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OURIQ

Um diário trasladado

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05
Mar13

Lucinha


Eremita

 

 

5. O pouco que julgo saber sobre Lucinha foi sendo aprendido entre dois orgasmos. Este balizamento descreve bem a minha rotina com a brasileira. Subimos para o quarto com um cumprimento de circunstância, ela fecha a porta, começa a despir-se e olha para mim através do espelho do tocador, oferecendo-me depois o rabo e logo o cu. O primeiro acto costuma ser muito rápido, pois deixei de me masturbar em Ourique, e não há dúvida de que sou o único a ter prazer genuíno. Só por isso, comecei a respeitar Lucinha logo à primeira penetração. Consuela, a colombiana de Villanueva de los Castillejos, não é a antítese de Lucinha porque a vida ultrapassa a literatura, mas sei que jamais poderei acreditar no espalhafato da sua litania de coito, quando invoca o Senhor e diversos santos num crescendo demasiado sincronizado com o meu para que seja verdadeiro. Se Consuela não tivesse boas mamas, boa peida e boas coxas, jamais perderia tempo em San Silvestre de Guzmán  - e acresce que é feia. Já Lucinha - aliás, Luciana – tem o encanto da discreta mestiçagem entre estirpes europeias: um amendoado nos olhos que não vem da Amazónia, antes é herança das estepes russas, num rosto que mistura ainda sangue alemão e italiano sem parecer suíço. Praticamente destituída de peito, Lucinha aplica ao segundo acto sexual uma inteligência sexual surpreendente num prostíbulo de terceira categoria e até rara de encontrar entre as classes média e média-alta, tanto quanto me posso recordar. É no intervalo que separa esses dois actos, enquanto eu recupero a competência, que falamos longamente sobre ela: a sua infância, a sua chegada a El Granado e a sua condição laboral.

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