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OURIQ

Um diário trasladado

OURIQ

Um diário trasladado

18
Mai18

Uma das grandes questões do nosso tempo*


Vasco M. Barreto

A lei faz uma ponderação entre os interesses e direitos do filho a saber quem é o pai e os interesses do pretenso pai e da sua família em não serem incomodados – emocional e patrimonialmente – e considera equilibrado que, durante dez anos, o filho adulto possa incomodar e findos esses dez anos deixe de poder incomodar. O STJ, pelo seu lado, considerou que os interesses e direitos do filho são de valor de tal modo superior aos interesses e direitos do pretenso pai e da sua família legal que estes não podem estabelecer limites temporais ao exercício daqueles. Para o STJ, qualquer cidadão português que não tenha legalmente estabelecida a sua paternidade pode sempre procurar estabelecê-la.

 

Para o Tribunal Constitucional (TC) a tarefa não vai ser fácil: na verdade, este tribunal já se pronunciou mais do que uma vez sobre este assunto e já disse que considera razoável constitucionalmente o limite dos dez anos e alterar a sua jurisprudência não é evidente, antes sendo habitual a sua confirmação. E, no entanto, os tempos e os costumes vão evoluindo.

Acresce que o TC, numa recente decisão, considerou inconstitucionais algumas disposições da lei da Procriação Medicamente Assistida (PMA), entre elas a que assegurava o anonimato do doador de material genético com vista a possibilitar a fecundação da mulher. Considerou o TC tal disposição inconstitucional por violar dos direitos à identidade pessoal e ao desenvolvimento da personalidade dos cidadãos nascidos através da PMA, por configurar uma restrição desnecessária desses direitos, menosprezando, assim, os direito e interesses dos doadores. Francisco Teixeira da Mota

 

Tudo isto é fascinante, incluindo a ausência de revisão com que são publicados os artigos na imprensa de referência. 

 

* Que não entusiasmam ninguém. 

18
Mai18

Irmão,

O teu último email deixou-me preocupado. Disseste-me que os teus amigos da vila te criticaram por te dares comigo, um tipo que trocou Ourique por Israel. Para eles, Israel é como a "Alemanha nazi" ou o regime sul-africano do Apartheid. E tu nem tens os meus laços de sangue ao povo Judeu; para os teus amigos de esquerda, o teu filo-semitismo só pode radicar no pensamento político de direita. Como podes ser amigo de alguém que decidiu viver uns tempos num país que fez "a maior prisão a céu aberto do mundo"? Não adianta recordar que Cuba tem uma área 3 vezes superior à da Faixa de Gaza, porque beber um mojito em Havana foi e será sempre turismo, enquanto visitar Jerusalém nunca deixará de ser fascismo. Não adianta lembrar que Gaza também tem fronteira com o Egipto e que os países árabes usam os Palestinianos como carne para canhão. Não adianta sequer sugerir que o radicalismo do judeus ortodoxos é a face espelhada da indústria do martírio empreendida pelo Hamas, porque o Hamas faz "trabalho social" e para um esquerdista isso basta para o legitimar. Não adianta perguntar-lhes se a mãe palestiniana de um rapaz morto pelo exército israelita tem mais direito ao sofrimento do que o escritor David Grossman, cujo filho Uri morreu a lutar na guerra de 2006 entre Israel e o Líbano, nem explicar-lhes que tentas compensar o desconhecimento dos nomes dos palestianos com uma dose reforçada de empatia e nem assim encontras diferença no sofrimento desta mãe e deste pai. Não adianta, porque encontrar quem acusar é a forma mais simples de nos livramos de argumentos contraditórios.

 

Um dia alguém reconhecerá a força dos moderados que não cedem ao encanto das posições extremistas, mas não esperes nunca ver o teu rosto estampado numa T-shirt. Aqui em Tel Aviv, penso em ti ao cair do dia, enquanto contemplo o Mediterrâneo revolto e procuro alguma sincronia entre os movimentos ao vento da bandeira arco-íris dos LGBT e os quebrantos do chamamento do mulá, deixando-me embalar numa ilusão de cosmopolitismo pacífico. 

