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OURIQ

Um diário trasladado

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Um diário trasladado

03
Mar18

Ponham este homem a escrever na imprensa


Eremita

Desde que Luís António Verney liderou a campanha de vilificação contra o Barroco, de que nem António Vieira se livrou, em Portugal puseram-se num pedestal os valores da singeleza, da concisão, da clareza, da comunicação. É irónico como, embora já ninguém leia os poetas da Arcádia, a actual concepção de “bom gosto” continue a ser condicionada pelos seus preceitos e preconceitos. Bom gosto, como todos sabemos, é não cair em barroquismos esquipáticos; é não ser prolixo; é não se dar a ares estadeando o vocabulário; é não fazer piruetas e pirotecnias e proezas verbais que deixem o leitor e outros escritores invejosos por não conseguirem fazer mesmo; é escrever tão chãmente que qualquer um pense que poderia fazer o mesmo se apenas se desse ao trabalho de tentar. Bom gosto é, sobretudo, não incorrer no pecado de “fazer estilo” ou “fazer frases” ou “fazer literatura, o que, vistas bem as coisas, é o mesmo que “fazer literatice”, o inexorável destino de quem se aventura por um estilo mais elaborado, mais formalista. O pior insulto que um escritor português pode receber é ser chamado de “barroco.” Ninguém quer ser barroco. Luís Miguel Rosa

 

02
Mar18

Filha de Boaventura de Sousa Santos*


Eremita

A interferência do observador e da natureza do seu questionamento no estado e qualidade do seu objecto de estudo nunca foi tão amplamente reconhecida como nos séculos XX e XXI por todos os grandes nomes da física quântica e a própria realidade da consciência tem sido associada aos múltiplos factores que permitem definir e estudar o humano, quando a abordagem é sistémica (Análise Global de Sistemas): para muitos cientistas o ser humano não é apenas um conjunto de células em funcionamento, o seu psiquismo não emerge apenas do seu funcionamento cerebral e neuronal, a sua natureza não é apenas animal e a complexidade da sua termodinâmica (aberta, irreversível, espantosamente neguentrópica**) exige a formulação de outros quadros de experimentação, de outras metodologias, de outros imaginários de indagação e, portanto, de respostas com outros horizontes de referência.

Rupert Sheldrake, em Science set Free, 2013, assim como o recente manifesto para uma ciência pós-materialista assinado por mais de 300 cientistas, filósofos e investigadores doutorados de todo o mundo (http://opensciences.org/about/manifesto-for-a-post-materialist-science), denunciam os dogmas que limitam a ciência actual; por outro lado, um livro como o de Jean Andouze, Michel Cassé e Jean Claude Carrière, Du Nouveau dans l’Invisible, 2017, permite enriquecer o debate sobre a natureza profundamente perigosa e eugenista do projecto transumanista que está a ser imposto ao mundo, em nome do progresso científico. Leonor Nazaré, curadora de arte contemporânea, Público.

 

* O eminente sociólogo publicou, em 1987, um livrinho anti-positivista que deu muito que falar. Chama-se Um Discurso Sobre as Ciências.

** O uso do hipertexto para explicar palavras potencialmente difíceis não deve ser interpretado pelo leitor como desconsideração. O Ouriquense é um espaço plural que tanto atrai amantes de rumbas iliteratos, com aversão à álgebra e viciados em candy crush como mestres xadrezistas que declamam Antero de Quental de cor, resolvem problemas de topologia para adormecer e só ouvem autores dodecafónicos. Naturalmente, nivelamos por baixo. 

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