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OURIQ

Um diário trasladado

OURIQ

Um diário trasladado

28
Ago19

Amigo


Eremita

A minha heterossexualidade é pontuada por instantes homo-eróticos que invariavelmente coincidem com a contemplação da arte de tocar deste homem.

 

23
Ago19

Pilinhas e pipis


Eremita

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A dois tempos (I e II), o Observador faz a gestão de danos provocados pela sempre-católica-mas-nem-sempre-cristã Laurinda Alves e o "democrata-cristão" Filipe Anacoreta Correia, expondo ainda as aldrabices que a jornalista Helena Matos, o excitável Vitor Cunha, "Chicão" (o líder dos jovens centristas) e Miguel Morgado and friends andam a promover a propósito de um despacho que estabelece o direito à autodeterminação da identidade de género e expressão de género nas escolas. O combate ideológico no plano dos costumes parece ser o que resta neste momento a uma direita sem rumo, mas creio que ou fizeram mal as contas (pois a sociedade está mesmo a mudar) ou estão preocupados com ganhos pessoais paroquiais e efémeros. Sobra ainda a hipótese da tara obsessiva, pois Helena Matos chega a falar em "KGB do género", uma coisa "tenebrosa" e  "Estado totalitário". A senhora não terá amigos que a aconselhem a não fazer figuras ridiculas?

22
Ago19

Jóia de Família


Eremita

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Para viver além da culpa era preciso uma fortaleza que se alimentava de um só propósito: ir subindo na escala humana até atingir um lugar que lhe parecesse digno dela. Chegou a perceber porque a mãe não a amava, ainda que se esforçasse por isso. Era porque a via sempre desprendida do que era próprio para atingir outro estado, que, não sendo de perfeição, considerava conforme o seu dever mais profundo. Deixava a antiga pele com atroz frieza e, com ela, a dedicação dos outros por essa roupagem da sua alma. Agustina Bessa-Luís, Jóia de Família 

Falta a Jóia de Família (Agustina Bessa-Luís, 2001) o vigor, misticismo, originalidade e exuberância lexical de A Sibila (ABL, 1954). A intromissão da criminalidade na vida burguesa é tratada de forma preguiçosa e perde na comparação óbvia com o magnífico O Delfim, de Cardoso Pires. A narrativa arrasta-se, só acelerando na parte final, talvez um sinal de que também a escritora se aborreceu enquanto escrevia, mas até os útlimos capítulos falham, pois a entrada de um inspector da polícia numa história de personagens sem culpa ou remorso sabe a Dostoiévski descafeinado. Sobram os aforismos da narradora, aquela personagem feminina recorrente que existe para veicular as boutades de Agustina em discurso directo, as leis sociais sem grande fundamento mas com o irresistível apelo de uma convicção insondável. Talvez seja suficiente, sobretudo se não pensar nas horas de leitura que me sobram. Como faz parte de uma trilogia, sinto-me agora obrigado a ler os outros dois romances, i.e. A Alma dos Ricos (2002) e O Princípio da Incerteza (2003) — é surpreendente como ainda me deixo apanhar por estas manhas das editoras. Mas antes que as férias acabem conto terminar outras leituras que iniciei há muito tempo, como Sérotonine, do Houllebecq, e Infinite Jest, do Foster Wallace, que ando a ler vai para uma década. Sempre desconfiei daqueles que iniciam leituras durante as férias. 

20
Ago19

There will be punches


Eremita

Não sei se repararam, mas Diogo Vaz Pinto continua a socar a atmosfera e a prometer porrada. É como se a testosterona ganhasse consciência e procurasse um sentido para a existência. O Diogo queixa-se dos poetas para quem o verso é uma excrescência do ego, sem chegar a denunciar qualquer perplexidade quanto à hipótese remota de a sua crítica feroz e gongórica poder ser também a manifestação de um ego gigantesco. David Foster Wallace tinha uma noção de si mesmo mais aguda, o que nem sempre é bom para a saúde mas garante alguma paz social. 

16
Ago19

A greve dos camionistas


Eremita

[Escrito a 16.8.2019, com adendas a 18.8 e 21.8]

O melhor artigo que li sobre o tema é de Raquel Varela, no Público:

A leitura de um parecer da PGR pelo ministro em directo, confessadamente feito em tempo recorde e usado para impedir o exercício da greve, sem ter tido contraditório, é um traço da bonapartização do regime. Com base neste parecer, desconhecido de nós, o ministro explicou que greve é quando o Governo quiser, como quiser. Greve é permitida se não puser em causa a produção... Como?! As greves são feitas para parar a produção! Essa é a razão de ser de uma greve. Os serviços mínimos só podem ser aplicados a emergências, e aí devem ser escrupulosamente respeitados. Mas nada além disso.