 

Abraço-te, eremita

PS: esta noite sonhei que o Estado Judaico tinha sido erguido a partir das ruínas de Dresden, logo a seguir à Segunda Grande Guerra e que hoje fazia fronteira com a Alemanha, a Polónia e a República Checa. Um Estado assente nos remorsos dos alemães e dos ocidentais. Retrospectivamente, parece-me que teria sido uma solução menos sangrenta do que a actual e um uso mais avisado desse instrumento tão poderoso que é a culpa, que agora anda ao Deus-dará. 

17
Mai18

Daniel Oliveira: Perguntar não ofende


Eremita

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Descontando os humoristas (Unas, Nogueira, Markl, Pedro Teixeira da Mota...), creio que Daniel Oliveira é a primeira figura pública a criar um podcast. Os convidados dos primeiros três programas formam um elenco de luxo: António Costa, Catarina Martins e Ricardo Araújo Pereira. A direita escusa de espernear. Perguntar não ofende é uma iniciativa privada. Se querem equilíbrio, mexam-se.

A conversa com o RAP é sobre o "politicamente correcto", o humor, enfim, o costume. Comecei a ouvir e ainda não acabei. Para já, é surpreendente ouvir RAP a inventar o verbo "caricaturizar" (apercebeu-se do erro, refira-se), sendo ele um profissional da arte de caricaturar que tem tanto cuidado com a língua, mas espero acrescentar um comentário mais substancial a esta conversa. 

 

Ampulheta

 

Ouvi entretanto o resto da conversa, obviamente em multitasking porque aqui no montado também respeitamos o horário de expediente. Já escrevi em tempos sobre o policiamento da linguagem e critiquei a posição de RAP. Curiosamente, apesar de RAP parecer ridículo quando se queixa (mesmo na forma de piada) de ser homem nos dias que correm, creio que ao longo da conversa me fui encontrando num lugar equidistante das posições do humorista (que milita contra o politicamente correcto) e de Daniel Oliveira (que tem uma posição "sensata" sobre o politicamente correcto). Tenho é alguma dificuldade em destilar uma posição, pois cada caso parece ir apresentando dificuldades diferentes. Ainda voltarei ao assunto, mas quem ouvir a conversa e chegar ao exemplo do "mongolismo" versus trissomia 21 não deve comer gato por lebre, pois, RAP e Daniel Oliveira desconhecem a origem do termo apesar de ser extremamente relevante para um debate que os dois já tiveram várias vezes. Quem julga, como eles, que o termo "mongolismo" resulta apenas da parecença entre os indivíduos com trissomia 21 e os Mongóis, está completamente enganado, pois trata-se de uma herança do racismo científico que imperava no século XIX

 

 

 

17
Mai18

Life coaching


Eremita

When the going gets tough, the tough get going é um refrão darwinista que dá pouco consolo e não fornece nenhuma estratégia, trata-se de uma mera constatação. Sempre me fascinou a capacidade de resistência que certas pessoas têm perante o descalabrro das suas vidas (daí o meu fascínio por figuras como José Sócrates e Bruno de Carvalho). Não sei sinceramente como eles fazem. Mas creio que uma boa estratégia quando a vida piora é forçar uma experiência extra-corpórea, não no sentido literal de sair do corpo, mais como meta-existência. Ser capaz de olhar para a nossa vida enquanto agente externo que nos observa e reflecte sem ser afectado por estados de alma, nem sequer por aquilo que nos possa vir a acontecer. Como um narrador omnisciente que nega qualquer sobreposição com a sua personagem principal e, assim, se torna invulnerável. É uma estratégia poderosa, que deve ser usada com moderação. 

