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OURIQ

Um diário trasladado

OURIQ

Um diário trasladado

19
Abr20

Ensinamentos da discussão sobre o passaporte imunológico e o rastreamento digital


Eremita

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Giorgio Agamben e o texto Lo stato d’eccezione provocato da un’emergenza immotivata de 26 de Fevereiro de 2020 (aqui traduzido para inglês)

No momento em que escrevo, a COVID-19 só precisou de quatro meses para matar mais gente na Europa (>100 000) do que a gripe mata num ano (cerca de 70 000). Mesmo num país como a Itália, em que as mortes por gripe são elevadíssimas, a COVID-19 já é igualmente mortífera. Na Itália, como na Espanha e no Reino Unido, a COVID-19 continuará a matar centenas de pessoas por dia na próxima semana e daqui a uns tempos estes números serão todos revistos em alta, porque já se percebeu que muitas mortes devidas à COVID-19 não entram nas contagens oficiais, mas não é preciso esperar nem mais um dia para concluir que as equiparações iniciais à gripe envelheceram muito depressa e mal. Alguns terão embarcado nesta comparação por simples desconhecimento da evolução dos números durante uma pandemia, incorrendo no mesmo erro de Kaid, o rei da Índia que, ao querer recompensar o inventor do jogo de xadrez que acabara com o seu tédio, acabou falido por ter subestimado o pedido que este lhe fizera: "quero um grão de arroz na primeira casa do tabuleiro, dois grãos na segunda casa, quatro na terceira, e assim sucessivamente". Outros tê-lo-ão feito por paroquialismo, tomando em consideração apenas a situação vivida no seu país, ou puro oportunismo político, reagindo em função da antipatia  por quem ocupa o poder e tem de decidir. Outros ainda foram vítimas da inevitável propensão para reconhecer padrões, o que nos leva muitas vezes a encaixar a realidade nas nossas leituras e preconceitos. Estes casos foram os mais interessantes. 

Continua... Vai ficar demasiado longo e chato para o Ouriq. Talvez apareça noutro sítio daqui a uns dias. 

 

 

 

 

18
Abr20

COVID-19: a boa e as más notícias vindas da Califórnia


Eremita

These prevalence estimates represent a range between 48,000 and 81,000 people infected in Santa Clara County by early April, 50-85-fold more than the number of confirmed cases. Conclusions The population prevalence of SARS-CoV-2 antibodies in Santa Clara County implies that the infection is much more widespread than indicated by the number of confirmed cases. Population prevalence estimates can now be used to calibrate epidemic and mortality projections. Fonte

Este estudo serológico demonstra que a percentagem de infectados é muito superior aos números dos testes de diagnóstico. Só podia ser assim, porque estes números dependem do esforço de amostragem e só dão resultado positivo quando a pessoa tem uma infecção activa (uma vez curada, o teste diagnóstico para o RNA do vírus será negativo). A grande questão é saber qual a percentagem de imunização natural nas populações. Já tínhamos os 14% de imunizados de uma pequena povoação alemã. Agora, num estudo com mais amostras  e em que foi amostrada uma grande área urbana, concluiu-se que pode haver até 80 000 pessoas seropositivas para o SARS-CoV-2, ou seja, tendo em conta que que naquela área vivem 1 928 000 pessoas, a percentagem de seropositivos no princípio de Abril seria de  cerca no máximo 6%. Curiosamente, 6% é um número que bate certo com o de um outro estudo. A boa notícia é que vamos chegar aos 60% (imunidade de grupo) mais depressa do que se pensava. As más notícias são três: 1) se morreram mais de 100 000 pessoas para conseguirmos 10% de imunidade, um cálculo grosseiro diz-nos que morrerão mais de 600 000 mil até chegarmos aos 60%; 2) o cálculo é mesmo grosseiro, pois é praticamente impossível que em muitos dos mais populosos países a percentagem de seropositivos esteja nos 6%, tendo em conta o número oficial de mortos de COVID-19 nesses países; 3) tomando por comparação as outras doenças recentes provocadas por coronavírus, a imunidade destes seropositivos desaparece rapidamente. 

18
Abr20

Como se morre de COVID-19


Eremita

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Some clinicians suspect the driving force in many gravely ill patients’ downhill trajectories is a disastrous overreaction of the immune system known as a “cytokine storm,” which other viral infections are known to trigger. Cytokines are chemical signaling molecules that guide a healthy immune response; but in a cytokine storm, levels of certain cytokines soar far beyond what’s needed, and immune cells start to attack healthy tissues. Blood vessels leak, blood pressure drops, clots form, and catastrophic organ failure can ensue.

