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OURIQ

Um diário trasladado

OURIQ

Um diário trasladado

18
Jun19

Ajudar Miguel Duarte


Eremita

Este rapaz pode ser condenado a 20 anos de prisão por ter evitado afogamentos no Mediterrâneo. Se o quiserem ajudar, há uma campanha de recolha de fundos. A hashtag #EuFariaoMesmo está errada. Miguel Duarte, como quase todos nós, indignou-se com a crise dos refugiados mas, como quase ninguém, arregaçou as mangas e foi para o mar salvar vidas. 

Alguns compatriotas, nos comentários ao vídeo no Youtube, dizem que a acusação a Miguel Duarte é justa, pois infringiu a lei. Prova-se que somos um povo pouco talhado para a desobediência civil ou — se preferirem— que somos uma boa merda de povo. Até ver, as elites estão no chamado compasso de espera. Aqui de Ourique, continuaremos atentos. 

 

18
Jun19

As ideias de Pedro Duarte


Eremita

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1) sustentar as políticas públicas na felicidade e bem-estar; 2) valorizar o ambiente; 3) dar prioridade à ética e confiança nas instituições públicas; 4) enfrentar a pobreza; 5) combater as desigualdades; 6) garantir cuidados de saúde; 7) qualificar com cultura e educação; 8) contrariar a tendência demográfica; 9) crescer pela digitalização e produtividade; e 10) controlar a dívida pública. No Público

Tenho visto Pedro Duarte na televisão. Como comentador é absolutamente banal, como banal é este seu  "programa de governo". Só se esqueceram de lá enfiar o mar como desígnio. 

17
Jun19

Vangelis no subúrbio (21)


Eremita

bola velha.jpg

A janela do quarto escancarada, a persiana corrida pela metade e a aparelhagem puxada ao limite, debitando música para a rua, eis uma circunstância tipicamente suburbana. Só que jogar ao som dos Joy Division dava-nos pouco alento. Não perseguíamos os passes em profundidade. Com os Iron Maiden ficávamos frenéticos e violentos. Uma vez alguém pôs os Smiths, mas aí interrompemos a partida para poder ouvi-los melhor, sentados na relva. Foram acontecimentos episódicos. Até que surgiu G., um cinéfilo incipiente que se mudara para o nosso prédio. G. tinha um plano: gorducho e feioso, queria chegar ao estilo aristocrático do Ardiles e não olhava a meios. Deslumbrado com o Fuga para a Vitória, acreditou que o futebol podia transformar-se com uma banda sonora. Foi então que durante meses aturámos a experimentação do moço. Da nona às cantatas de Bach, passando pelos violinos de Smetana, a discoteca do pai de G. – melómano e erudito – foi passada a pente fino, até ao dia em que G. pôs um vinil de  Schönberg a tocar e antes de chegar ao campo já lhe tínhamos partido o vidro da sua janela como retaliação; não havia dodecafonistas nos Olivais Sul. Mas nem isso o demoveu. A finta de um Ardiles imenso na escuridão do cinema Império perseguia-o. Seria também no cinema que G. encontrou a solução, enquanto via o Chariots of Fire. Praticar desporto ao som de Vangelis é kitsch, dirá o leitor. Ouvir Vangelis é kitsch, atalhará. Impõe-se um ponto de ordem: há uma cinematografia que sobrevive da exploração do prazer inconfessável que é vibrar pelas vítimas, mártires e heróis. Vangelis é a expressão acústica dessa trafulhice, mas com o mérito de prolongar o êxtase transitório que tende a coincidir com o momento em que o protagonista dá a volta ao seu destino. Quando G. colocou a banda sonora de Chariots of Fire, passámos todos a levitar, como se voássemos baixinho – se me é permitido roubar esta expressão. O tempo desacelerou, os nossos gestos tornaram-se grandiosos e vistos em câmara lenta, como se estivéssemos a ser imortalizados em tempo real. G. galgou os lances de escada e quando saiu do prédio percebeu que tinha acertado. Antes de entrar no campo, despiu a sweatshirt com algum dramatismo, revelando a sua camisola listada a azul-celeste e branco. Foi como Osvaldo Ardiles que deu o primeiro pontapé. O sonho durou dois dias, até o pai lhe ter proibido o Vangelis no hi fi topo de gama.

16
Jun19

Antonio Rey em Moscovo


Eremita

Ouriq[uense], desde 20078 a aborrecer leitores com guitarristas flamencos. 

 

PS. Na verdade, ultimamente tenho ouvido Michel Berger e Keane em loop, mas não posso pô-los aqui, tenho uma imagem a defender.

16
Jun19

Sobre as alterações climáticas


Eremita

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fonte

Não devem ser mil as pessoas neste mundo com conhecimentos de climatologia suficientes para avaliar de forma objectiva e independente a origem e evolução das alterações climáticas, mas toda a gente tem uma opinião aparentemente informada. Este milagre consegue-se trocando o nível da discussão em que seria preciso saber Física e investir uma carreira inteira no tópico pelo nível da sociologia de café em que parece bastar a ideologia política e a intuição de cada um sobre a natureza humana. Como se isto não fosse suficientemente trágico, nunca como neste tema a convicção e a ignorância estiveram tão fortemente correlacionadas. A coisa repete-se: "the worst are full of passionate intensity". Mas também há os espertalhões. Veja-se o comportamento de Helena Matos, por exemplo, que no Blasfémias é uma céptica engraçadista sobre as alterações climáticas, porque nos blogs temos de ser irreverentes, e na televisão, diante de um especialista, toda ela é  sensatez.