 

17
Mai18

Sporting: realidade e ficção


Eremita

[Publicado a 12.04.18]

Quando penso naquele ano, emerge sempre a imagem da página dos meus arquivos sobre o Sporting Clube de Portugal em que escrevi  "8 de Junho de 2035: campeões, caralho!" Os anos chegavam como chegam sempre, um após o outro, num longo e ininterrupto contínuo de que eu, alheado do ritmo das estações, dos balanços feitos pela imprensa e do réveillon, só ia dando conta pela dificuldade crescente em adoptar o novo ano quando escrevia a data. Na infância, era raro esse erro passar da primeira quinzena de Janeiro, talvez pela prática quotidiana de anotar as datas nos cadernos da escola. Mas depois de adulto, dava por mim ainda no ano anterior em Fevereiro e a cada ano esse atrito do tempo foi ficando mais forte, fazendo-me chegar a Março, a Abril, a Maio e até a "8 de Junho de 2035", o meu recorde pessoal, estabelecido - já se viu - em 2036. 2036 foi um ano singular, na história do meu clube e na minha vida. BW (ainda por paginar)

O projecto BW inclui uma fantasia política centrada, para efeitos de verosimilhança, no SCP e não no Governo da pátria. Essencialmente, depois de décadas nas mãos de um déspota que leva o clube à decadência desportiva, financeira e moral, uma revolução devolve o SCP aos sócios e o clube passa a ser dirigido por um comité que desenvolve uma estratégia de expansão baseada numa rede de olheiros de camadas jovens à escala mundial. A academia do clube torna-se um dos locais mais cosmopolitas do planeta e, após 15 anos, com uma equipa em que estão representadas 14 nacionalidades, o SPC volta a ser campeão nacional e um clube com legítimas ambições europeias, começando a contar com uma base de apoio planetária de "mais de 6 milhões", segundo o porta-voz do clube. Esta ideia precede em vários anos o aparecimento de Bruno de Carvalho como figura pública, mas, por mim, ele deve liderar o clube durante mais uns anos ou pelo menos até eu acabar de escrever esta brincadeira.

 

Adenda a 17.5.18. Nos últimos dias, a reputação do SCP atingiu o ponto mais baixo de que me lembro. Além do terrorismo em Alcochete, foram divulgadas mensagens que fazem do Sporting um clube tão ou mais corrupto do que os seus rivais. Tudo isto é mau para o futebol, mau para o sportinguista moderado que sempre fui (a formulação é aberrante, bem sei) e magnífico para o meu projecto de romance. Diga-se que a fantasia política em torno do SCP é a trama menos importante de todo o enredo, mas não deixa de ser bom vê-la a escrever-se sozinha na imprensa diária. O que também me enche de orgulho é a capacidade de reflexão dos sportinguistas. Os sportinguistas são quem melhor escreve sobre futebol (penso em Rogério Casanova e no maradona). Dos vários textos que surgiram na imprensa nos últimos dias, destaco a análise marxista e foucaultiana de José Neves, que me deixou a pensar na possibilidade de usar os jogadores e não os sócios como agentes da revolução no Sporting. O romance ficaria descaradamente comunista, o que não me parece má ideia enquanto desafio literário. O Sporting enfrenta a sua "hora histórica".

 

 

 

 

16
Mai18

Sócrates, o discreto tio do Luxemburgo e o amigo sul-africano do seu avô


Vasco M. Barreto

Socratologia*

 

NAspirina B, Valupi & friends continuam a defender José Sócrates. Valupi já chegou ao ponto de truncar citações, mas não se trata de enganar os outros, apenas de se enganar a si próprio. Também assim deve ser entendido o seu exercício de separação entre moral, como conjunto de regras para viver em comunidade, e ética, como conjunto de regras para as relações privadas. Com este arsenal teórico, Valupi conclui que aquilo que sabemos sobre os alegados empréstimos de Carlos Santos Silva a Sócrates tem, até a Justiça se pronunciar, apenas uma relevância ética e nenhuma relevância moral, isto é, nenhuma relevância política. Para chegar a esta conclusão. Valupi torce os factos, argumentando a partir de uma suposta condenação pública de Sócrates por aceitar empréstimos de um amigo; para Valupi, esta condenação é hipócrita, pois muita gente, em algum momento de aperto, recorre à ajuda de amigos. Chegou o momento de explicar a Valupi a natureza da condenação pública de Sócrates. 

