilo que pode ser contado e o melhor será tratá-los pelos nomes. Sobretudo quando os nomes são bonitos. Ana e Arturo são nomes bonitos.
Continua

