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OURIQ

Um diário trasladado

OURIQ

Um diário trasladado

29
Abr20

Dados sobre a pandemia


Eremita

Também há artigos no Observador sem ideologia, só dados. 

Para tirar lições da atual crise pandémica é fundamental investigar quais foram as políticas mais eficazes, o que requer uma larga base de dados e uma análise econométrica competente. Certamente que muitos papers serão publicados sobre este tema. Um grande número de especialistas defendeu uma política estrita de distanciamento social que obrigou ao lockdown das sociedades. Observando o Gráfico 6 verificamos que houve pouca variação desta política entre os países da União Europeia. Um problema adicional é que quanto maior for a taxa de infeção em geral maior será a propensão para o respetivo governo aplicar uma política mais restritiva. Ou seja, é uma variável endógena*. Se olharmos para o gráfico verificamos que os 6 países com restrições mais altas têm taxas relativamente baixas de infeções e mortes. Mas já França, o sétimo, tem taxas relativamente elevadas. E entre os países com mais baixas restrições, encontramos a Dinamarca e Suécia que não estão entre os países com taxas de infeção e mortes baixas, mas o 3º país, Letónia já tem uma taxa baixa.

Uma outra variável que tem surgido na imprensa como importante é a obrigatoriedade de vacinação contra a tuberculose, ou BCG. Esta variável tem sido sugerida como explicando uma grande parte do êxito da Europa de Leste na crise epidémica, pois os antigos países da orla da União Soviética obrigavam à vacinação das crianças. A mesma variável explica porque é que os Estados da antiga Alemanha de Leste têm menos infetados e mortes dos que os da antiga Alemanha Federal. O mesmo na diferenciação de Portugal em relação à Espanha. De facto, uma regressão preliminar mostra que este fator tem um elevado grau de explicação na taxa de infeções.

Outros fatores que devem ser investigados são a contribuição de minorias mais vulneráveis, como os negros e índios nos Estados americanos, ou dos Chineses na Lombardia (várias fontes indicam a presença de cerca de 200 mil chineses na indústria têxtil italiana), ou de minorias de imigrantes em determinados países; a taxa de envelhecimento da população e a sua situação de saúde, dada a grande incidência nos grupos mais idosos. Abel Mateus

* Este facto, o paradoxo da prevenção e o viés ideológico eternizam uma discussão que deveria gerar rapidamente um consenso alargado entre pessoas informadas. 

27
Abr20

The “prevention paradox”


Eremita

Q: Germany will start to lift its lockdown gradually from Monday. What happens next?
A: At the moment, we are seeing half-empty ICUs in Germany. This is because we started diagnostics early and on a broad scale, and we stopped the epidemic – that is, we brought the reproduction number [a key measure of the spread of the virus] below 1. Now, what I call the “prevention paradox” has set in. People are claiming we over-reacted, there is political and economic pressure to return to normal. The federal plan is to lift lockdown slightly, but because the German states, or Länder, set their own rules, I fear we’re going to see a lot of creativity in the interpretation of that plan. I worry that the reproduction number will start to climb again, and we will have a second wave.

Q: What keeps you awake at night?
A:
 In Germany, people see that the hospitals are not overwhelmed, and they don’t understand why their shops have to shut. They only look at what’s happening here, not at the situation in, say, New York or Spain. This is the prevention paradox, and for many Germans I’m the evil guy who is crippling the economy. I get death threats, which I pass on to the police. More worrying to me are the other emails, the ones from people who say they have three kids and they’re worried about the future. It’s not my fault, but those ones keep me awake at night. The Guardian

 

 

26
Abr20

Quantas mortes de COVID-19 em Itália?


Eremita

Infelizmente, este estudo não cobre o mês de Abril. Mas a acreditar nos autores, aos 7503 de mortos até 25 de Março de 2020 temos de somar entre cinco mil e sete mil e quinhentos. Mesmo admitindo que a partir de 25 de Março as mortes deixaram de estar subestimadas (e não há nenhuma boa razão para o fazer), até 25 de Abril de 2020 morreram de COVID-19 na Itália pelo menos trinta e uma mil pessoas. Apesar de um confinamento social como não há memória viva, a COVID-19 já matou mais do que a gripe mata num ano na Itália, um país onde se morre muito de gripe. E não só ainda morrem centenas por dia de COVID-19, como ninguém adivinha a evolução dos números já nas próximas semanas, com o fim do confinamento, e depois do Verão, com a chegada do frio.