 

O que realmente se condena, embora nem todos tenham coragem ou a liberdade para o admitir, é o discurso mentiroso de Sócrates e as suas incríveis justificações quanto à origem dos seus rendimentos. Ninguém acredita que aquelas transferências sejam empréstimos. Isto não se pode dizer porque é, afinal, o que será apurado durante o julgamento, mas é de facto o que se pensa, muito por causa das fugas ao segredo de justiça. Pode-se demonstrá-lo facilmente recorrendo a dois cenários hipotéticos. Imaginemos que Carlos Santos Silva não existia e que Sócrates recebia dinheiro de um tio do Luxemburgo, tendo sempre tentado ocultar a origem desse dinheiro por lhe parecer que não ficaria bem a um estadista cinquentão receber uma mesada de um tio. Se a investigação tivesse encontrado na origem do dinheiro este tio do Luxemburgo, sem nenhma ligação a Portugal além de Sócrates, não haveria acusação nem a condenação social iria além de umas piadas e caricaturas. E se, em vez do tio, se viesse a descobrir que o dinheiro vinha de um velho amigo da família Pinto de Sousa que enriquecera na África do Sul e prometera ao pai de Sócrates ajuda incondicional aos seus filhos, também nada de grave aconteceria. A ocultação de Sócrates seria por todos defendida como um direito seu à privacidade e até as suas eventuais mentiras sobre o assunto seriam perdoadas, mesmo não vindo o dinheiro de um familiar de Sócrates. Tudo isto é tão evidente que até dá algum embaraço lembrá-lo, mas é aquilo a que Valupi nos obriga. Os empréstimos não são o problema. O problema é ninguém acreditar que são empréstimos. A classe bem pensante diz que critica Sócrates por aquilo que ele já admitiu, mas a verdade é outra: a classe bem pensante critica Sócrates por não considerar verosímeis as suas explicações. Não deixa de ser um comportamento hipócrita da classe bem pensante, mas não aquela apontada por Valupi. É uma hipocrisia que decorre das convenções sociais.

 

13
Mai18

ACTA DO PRIMEIRO GRANDE PLENÁRIO OURIQUENSE EXTRAORDINÁRIO COM CARÁCTER DE URGÊNCIA


Eremita

Acta exteriora iudicant interiora secreta

 

Lonesome_Ourique.jpg

 

Ao décimo segundo dia do mês de Maio do ano dois mil e dezoito, nesta vila de Ourique, em local que será mantido secreto para atender às preocupações de natureza securitária e geo-política de um dos participantes, realizou-se uma reunião extraordinária, sob a presidência do senhor Nuno Salvação Barreto (NSB) (1, 2), achando-se presentes os ouriquenses Adriano (aka, "o homossexual instrumental", filho do Judeu), Eremita, Fausto GomesGaspar (aka "o cinéfilo" e "o rapaz do cineclube"), Ladrão de Cuecas, LuísTorpes (em representação dos entretanto falecidos) e ainda Ricardo Chibanga (em representação do universo etéreo-imagético) e o lisboeta Vasco M. Barreto, que solicitou esta reunião. Não participaram os ouriquenses Jaime (aka, "o último surfista de Ourique" e "moço de recados"), em virtude da impossibilidade de convocar com celeridade quem não tem endereço fixo nem telefone, e o Judeu (aka, "o inventor"), que se encontra fora do país, não comprometendo estas duas ausências o quórum que todos vincula às deliberações aprovadas por esta assembleia.

