Saltar para: Posts [1], Pesquisa [2]

OURIQ

Um diário trasladado

OURIQ

Um diário trasladado

12
Mar18

Cristas e a rapaziada do comentário político


Eremita

Seguia para Garvão, liguei o rádio, ouvi a Cristas. Retórica vaga, cheia de democracia cristã, com a inevitável referência ao mar e a pedir o impossível, isto é, o cargo de primeiro-ministro,  apontando as baterias ao PSD, o animal ferido. Desde Lucas Pires que o CDS não tem uma oportunidade tão boa para crescer e Cristas só podia ter feito o que fez, mas os profissionais do comentário político resolveram repreendê-la. Marques Mendes, Dupond (Adão e Silva) e Dupont (Marques Lopes), e o nosso incansável senador, entre a condescendência, bazófia e partes por milhão de marialvismo, quiseram pôr a mulher no seu lugar, que não será a cozinha, mas anda perto. Esta reacção colectiva é um caso bizarro de deformação profissional do bom senso, pois ninguém mais interpreta à letra o objectivo de Cristas; faz parte dos discursos de campanha política só admitir como cenário a vitória. Mas é uma reacção que prova a inteligência e competência de Cristas. Quando Mendes, Adão e Silva, Marques Lopes e Seixas da Costa, que são os canários do nosso sistema político, as vozes do status quo, reagem contra ela como uma frente unida, sabemos que o CDS vai captar não só votos ao PSD, mas conquistar mulheres e muitos abstencionistas desiludidos com as elites políticas.

11
Mar18

Recreio


Eremita

Descurei durante muito tempo a coluna da direita, mas estou a tentar disciplinar-me. Hoje acrescentei alguns links de guitarra clássica e de flamenco - é um work in progress. Nos próximos dias, devo acrescentar uma lista dos podcasts que ouço, actualizar os links relevantes para o montado, que aparecerão numa categoria intitulada "Grande Ogiva do Sul" (uma invenção de Hernâni Lopes) e aventurar-me nos links de cinema e teatro.

10
Mar18

Como se levanta um pomar


Eremita

"O regresso do carneiro hidráulico" é o título de um artigo técnico (pdf) que à enigmática expressão "carneiro hidráulico" junta alguma ressonância poética, ao brincar com a ideia do regresso de um animal tão importante na cultura judaico-cristã. Não creio que este efeito seja involuntário; é longa a tradição de intercâmbio entre as ciências e as humanidades, e se o intelectual Eduardo Prado Coelho pôde escrever um livro de crítica literária e cinematográfica intitulado "A mecânica dos fluidos", ninguém tem o direito de negar veleidades poéticas a engenheiros. Mas verdadeiramente fascinante e talvez até poético é o funcionamento do carneiro hidráulico, uma bomba capaz levar a água a um nível mais alto sem recurso a nenhuma fonte de energia além do próprio movimento da água devido à gravidade, o que parece violar a Física e a nossa intuição. 

Screen Shot 2018-03-10 at 22.39.05.png

 

 

 

10
Mar18

Steve Jobs e o "espírito de tolerância"


Eremita

c_scale,fl_progressive,q_80,w_800.jpg

fonte

Um dos objetivos da ciência, e do conhecimento em geral, é ajudar-nos a evitar a dor. A contorná-la, a mitigá-la. É por isso que usamos anestesia e analgésicos, químicos que ajudam a regular as reações do nosso corpo, terapias que transformam a nossa vida numa coisa melhor. Num pequeno livrinho lançado ontem, Terapias, Energias e Algumas Fantasias(Fundação Francisco Manuel dos Santos), João Villalobos leva-nos de passeio pelos corredores das chamadas “terapias alternativas”, do Reiki à leitura da aura e ao estudo das “vidas passadas”, dos “tratamentos holísticos” à visitação dos anjos e à hipnose e ao reconhecimento das “energias”. À tentação de muitos leitores – considerar que essas terapias “não servem” porque não curam constipações –, prefiro a generosidade e o espírito de tolerância de Villalobos: tudo serve se o objetivo for o de contornar ou diminuir a dor de viver. A nossa vida é demasiado curta para recusarmos conhecer essas experiências. Sim, podemos até concordar que algumas são fantasias. Mas nenhuma fantasia é dispensável se nos ajudar a encontrar alguma luz. Francisco José Viegas