 

 

15
Jun19

Restaurando a melanina de Machado de Assis


Eremita

 

 

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“Machado de Assis was basically turned into a blond guy with blue eyes,” said José Vicente, the founder and director of the University Zumbi dos Palmares, named for the 17th-century leader of a Brazilian slave rebellion. NYT

Curiosamente, Jesus, a ter existido, também se pode queixar do mesmo. No pouco que dele li, o grande Machado de Assis sempre me pareceu um autor pós-racial avant la letre, o que torna esta re-racialização ainda mais fascinante. Mas o que eu queria mesmo era ler três páginas em letra miúda sobre este assunto escritas por Abel Barros Baptista

 

15
Jun19

A geração seguinte é uma avalanche


Eremita

Screen Shot 2019-06-15 at 07.52.29.png

fonte

Uma das diversões que os comentadores ubíquos permitem é a comparação da sua qualidade no registo oral e na escrita. Muitas vezes, na mesma semana, Daniel Oliveira, Adão e Silva, Marques Lopes e Pacheco Pereira, entre outros, põem no papel o que disseram na televisão. Ou vice-versa. Em rigor, trata-se de um autoplágio; pelo mesmo pensamento, recebem a dobrar (do jornal e da estação de televisão), mas esta é uma mesquinhice que só ocorrerá a quem está sempre à rasca e gosto de imaginar como o perpetuamente indigente Luiz Pacheco teria tratado esta malta.  

 

A seguinte citação de Pacheco Pereira é a versão escrita do que disse na Circulatura do Quadrado. Dou-lhe novamente razão. Aliás, Vasco Pulido Valente escreveu essencialmente o mesmo (a propósito do absurdo que é pedir a políticos causas em que acreditar). Pouco elegante foi terem coincidido no snobismo de não nomear o alvo, que obviamente é João Miguel Tavares. Percebe-se. Seria como atirar uma pazada de neve para trás enquanto se foge da avalanche. Lembro as memoráveis palavras de Seinfeld falando sobre bebés: "they are here to replace us". Por outro lado, é revigorante reconhecer um instinto de sobrevivência naqueles que são mais velhos do que nós. 

Voltemos à democracia. As democracias não tem causas teleológicas, nem “desígnios”, nem “políticas de espírito”, nem “objectivos consensuais”, porque a essência da democracia é a diferença: pessoas que pensam diferente, que se organizam em partes, com visões do mundo distintas, expressando interesses diferentes. Não partilham “desígnios”, nem “sentidos comuns”, nem mesmo, citando Cavaco e Silva, tendo a mesma informação chegam a conclusões comuns. As democracias não são regimes científicos, nem naturais, são artificiais e culturais.

As democracias só têm duas regras, a soberania popular expressa pelo voto, e o primado da lei. O seu programa único é o bem comum, o bem de todos, homens, mulheres, adultos, crianças, jovens, negros e brancos, católicos e budistas, desde o primeiro dia até aos cem anos. As democracias não são providenciais nem religiosas, não acham que os homens na terra estão a fazer uma prova para serem julgados e enviados ou para o Paraíso ou para o Inferno. São regimes laicos e do presente, o bem comum é para os que estão vivos e para quando estão vivos.

Sobre o que é esse bem comum, cada “parte” tem um entendimento diferente, muitas vezes conflitual, quanto ao que isso significa e como lá se chega. Por isso os “consensos”, para além das diferenças, dos partidos, das políticas e das ideologias, são uma anomalia ambígua, por muito que também haja uma “consensomania”, que vem de 48 anos de anátema sobre a política, que os considera momentos altos da vida cívica. Seria tão bom entendermo-nos todos? Não em democracia. Pacheco Pereira, Público

14
Jun19

Guerrilha de género ou gralha dupla?


Eremita

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Mas o maior problema nem é a dimensão ou frequência das intervenções. É mesmo a falta de transparência do processo e de estudos que convençam as portuguesas e os portugueses de que todo este dinheiro não foi utilizado em vão. Nos Estados Unidos, o Troubled Asset Relief Program, lançado em 2008 no calor da crise financeira, tem direito a uma extensa cobertura no site do Tesouro Americano, onde qualquer pessoa interessada encontra detalhes sobre os montantes injetados nos diferentes sectores da economia, acompanhados de estudos sobre o programa. E até relatórios – sente-se, cara leitora, que esta vai doer! – mensais acerca da evolução do TARP. Leu bem: a cada 30 dias, o Tesouro presta contas sobre o dinheiro dos contribuintes. É com este nível de exigência em mente que temos de avaliar as amnésias de Constâncio e de outros que foram desfilando pelas comissões de inquérito do nosso descontentamento. Susana Peralta, Público

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