 

PERÍODO ANTES DA ORDEM DO DIA 

Fausto Gomes propôs um voto de louvor ao Eremita pela sua entrega abnegada ao longo de praticamente uma década na concretização e defesa do Ouriquense, tendo frisado, a título de exemplo, o notável despojamento e prova de sacrifício pessoal com que o Eremita atura em discussões intermináveis e infinitamente aborrecidas o comentador que assina com o pseudónimo Valupi. Apesar dos murmúrios de concordância que encheram a sala, NSB não formalizou o voto, alegando que a ordem de trabalhos não devia ser perturbada por "questiúnculas", e repreendeu Fausto Gomes por uma "manobra" que visava infuenciar o sentido de voto dos participantes na reunião. 

 

ORDEM DO DIA   

Seguidamente procedeu-se à apreciação do assunto único constante na Ordem do Dia, a saber: tem o cidadão Vasco M. Barreto o direito de escrever enquanto autor no Ouriquense?

 

RESUMO DIÁRIO DA TESOURARIA

Este assunto foi retirado.

 

LEGISLAÇÃO E OUTRAS PUBLICAÇÕES

Tomou esta câmara conhecimento, através de fotocópias em papel reciclado distribuídas a cada um dos seus membros, do teor:

  • Do pedido formalizado por correio electrónico enviado ao Eremita pelo cidadão Vasco M. Barreto;
  • Dos artigos do Código Penal relevantes: ARTIGOS 181.º e 182.º (Injúrias),  ARTIGO 183.º (Publicidade e calúnia), ARTIGO 185.º (Ofensa à memória de pessoa falecida), ARTIGO 192.º (Devassa da vida privada),  ARTIGO 195.º (Violação de segredo), ARTIGO 199.º (Gravações e fotografias ilícitas);
  • Da relação de parentesco entre o casal dos ouriquenses Augusto Themudo e Mello e Laura Oliveira, entretanto falecidos, e o autor do pedido, Vasco M. Barreto, respectivamente avós maternos e neto, que este alega ser razão suficiente para ter o direito de escrever no Ouriquense;
  • Da queixa de roubo de identidade de que o cidadão Vasco M. Barreto diz ter sido vítima, em que  alega que as memórias e vivências diárias relatadas pelo Eremita lhe pertencem, nomeadamente as descritas na série "Tribo", tendo apresentado fotos da sua família e também fotografias que, segundo ele, comprovam serem suas as memórias da casa de Augusto Melo e Ana Oliveira, publicadas no Ouriquense pelo Eremita;
  • Das fotografias de momentos de infância passada em Ourique (férias da Páscoa e de Natal nos anos setenta) e cópias dos documentos de identificação pessoal (cartão do cidadão e passaporte) que o cidadão Vasco M. Barreto enviou ao Eremita.

O ouriquense Eremita pediu a palavra para negar "veementemente" as acusações de roubo de identidade, alegando estarmos perante um caso de partilha de memórias e vivências diárias, não no sentido do desdobramento de personalidade, mas no quadro do direito à fixação de memória em paralelo, quando tal não viola os artigos 181, 183, 185, 192, 195 e 199 do Código Penal. Apresentou depois, como exemplo do seu cuidado em não comprometer a privacidade de ninguém, o post "A Máquina do Movimento Perpétuo", em que os rostos das duas crianças que brincam num baloiço estão fora do enquadramento.  

O ouriquense Fausto Gomes apressou-se a secundar o Eremita e argumentou que a integração de um lisboeta, ainda que neto e filho de ouriquenses, é contrária ao espírito do Ouriquense e pode  "sorver a energia vital" necessária à execução do projecto "A GRANDE OGIVA DO SUL" (1, 2, 3), que deve ser a prioridade de todos.