 

Screenshot 2020-04-26 at 23.02.52.png

Figure 2 compares the official daily number of COVID-19 fatalities (dashed blue line) with the excess deaths in 2020 relative 2016, as recorded in municipal death registry data (solid red line). Excess deaths were higher than official fatalities throughout the period, except for the last two days. That is striking as death registry data are only available for about half of the population while official death data refer to the entire population, and it suggests that deaths attributable to COVID-19 might have been vastly underreported in official statistics. 

What is the scale of underreporting? The difference between excess deaths and official fatalities gives us a lower bound – at a minimum, true deaths were about two thirds larger than what reported in official statistics. But since death registry data cover less than 50% of the population of the regions in the sample, underreporting is likely to be larger. A back-of-the-envelope calculation suggests that true deaths induced by COVID-19 might be about twice as high as officially reported. Fonte

26
Abr20

In Veneto veritas


Eremita

À atenção do André Dias, Henrique Pereira Santos e Cristina Miranda:

 

Screenshot 2020-04-26 at 22.56.40.png

The Veneto region has been widely praised for its timely and proactive response to the pandemic. Much has been written about the ‘Veneto Model’ (Cedrone 2020, Zanini 2020, Zingales 2020), and we only summarize its main characteristics: (1) mass testing, including testing of mildly symptomatic cases; (2) at-home testing and care provision; and (3) tracing and quarantining contacts. Both ramping up the testing capacity and developing a comprehensive tracking system have been recognized as essential elements to coping with the epidemic (Baldwin 2020, Panizza 2020). Testing and providing care at home works towards preventing the spread of the virus. Fonte

 

24
Abr20

Bárbara Reis 1 Bacelar Gouveia 0


Eremita

O mesmo para a ideia de “religião negativa”, típica dos que não concebem um mundo sem Deus. É curioso como tantos religiosos tentam convencer os ateus a abraçar uma religião. Não me lembro de ver ateus a fazer proselitismo da negação de Deus. Não há templos do ateísmo, rituais do ateísmo, feriados para celebrar o ateísmo, marchas de ateus, televisões de ateus, grupos para convencer adolescentes a serem ateus. Ao contrário dos religiosos, os ateus simplesmente são. Já agora, também achei graça ler a frase “se é mesmo ateia”. Um clássico. Porque é que os crentes põem sempre em causa a descrença? Teria algum sentido perguntar: será que Bacelar Gouveia é mesmo católico? Bárbarta Reis

Em rigor, Bárbara Reis não tem razão. Entre nós, a Festa do Avante é um ritual do ateísmo e temos a Associação Ateísta Portuguesa e a maçonaria, mas o peso do catolicismo na nossa História, cultura e sociedade actual ainda é avassalador. Enfim, já tinha saudades destes arrufos entre católicos e ateus. E assistimos mais uma vez a um paradoxo curioso: sempre que um constitucionalista (ateu ou católico) leva uma marretada, a Constituição sai reforçada.  

 

22
Abr20

Quem melhor critica os epidemiologistas?


Eremita

Outros epidemiologistas: 

The IHME projections are based not on transmission dynamics but on a statistical model with no epidemiologic basis. Specifically, the model used reported worldwide COVID-19 deaths and extrapolated similar patterns in mortality growth curves to forecast expected deaths. The technique uses mortality data, which are generally more reliable than testing-dependent confirmed case counts. Outputs suggest precise estimates (albeit with uncertainty bounds) for all regions until the epidemic ends. This appearance of certainty is seductive when the world is desperate to know what lies ahead. However, the underlying data and statistical model must be interpreted cautiously. Here, we raise concerns about the validity and usefulness of the projections for policymakers. Annals of Internal Medicine

 

 

20
Abr20

Back to basics


Eremita

Como os vírus das doenças pulmonares têm de passar um tempo fora dos pulmões entre o infectado anterior e o novo hospedeiro, as suas probabilidades de sucesso são muito reduzidas e isso implica que para que exista progressão rápida, como nas fases iniciais da infecção, tem de haver uma grande continuidade das cadeias de contágio.

