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OURIQ

Um diário trasladado

OURIQ

Um diário trasladado

18
Abr18

Leilão das obras completas de Dostoiévski


Eremita

Vendo estas obras completas, publicadas pela Arcádia Limitada. Reservo-me o direito de recusar a licitação mais alta. Ainda pensei em leiloar as obras completas de Jorge Luis Borges, mas creio que o russo tinha um entendimento mais agudo do que são problemas de liquidez. (Para evitar equívocos: isto é mesmo a sério). 

Adenda (às 16 e 11 de 18.4.18): 70 euros como base de licitação. O leilão termina às 23:59:59 de quinta, 19.4.18.

 

IMG_20180418_073522.jpg

 

17
Abr18

O misticismo


Eremita

O misticismo é fundamental, mas apenas depois de o sistema de rega da horta estar de novo a funcionar. Só que este sentido natural das prioridades não resolve o problema. Quando voltar a ter tempo, regressarei ao tema. De momento, registo apenas uma surpresa: como a paternidade acorda tantas questões que tinha por resolvidas, meus Deuses!

 

Seven Types of Atheism is an impressively erudite work, ranging from the Gnostics to Joseph Conrad, St Augustine to Bertrand Russell. In the end, it settles for a brand of atheism that finds enough mystery in the material world itself without needing to supplement it with a higher one. Yet this, too, is just as much a throwback to the Victorian age as Dawkins’s evangelical campaign against religious evangelism. Authors such as George Eliot, reeling from the death of God, took solace in the unfathomable intricacies of the universe. Gray condemns secular humanism as the continuation of religion by other means, but his own faith in some vague, inexplicable enigma beyond the material is open to exactly the same. Terry Eagleton sobre o último livro de John Gray, The Guardian

 

"Deus é um problema para todos, não é só uma questão para os não-crentes, Deus também é uma questão para os crentes. Deus é uma questão que nos une, não é uma questão que nos separa: Deus está em todos, crentes e não-crentes". Tolentino Mendonça, Público

16
Abr18

Transexualidade


Eremita

A quantidade de disparates que tenho lido sobre a transexualidade seria menor se se aceitasse que o cérebro, tal como os órgãos genitais, apresenta diferenças anatómicas e funcionais, agrupáveis na esmagadora maioria dos casos segundo um esquema de dimorfismo sexual que não impede o reconhecimento de diferenças de grau e casos intermédios. Uma vez aceite este facto, tudo seria mais claro, embora não forçosamente mais simples. O transexual seria aquele indivíduo raro (<1%) em que há um grande desajuste entre o sexo biológico (os genitais) e o género biológico (o cérebro). Mas afirmar esta evidência parece ser politicamente incorrecto e muitos preferem entender a identidade de género como um mero direito à autodeterminação. Não é certo que esta tentativa (bem-intencionada) de se evitar o estigma da doença não venha a ter efeitos contraproducentes, pois o que não falta por aí é gente predisposta a caricaturar as pretensões dos transexuais, equiparando-as a caprichos, não se sabendo bem se o fazem por ignorância, dificuldade em lidar com a diferença ou simples crueldade. Não tenho grandes ilusões quanto à possibilidade de erradicarmos este preconceito, mas como não gosto de promover o pessimismo antropológico quando o assunto é sério, sugiro que algum jornal traduza artigos como este: Between the (Gender) Lines: the Science of Transgender Identity 

 

15
Abr18

Manuel Reis e a grande orfandade


Eremita

Depois dos obituários, a tese de doutoramento. Confesso que a li na diagonal, mas louvo a pachorra de João Pedro George. A extensão inusitada do artigo sugere que o sociólogo foi barrado à porta do Frágil, um trauma que marcou toda uma geração de boémios lisboetas nos anos oitenta e que nas últimas semanas ressurgiu na imprensa, primeiro como suor nocturno e raiva atávica, de que é exemplo este artigo de João Miguel Tavares, e agora como sublimação sociológica, perante a incompreensão do resto do país e até da malta que, como eu, frequentava sobretudo o Hot Club. George estabelece um paralelo entre a geração do Frágil e a que combateu nas ex-colónias, mas enquanto trauma devemos obviamente dar à guerra, com os seus corpos esventrados e experiências-limite que revelam heróis e cobardes, uma importância que uma nega de porteira de bar não merece. Enfim, o paralelo é menos absurdo do que sugiro. Toda a comoção com o desaparecimento de Manuel Reis revelou que a geração que começou a sair à noite nos anos oitenta (a minha) é órfã da História e precisa de a inventar com o que houver. 

 

 

12
Abr18

Lobo dixit


Eremita

Não espanta que Lobo Antunes transforme o prefácio de um livro de Agustina num pretexto para falar sobre o seu tema predilecto: Lobo Antunes. Também não espanta que Lobo Antunes elogie agora Agustina, quando nos anos oitenta - salvo erro - o jovem Lobo a tratava por "bruxa" - seguramente mais uma alusão à personagem Quina, de A Sibila, do que a alguma peculiaridade física ou sobrenatural da escritora. Na altura, também Vergílio Ferreira era por ele designado como o "Sartre de Fontanelas", mas anos depois, do alto do firmamento dos escritores, Lobo Antunes deu-se ao luxo da magnanimidade, elogiando Vergílio Ferreira, então já convenientemente enterrado ou cremado. 

 

O Xilre irritou-se com Lobo Antunes. Se não me falha a memória, há uns anos, também um prefácio displicente de Lobo Antunes ao A Consciência de Zeno irritou um crítico literário. Eu até sugiro que o prefácio de Lobo Antunes, pela descrição do Xilre, foi reciclado sem grande perda de tempo desta crónica, pois - como sabemos - para o escritor o que conta mesmo é escrever romances e o resto, exceptuando o Benfica e os veteranos da guerra, não deve ser levado a sério. Tudo isto é público. O culpado, como se vê, não é o escritor, mas quem persiste em convidá-lo para escrever prefácios, pois Lobo Antunes apenas seria capaz de fazer um bom trabalho se prefaciasse um dos seus próprios romances. Talvez a ideia ocorra a algum editor e Lobo Antunes a considere menos bizarra do que encantadora.

 

 

 

 

 

 

11
Abr18

Unicórnios e gambozinos


Eremita

lula-nordeste8.jpg

Foto de Ricardo Stuckert 

Indiquem-me alguém com provas dadas na luta contra a politização da justiça independentemente da orientação política do arguido. Por "provas dadas" entendo um idêntico esforço, real e continuado, não a mera e ocasional declaração grandiloquente que cai bem. Encontrem, por exemplo, quem hoje defenda com o mesmo afinco Nicolas Sarkozy e Lula ou Sarkozy e Sócrates. I rest my case.  

 

Adenda: como não houve sugestões, deixo-vos aqui as crónicas de Reinaldo Azevedo, um adversário do "lulopetismo" que critica Sérgio Moro e o STF quanto à prisão de Lula. 

03
Abr18

Cancro


Eremita

Todos temos os dias contados, mas uns mais do que outros. Alguém já deve ter comparado autobiografias escritas durante uma reforma saudável com aquelas feitas no contra-relógio de uma doença terminal, mas de momento só me ocorre uma pergunta: como não se aborrecem os primeiros e como lidam os segundos com um sentido de urgência insuportavelmente intenso? 

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