Ergueu-se Ricardo Chibanga, que lembrou ter lido pela primeira vez um dos textos fundadores do Ouriquense, "Ourique 1979", depois de introduzir o seu nome no Google, não podendo precisar se o encontrou no blog A Memória Inventada, do cidadão Vasco M. Barreto, mas garantindo que o episódio ocorreu em 2004 ou 2005, ou seja, seguramente dois anos antes do nascimento do Ouriquense

NSB perguntou se mais alguém queria dirigir-se à assembleia e, após prolongado silêncio, procedeu-se à votação. Previamente, NSB havia decidido sozinho que primeiro se iria decidir se o cidadão Vasco M. Barreto tem direito a ser autor no Ouriquense e só depois, em caso de aprovação, seriam discutidas todas as condicionantes. Ignorando o protesto tímido do Eremita, NSB confirmou que a votação seria de braço no ar; segundo ele, a feminização da sociedade começou com a invenção do voto secreto. 

 

Os resultados da votação foram:

Votos a favor da integração de Vasco M. Barreto: Adriano,  Gaspar LuísRicardo Chibanga e NSB.

 

Votos contra a integração de Vasco M. Barreto: Eremita e Fausto Gomes.

 

Abstenções: Ladrão de Cuecas e Torpes.

 

Conhecida a votação, NSB deu as boas vindas a Vasco M. Barreto. O Eremita pediu a seguir a palavra para manifestar a intenção de juntar  à acta uma declaração de voto de vencido, tendo em conta a contradição aparente entre o seu sentido de voto e o que vinha escrevendo sobre o assunto nos últimos dias, mas NSB opôs-se, alegando que o Eremita poderá sempre manisfestar-se no próprio blog. Procedeu-se então à discussão dos termos da participação de Vasco M. Barreto no blog. A discussão prologou-se até de madrugada (a reunião iniciou-se às 21 horas) e em tom de grande agitação, não tendo sido  possível transcrever em tempo útil todas as intervenções, pois muitas decorreram em simultâneo, numa suspreendente afronta à autoridade natural e estatutária de NSB. Os pólos da discussão foram, de um lado, Eremita e Fausto Gomes, que lutaram pela imposição de inúmeras restrições à actividade de Vasco M. Barreto enquanto blogger do Ouriquense, e Adriano e Gaspar, que lutaram para que Vasco M. Barreto tenha carta branca, sendo claro o fosso geracional entre as forças conservadoras, representadas pelos quarentões Eremita e Fausto Gomes, e a a geração mais nova, ainda na casa dos 20, representada por Adriano e Gaspar, que pugnou por uma aproximação de Ourique a Lisboa (existe uma gravação áudio que será arquivada com esta acta). Para evitar a perturbação da vida familiar, NSB acabou por se impor e fazer valer o seu voto de qualidade e até o seu veto, para que se pudesse avançar na votação das sucessivas restrições propostas. No final, decidiu-se assim:

1. O Eremita mantém-se como único criador do blog Ouriquense (proposta de: Eremita)

2. Ao Eremita pertencem todos os textos assinados em seu nome no blog até 12 de Maio de 2018 e todos os textos que assinar no futuro (proposta de: Eremita). O mesmo se aplica a Fausto Gomes (proposta de: Fausto Gomes);

3. Para prevenir atritos, ao Judeu é atribuído (in absentia) o direito a assinar como autor do Ouriquense, se assim o desejar (proposta de: NSB);

4. Ao Eremita pertencem todas as séries entretanto iniciadas (proposta de: Eremita);

5. Vasco M. Barreto não está autorizado a escrever sobre a sua vida privada, nem a comentar os escritos desses âmbito já alojados no blog ou que venham a surgir assinados pelo Eremita. Para todos os efeitos, o registo autobiográfico do cidadão Vasco M. Barreto pertence ao Eremita, excepto os episódios associados à actividade profissional de Vasco M. Barreto (proposta de: Eremita);

6. O Eremita abdica de escrever sobre a actualidade política, passando esse pelouro para Vasco M. Barreto (proposta de: Eremita);

7. Qualquer nova série criada pelo Eremita implica a produção de uma ronda de posts por todas as séries entretanto por ele criadas, como forma de limitar a criação de séries e forçar a conclusão das séries entretanto iniciadas (proposta de: NSB);