É essa característica que faz com que este tipo de infecções tenham um padrão típico de expansão rápida de duas a três semanas, atinjam um pico, e depois tenham duas ou três semanas de descida até ao seu fim.

Ao ter 14% da população infectada, a continuidade das cadeias de contágio é muito má, e o surto morre. Henrique Pereira Santos

Terão os leitores noção de que esta passagem revela uma ignorância grotesca? Tendo em conta este lixo e outros, recomendo vivamente um artigo claríssimo com rudimentos de epidemiologia

20
Abr20

Um génio no Corta-Fitas


Eremita

Henrique Pereira Santos (HPS) tem vindo a escrever uma longa série de textos em que desvaloriza o perigo que o SARS-CoV-2 representa. Apesar de andar nos blogs há quase duas décadas e de já ter discutido temas que dão para a maluquice, como o aborto, as medicinas alternativas e José Sócrates, não me lembro de ver uma combinação tão desesperante de bazófia, ignorância, manipulação grosseira de dados, precipitação na análise e negacionismo. HPS despreza os modelos dos epidemiologistas, que trata abaixo de economista circa 2008-2010, mas não percebe nada de epidemiologia, o que não o impediu de se apresentar como um iluminado que tem razão antes do tempo, indo buscar a citação do costume de Einstein (sempre a mesma, esta gente não inova). Infelizmente, é muito difícil dar com o seu génio, pois ele não entende a imunidade de grupo e soma o número de mortes da pneumonia e gripe para mostrar que a COVID-19 mata menos do que a gripe. Há muitos anos que os vírus alimentam discussões sobre o que é um ser vivo, mas HPS sobe a discussão de nível. Para ele, os vírus são entidades místicas que desaparecem das populações sem se saber como, formando aquelas curvas gaussianas de simetria quase perfeita que caracterizam os picos de gripe. Outra das teses bizarras de HPS é a de que o isolamento social e o rastreamento não têm qualquer efeito na progressão de uma doença infecciosa. As diferentes curvas de cada país seriam o resultado da evolução natural da doença. Perante o peso da evidência contrária a esta tese absurda, HPS recuou um pouco e passou a "admitir" algum achatamento das curvas devido às medidas postas em prática, mas o seu egocentrismo não lhe permite assumir claramente os erros, pelo que continua a insistir na sua tese. O exemplo mais recente é esta citação:

Sendo agora bastante sólida a ideia de que a infecção se espalha mais, mais rapidamente e de forma mais silenciosa do que pensamos, é MAIS que EVIDENTE  que o MITO [destaques meus] do controlo da infecção pela ditadura chinesa através da sua mão-de-ferro é mesmo apenas isso, um mito. HPS

A China teve um comportamento criminoso pelo modo como escondeu a doença. É muito provável que os números de mortos que apresenta estejam subestimados. Segundo a Radio Free Asia, terão morrido em Wuhan 46800 pessoas e não 2500 (o valor oficial foi entretanto actualizado e corrigido para 3869). Mas HPS não se refere a esta possibilidade, nem podia, porque isso seria reconhecer que a COVID-19 não matou já 165 mil, mas 200 mil em todo o mundo. A sua tese é a de que nem as medidas draconianas de uma autocracia ultra-eficiente como a China chegariam para parar um vírus que se "espalha mais, mais rapidamente e de forma mais silenciosa do que pensamos". Esta combinação de certeza com ausência de evidência é assustadora. E os aplausos que HPS recebe dos seus fãs são uma demonstração da iliteracia científica da pátria.

Para HPS, o vírus desapareceu da China por artes mágicas. Nos EUA, um país com 327 milhões de habitantes e separado da China por dois continentes e dois oceanos, morreram 40 mil pessoas de COVID-19. Na China, um país com quase 1,4 bilhões de habitantes e onde o SARS-CoV-2 surgiu, o vírus matou o mesmo número de pessoas (ou menos). Como desapareceu tão depressa da China? Será porque os Chineses têm polimorfismos protectores no ACE2, o receptor que o vírus usa para entrar nas nossas células? Será das propriedades profilácticas do arroz ainda por descobrir? Será por causa da poluição atmosférica? Será que o vírus desapareceu entretanto porque se terá cansado?

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