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OURIQ

Um diário trasladado

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26
Mai10

Um conjunto de determinadas árvores


Eremita

 

"Não foi há muito tempo que a imprensa portuguesa apresentou os três altares-mores dos suicidas portugueses. São eles a Ponte D. Luís no Porto, o promontório da Nazaré e um conjunto de determinadas árvores do Alentejo, na zona de Sabóia. Pelos menos foi essa a análise dos psiquiatras Carlos Brás Saraiva, director da Consulta de Prevenção do Suicídio do Hospital Universitário de Coimbra, e de José Barrias, director do Centro Regional de Alcoologia do Porto. Brás Saraiva defendeu em Março último uma tese de doutoramento versando os para-suicídios (ou seja, as mortes tentadas). (...)


No entanto, é no Alentejo, que se regista a mais elevada taxa de suicídio do país - nomeadamente no concelho de Ourique. Aqui, são as azinheiras, vulgo chaparros, o local por excelência para a morte escolhida, em regra o enforcamento e, de um modo geral, as mesmas árvores.". Fonte

 

Sem dar grande atenção ao vanguardismo com que o último parágrafo está redigido (a pontuação e a circularidade do raciocínio - de resto,  inadmissíveis num bilhete suicida), é de louvar a nobreza do suicida ao escolher a azinheira, poupando assim o sobreiro, que pode continuar a ser mais um auxiliar de introspecção do que de enforcamento. Naturalmente, estes dados chocam com a idílica visão que os citadinos fazem da vida no campo. Leia-se este ridículo arranque de prosa, no Guardian:

 

It's official: move to the countryside and you live longer.

 

O problema do jornalismo é a incapacidade para lidar com conceitos subtis ou complexos. São poucas as classes profissionais que traçam o seu limiar de conhecimento em plena física quântica. São mais numerosas as que traçam essa linha perto das funções derivadas. Os jornalistas, como classe, estão a milhas dessas fronteiras e, para eles, "desvio-padrão" e "variância" são terra incognita. Pirâmides etárias? Uma cena dos egípcios. Há nisto uma grande irresponsabildiade. E se começam a chegar ingleses velhinhos a Sabóia? Que efeito terá nesses velhinhos os relatos dos suicídios locais? E a visão de um homem pendurado pelo pescoço no ramo de uma azinheira, mesmo que aligeirada pelo contra-luz de um poente? Enfim, só espero que lhes distribuam panfletos sobre como realizar um bom enforcamento à alentejana. Aliás, o mesmo se aplica aos ingleses que vierem gozar a reforma em Ourique. De Ourique a Sabóia, como se vê, é um tirinho.


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  • Anónimo

    :-))

  • Anónimo

    Não rola coisa nenhuma. Mas o Ouriquense é o Badoo...

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