8. Vasco M. Barreto está autorizado a escrever sobre política, mas não sobre política local a sul do Tejo. Em cirscunstâncias especiais, Fausto Gomes poderá autorizar escritos de Vasco M. Barreto sobre política local, desde que contribuam para a concretização do projecto A GRANDE OGIVA DO SUL (proposta de: Fausto Gomes);

9. Vasco M. Barreto está proibido de utilizar o Ouriquense para se promover enquanto profissional do seu principal ramo de actividade, apenas sendo possível referências a intervenções suas na imprensa ou publicações não directamente associadas à sua produção académica habitualmente sujeita a revisão por pares. Qualquer link ou alusão directa à sua instituição de trabalho é motivo suficiente para irradiação definitiva de Vasco M. Barreto do blog(única proposta conjunta de: Eremita e (proposta de: Eremita Vasco M. Barreto; única proposta aprovada por unanimidade);

10. Vasco M. Barreto está proibido de lançar a dúvida sobre a exequibilidade da máquina do movimento perpétuo (proposta de: Adriano);

11. Vasco M. Barreto jura colocar os interesses da vila de Ourique à frente do interesse nacional, pelo menos quando escreve no Ouriquense (proposta de: Fausto Gomes);

12. Todas estas decisões são válidas durante um ano. Daqui a um ano, após nova apreciação, as decisões então aprovadas tornam-se definitivas (proposta de: NSB).

Refira-se, uma vez mais, que a ausência de consenso para grande parte das propostas levou NSB a aprová-las por atacado, ameaçando todos com o seu poder de veto e o insurrrecto Fausto Gomes com a sua envergadura. 

 

ENCERRAMENTO 

E tendo sido considerados findos os trabalhos, pelas três horas e vinte minutos da madrugada do dia treze de Maio de dois mil e dezoito, foi a reunião encerrada, lavrando-se para constar a presente acta, que vai ser assinada pelo senhor NSB e por mim, Adriano, sendo a sua publicação no Ouriquense no prazo de 24 horas exigida ao Eremita, sob pena de perda dos seus direitos de autor do blog.

12
Mai18

Soldiers-at-Western-Wall-Then-and-Now-e14629432156

Pára-quedistas que libertaram Jerusalém em 1967 (1967 e 2016)

 

O Estado de Israel celebra este ano o seu 70.º aniversário. Foi com efeito na tarde de sexta-feira, 14 de Maio de 1948, 5 de Yar de 5708 do calendário hebraico, às 16h, que foi proclamado o Estado de Israel por David Ben-Gurion numa sala do Museu de Telavive. (...)

Todos os presentes estavam cientes de que uma eventual proclamação seria imediatamente seguida de uma invasão árabe. Para além de Ben-Gurion, que dirigia a reunião, e de outros membros do Governo Provisório, estavam também dois comandantes da Haganah – organização de defesa judaica –, Yigael Yadin e Israel Galili, para fazerem o ponto da situação militar. “Que hipótese temos?”, questiona Ben-Gurion.  A resposta de Yadin vem célere: “No máximo 50%...” Mas Ben-Gurion sabia que, independentemente da decisão tomada, os árabes atacariam. Assim pronuncia-se a favor. Cinco dos dez participantes na reunião juntam-se a ele, quatro votam contra. O Estado Judaico será proclamado dois dias depois.

Às 23h30 desse dia histórico, o último Alto-Comissário britânico, Sir Alan Cunningham, deixava o porto de Haifa, ao fim de 30 anos de Mandato inglês na Palestina. Os ingleses partiam sem dizer adeus, hostilizados por ambos os campos. Onze minutos depois os EUA e a URSS reconhecem o Estado de Israel. Nessa mesma noite começa a invasão árabe: foi o início de uma série de guerras que nunca cessariam completamente.