Há duas décadas, estes trabalhadores trabalhavam numa empresa pública chamada Galp, oito horas por dia e ganhavam o equivalente hoje a 1400 euros, dois salários mínimos e meio. Agora trabalham para PMEs que são subcontratadas das petrolíferas, que fixam um preço por quilómetro abaixo do custo real (alegadamente cartelizado). A Galp anunciou para este ano 109 milhões de euros de lucro.

(...)

O Estado considera tabu nacionalizar a Galp, mas normal contribuir para este caos empresarial flexibilizando a lei laboral. Mas faz mais – substitui as políticas de pleno emprego pelas políticas de desemprego. E é aqui que os sindicatos em geral e os partidos de esquerda são complacentes. Porque ninguém vive com 600 nem com 700 euros.

Ao baixo salário junta-se a electricidade subsidiada, a renda social, o subsídio social de desemprego, a cantina gratuita para os filhos, a isenção de taxas moderadoras, enfim, uma panóplia assistencial focalizada (e não universal), onde os sectores médios pagam cada vez mais impostos, e as grandes empresas cada vez menos. Em vez de um Estado social universal (para todos) baseado em impostos progressivos, temos um Estado assistencial focalizado (para trabalhadores pobres) sustentado por impostos regressivos. Ou seja, os sectores médios financiam as empresas pagando a assistência dos trabalhadores mal pagos. Para além da injustiça fiscal, as consequências mais graves do assistencialismo são outras, são políticas: a infantilização da população dependente desta assistência que não conhece os seus direitos, mas vive de mão estendida ao Estado, de forma passiva, submissa, a provar a sua “pobreza”. 

 

Adenda a 18.8.2019: a Fectrans respondeu a Raquel Varela. A resposta tem uma das piores aberturas que li até hoje, ao insistir num pormenor que só será importante num burocrata com décadas de sindicalismo: "O texto [de Varela] começa com uma calúnia onde fica patente que R.V. não faz sequer ideia do que fala: “A Fectrans, dirigida maioritariamente pela CGTP, está eleitoralmente comprometida com o apoio ao Governo actual.” É que a Fectrans é uma Federação da CGTP-IN, faz parte da CGTP-IN. São os sindicatos que se organizam na CGTP-IN, e que se organizam nas suas Federações e Uniões."

Adenda a 21.8.2019: 

Em 13 anos, o peso do rendimento dos trabalhadores na economia nacional caiu 17%. Ao mesmo tempo que se flexibilizava o mercado de trabalho, permitia-se que a falta de concorrência entre empresas fosse a regra em vários sectores, criando uma economia rentista e deixando os trabalhadores à sua mercê.

Depois de termos visto o governo socialista, suportado por toda a esquerda parlamentar, capitular no combate às rendas excessivas — dizendo que há ganhos excessivos para a EDP e renováveis mas que não os vai cortar —, vemo-lo a colocar-se contra os trabalhadores e usando a força repressiva do Estado para alistar trabalhadores à causa dos empregadores, recorrendo a leis pré-constitucionais mais adequadas a situações de emergência. Fê-lo para que a greve perdesse todo e qualquer efeito, desarmando assim os motoristas. Luís Aguiar-Conraria, Público

 

05
Ago19

Sportinguista q.b.


Eremita

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Dedicado ao meu irmão 

A tortura permite avaliar com inigualável rigor aquilo que realmente importa. Ontem, resisti até ao segundo golo do Benfica, mudando a seguir de canal para me alienar diante de uma espécie de Jogos Sem Fronteiras à americana chamado American Ninja Warriors. Assim se prova que o meu sportinguismo não vale um chavo. Em minha defesa, apenas posso prometer que o meu instinto de justiça chegará para me lembrar destas desistências nos momentos de derrota se o Sporting vencer algum título importante, ou seja, nesse hipotético dia espero comemorar apenas com moderação pois a mais não terei direito. Apesar do adepto Benfiquista, essa criatura mimada, sei que o clubismo é um investimento emocional de soma zero ou negativa, e como aprendi a poupar nas desilusões com o Sporting, mesmo duas décadas não chegaram para acumular um saldo que dê para grandes euforias. Mas o que realmente me tira o sono, tal o receio de envergonhar as miúdas e o nome, é a possibilidade de não me comportar com outra tenacidade quando for outra a tortura. É a dúvida que persiste em quem nunca foi posto à prova e já viu documentários: falarias ou não?

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