Some studies have shown elevated levels of these inflammation-inducing cytokines in the blood of hospitalized COVID-19 patients. “The real morbidity and mortality of this disease is probably driven by this out of proportion inflammatory response to the virus,” says Jamie Garfield, a pulmonologist who cares for COVID-19 patients at Temple University Hospital. Science

17
Abr20

499, 557, 525, 575...*


Eremita

“Probably most of the infections that have occurred since the lockdown have occurred within families,” Giovanni Rezza, a director of Italy’s top health body, the Superior Health Institute (ISS), told a news conference.

 

Nuclear physicist Paolo Branchini, who has been focusing on the trend of cases and deaths in Italy, told daily Corriere della Sera on Friday that the lockdown initially put a lid on infections but had now “exhausted its beneficial effect”.

Branchini said that because the main source of infections was now within families, the only way to reduce deaths and cases further was to put all people who tested positive in dedicated centres away from their relatives. Reuters

* Mortes devidas à COVID-19 nos últimos quatro dias. 

 

...

16
Abr20

Brian Dennehy (1938-2020)


Eremita

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Fonte

Brian Dennehy pertencia à classe de actores cuja cara e os papéis se instalam na memória muito mais depressa do que o nome. Lembro-me dele em First Blood, claro, mas sobretudo naquela que foi a minha melhor experiência de teatro durante os anos que vivi em Nova Iorque: A Long Day's Journey Into Night (2003), com um elenco que contava ainda com Vanessa Redgrave e Philip Seymour Hoffman. Teve uma belíssima carreira. Muito obrigado pelo cinema e o teatro. 

 

16
Abr20

O incrível Nuno Pacheco


Eremita

Sabem o que é o “impato” da pandemia? Ou a propriedade “inteletual”? Ou os “artefatos” que a PJ encontrou? Ou a “seção” do talho? Ou o “fato de não irem” sabe-se lá onde? Ou alguém ter ficado “estupefato” com alguma coisa? Se não sabem, deviam saber. São alguns dos recentes efeitos de um vírus que se instalou na escrita portuguesa (mas também na fala: esta semana, na televisão, alguém falou em “adetos” de um clube) e não há maneira de ser erradicado. Está um pouco por todo o lado, desde o oficialíssimo Diário da República aos jornais e à televisão.

(...)

Por cá, tudo o que se relaciona com infecções foi amputado de uma letra pelo velho vírus ortográfico (ou “ortogravírus”, como queiram) e passou a infetadoinfetadainfeciosoinfeçãoinfeçõesinfetouinfetardesinfeção

Nuno Pacheco

Eis mais um notável texto de Nuno Pacheco. Enquanto o número de epidemiologistas e cientistas políticos de sofá cresce exponencialmente, o nosso Nuno não desarma e mantém-se fiel à luta da sua vida: a revogação do acordo ortográfico (o AO90). Aprendamos todos com a resiliência de Nuno Pacheco. Se um dia a civilização ocidental entrar em colapso, nesse mundo hobbesiano regido pelo bellum omnium contra omnes, cheio de peste e perfídia, sabemos que alguém velará pela sobrevivência do "dígrafo CT".

14
Abr20

COVID-19: uma distinção fundamental


Eremita

Já critiquei severamente os negacionistas do achatamento. Mas isso não significa que concorde com o prolongamento do isolamento social ad aeternum (em rigor, até à vacina). A terrível crise económica vai matar muita gente. Só na OCDE, que junta muitos dos países com os melhores sistemas de saúde, a crise de 2008-10 terá matado de cancro até 2016 pelo menos 260 000 pessoas. Se a este número juntarmos as mortes por stress, depressão, má nutrição e criminalidade ou guerra, é mesmo muito provável que a cura mate mais do que a doença. Alguém tem de fazer esta aritmética e encontrar uma solução, que poderá ter de passar por soluções que em circunstâncias normais justificariam toda a desconfiança. Por aquilo que fizerem hoje, os políticos serão julgados pelos eleitores nas próximas eleições. Por aquilo que fizerem hoje, os políticos serão julgados pela História daqui a 10 anos. 

14
Abr20

A COVID-19 e as assimetrias de género


Eremita

Apanhei isto de ouvido, pode ser impreciso ou estatisticamente irrelevante, mas nas notícias sobre gente que desrespeita o Estado de emergência aparece sempre o namorado que não vê a namorada há dias e se mete no carro porque o sexo à distância não satisfaz q.b. Salvo erro, não apanharam ainda nenhuma mulher pondo em marcha um plano destes. Porquê? Porque o jornalista, por pudor, censura a divulgação destes casos? Porque as mulheres são mais espertas e não se deixam apanhar? Porque são mais respeitadoras da lei? Porque são menos empreendedoras? Porque têm menos libido? Podem desancar-me.

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