Mais tarde David Ben-Gurion escreverá que até ao próprio dia da proclamação do Estado recebeu muitos pedidos de adiamento por parte de governos, personalidades e amigos que receavam que o Estado recém-criado fosse destruído. “No entanto”, afirma, “nada podia desviar-nos do caminho que escolhemos. Eles não podiam saber o que nós sabíamos, o que nós sentíamos no mais profundo de nós mesmos: esta hora era a nossa hora histórica. Se não estivéssemos à altura por receio ou falta de empenhamento, gerações, talvez mesmo séculos, suceder-se-iam antes que o nosso povo pudesse reencontrar outra oportunidade histórica – na condição de ainda estarmos vivos como grupo nacional". (...)

Tiveram razão, Ben-Gurion e o executivo sionista, em declarar o Estado de Israel?

Na época, tratava-se para os judeus de uma questão de vida ou de morte, era a sua sobrevivência como povo que estava em causa. No final da guerra a maioria dos sobreviventes judeus não podia nem queria voltar para o que agora eram apenas ruinas, perda e sofrimento. A grande maioria desejava ir para a Palestina, longe das sombras do passado europeu. No entanto, as portas continuavam fechadas pelo Livro Branco britânico de 1939 e nos anos de 1947/48 cerca de 250 mil judeus ainda vegetavam nos campos ditos de “deslocados” da Alemanha e da Áustria, em condições desumanasTal como os massacres e perseguições anti-semitas no leste e no centro europeu no final do século XIX levaram à criação do sionismo politico por Theodor Herzl, também foi o extermínio nazi o mais trágico argumento da necessidade de um lar onde os judeus pudessem finalmente ser donos do seu destino. E também a mais cruel das oportunidades...

Israel nasce marcado por dois números fatídicos: seis milhões de vítimas do genocídio nazi, cuja ausência nunca será colmatada, e os seis mil mortos na Guerra da Independência, ou seja, perto de 1% da população judaica na época, entre os quais numerosos sobreviventes [do Holocausto]. (...)

Apesar disso e fazendo o balanço destes 70 anos, a resposta é inequívoca. Nascido do sofrimento milenar de um povo, construído contra ventos e marés por homens e mulheres idealistas que ao mesmo tempo que reinventavam a língua hebraica e construíam universidades, secavam pântanos e plantavam desertos, o Estado de Israel cumpriu o objectivo inicial que lhe está subjacente: o de criar um lar onde os judeus fossem donos do seu próprio destino. Através de um esforço hercúleo de integração das vagas de imigrantes e refugiados, nasceu uma nação, com a sua própria língua e cultura original que já conta hoje com 12 prémios Nobel. Uma nação cujos princípios democráticos fundadores resistem a uma vida inteira passada em contínuo estado de alerta num ambiente regional hostil.

Mas há um outro motivo e esse infelizmente bem actual que vem dar razão à decisão tomada há 70 anos: a insegurança na qual vive hoje de novo uma parte significativa dos judeus europeus. (...) Adam Armoush, árabe israelita de 21 anos, foi uma testemunha involuntária deste crescendo em Berlim: duvidando da veracidade do que lhe afiançavam os seus amigos, decidiu cobrir a cabeça com uma kipá passando assim por judeu. O resultado foi convincente: no passado dia 19 de Abril Armoush foi violentamente agredido na rua aos gritos de Yahudi, palavra árabe que significa judeu...

A história judaica do século XX mostra-nos com toda a clareza que a liberdade e a dignidade de um povo só são reais num quadro de soberania politica. Essa foi e continua a ser a grande lição destas sete décadas do Estado de Israel.

Mas se isto é verdade para os judeus, também o é para os palestinianos. Hoje, os dois povos estão face a face e a sua existência pacífica apenas é possível no quadro de dois Estados independentes, soberanos e em pé de igualdade. Mas, para isso, os palestinianos têm de abandonar definitivamente o sonho insensato e irrealista de destruir Israel e os judeus de não esquecer que a vocação sionista inicial não era a redenção messiânica da terra, mas sim construir um lar onde os judeus pudessem finalmente ser donos do seu destino. Esther Mucznik, Público

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