Há alguns equívocos neste texto. Se alguém acredita na astrologia, deve ter toda a liberdade de o fazer, mas eu prefiro que o Estado promova a astronomia e ignore a astrologia. Porquê? Porque a astronomia é uma ciência com provas dadas no aumento do conhecimento e promove o sentido crítico, enquanto a astrologia é uma prática sem validação empírica, que desincentiva o raciocínio e tende a ser promovida por charlatães. Também o argumento de que "tudo serve se o objectivo for o de contornar ou diminuir a dor de viver" nos levaria muito longe ou pelo menos até ao prédio devoluto mais próximo habitado por heroinómanos. Quanto ao valor da visitação dos anjos enquanto "experiência" cuja vida é demasiado curta para recusarmos, o snorkeling num recife de coral ou um roteiro gastronómico na Toscânia Toscana parecem-me experiências turísticas mais compensadoras. E o remate da indispensabilidade da fantasia que nos ajuda a encontrar alguma luz é pura irresponsabilidade, sobretudo depois de casos tão mediáticos como o de Steve Jobs, que por ter andado a perder tempo com medicinas alternativas fantasiosas talvez tenha tido uma morte prematura. É surpreendente ver Francisco José Viegas a escrever tamanhos disparates. Qual a explicação? Um capricho de contrarian estimulado pelas críticas recentes às medicinas alternativas? Um favor ao amigo João Vilalobos? São explicações insuficientes e só me resta admitir que Viegas quer agradar a uma namorada nova adepta do reiki

 

 

Pesquisar

Comentários recentes

  • Anónimo

    RFC2 DE JUNHO DE 2020 ÀS 17:12Valulupizinho, porra...

  • Anónimo

    2/2LENA ENGENHARIA E CONSTRUÇÕES, SA, pela prática...

  • Anónimo

    Quem tramou José Sócrates? Nós todos (Ep11, onze!,...

  • caramelo

    Leitor, eu quando li "insinuação" pensei que por l...

  • Anónimo

    Não vou alimentar uma discussão que nasce de um ma...

Links

WEEKLY DIGESTS

BLOGS

REVISTAS LITERÁRIAS [port]

REVISTAS LITERÁRIAS [estrangeiras]

GUITARRA

CULTURA

SERVIÇOS OURIQ

SÉRIES 2019-

IMPRENSA ALENTEJANA

JUDIARIA

Arquivo

    1. 2020
    2. J
    3. F
    4. M
    5. A
    6. M
    7. J
    8. J
    9. A
    10. S
    11. O
    12. N
    13. D
    1. 2019
    2. J
    3. F
    4. M
    5. A
    6. M
    7. J
    8. J
    9. A
    10. S
    11. O
    12. N
    13. D
    1. 2018
    2. J
    3. F
    4. M
    5. A
    6. M
    7. J
    8. J
    9. A
    10. S
    11. O
    12. N
    13. D
    1. 2017
    2. J
    3. F
    4. M
    5. A
    6. M
    7. J
    8. J
    9. A
    10. S
    11. O
    12. N
    13. D
    1. 2016
    2. J
    3. F
    4. M
    5. A
    6. M
    7. J
    8. J
    9. A
    10. S
    11. O
    12. N
    13. D
    1. 2015
    2. J
    3. F
    4. M
    5. A
    6. M
    7. J
    8. J
    9. A
    10. S
    11. O
    12. N
    13. D
    1. 2014
    2. J
    3. F
    4. M
    5. A
    6. M
    7. J
    8. J
    9. A
    10. S
    11. O
    12. N
    13. D
    1. 2013
    2. J
    3. F
    4. M
    5. A
    6. M
    7. J
    8. J
    9. A
    10. S
    11. O
    12. N
    13. D
    1. 2012
    2. J
    3. F
    4. M
    5. A
    6. M
    7. J
    8. J
    9. A
    10. S
    11. O
    12. N
    13. D
    1. 2011
    2. J
    3. F
    4. M
    5. A
    6. M
    7. J
    8. J
    9. A
    10. S
    11. O
    12. N
    13. D
    1. 2010
    2. J
    3. F
    4. M
    5. A
    6. M
    7. J
    8. J
    9. A
    10. S
    11. O
    12. N
    13. D
    1. 2009
    2. J
    3. F
    4. M
    5. A
    6. M
    7. J
    8. J
    9. A
    10. S
    11. O
    12. N
    13. D
    1. 2008
    2. J
    3. F
    4. M
    5. A
    6. M
    7. J
    8. J
    9. A
    10. S
    11. O
    12. N
    13. D