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Ouriquense

31
Mar18

Alan Lightman

Eremita

Although the history of science has not awarded Messenger the same laurels as Newton’s Principiaor Darwin’s On the Origin of Species, I regard it as one of the most consequential volumes of science ever published. In this little book, Galileo reports what he saw after turning his new telescope toward the heavens: strong evidence that the heavenly bodies are made of ordinary material, like the winter ice at Lute Island. The result caused a revolution in thinking about the separation between heaven and earth, a mind-bending expansion of the territory of the material world, and a sharp challenge to the Absolutes. The materiality of the stars, combined with the law of the conservation of energy, decrees that the stars are doomed to extinction. The stars in the sky, the most striking icons of immortality and permanence, will one day expire and die. Alan Lightman, Nautilus

 

Alan Lightman é um dos poucos cientistas que fazem ficção, ensaio e divulgação que admiro enquanto escritores. Este físico de apelido feliz escreveu, há muitos anos, um livro belíssimo que a Relógio de Água traduziu: Os Sonhos de Einstein - ainda à espera ainda uma resposta à altura de um biólogo, mas que só se poderá chamar Os Pesadelos de Darwin. Leiam-no.

30
Mar18

O plágio de João Botelho

Eremita

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Para que fique claro: o meu fascínio por casos de plágio não é apenas revelador do desejo de assistir à miséria moral dos outros, pois denuncia sobretudo o meu medo de um dia ser apanhado a plagiar. É uma espécie de síndrome do impostor, mas vivida por antecipação - creio que ainda não figura no Diagnostic and Satistical Manual of Mental Disorders.

 

“Sou o autor do filme “A Peregrinação” e durante meses, nesta ‘arte de vampiro’ que é afinal o cinema, li, consultei, adaptei e reescrevi cenas para a minha curta adaptação da vida e do livro de viagens de Fernão Mendes Pinto. Na verdade, o seu romance, o Corsário dos Sete Mares, foi forte inspiração para alguma s cenas do filme, as da China... (...) É evidente que devia ter insistido três, quatro vezes [no contacto]. Mas meteu-se a produção – trabalhosa, longa e difícil. Tive o cuidado de colocar em primeiro lugar nos agradecimentos, no genérico final do filme, o seu nome. É pouco, eu sei. Eu e o produtor aceitamos a sugestão da sua editora para colocar uma cinta com os dizeres: ‘Inclui episódios adaptados do romance O Corsário dos Sete Mares’. Perdoe-me.” João Botelho, citado no Hoje Macau

Como me dizem várias pessoas que trabalham ou trabalharam no teatro e no cinema, estes abusos são frequentes. Não me refiro apenas a casos de plágio e falta de respeito pelos direitos de autor, mas a todo o tipo de apropriações, nomeadamente do tempo e esforço de outros, cujo trabalho tentam fazer passar por colaboração voluntária ou pagam mal e a más horas, se é que pagam. Pelo que me contam, não são apenas caloteiros medíocres, mas também de grandes nomes do meio, figuras carismáticas, admiradas pela sua grande capacidade de produção.

28
Mar18

Aos anónimos que aqui comentam

Eremita

Foi o civismo dos comentadores mais habituais que me fez libertar os comentários de avaliação prévia, o que terá contribuído para agilizar algumas boas conversas. Infelizmente, há uns dias tive de censurar o comentário grosseiro de um anónimo e preferia não ter de voltar a fazê-lo. Aproveito também para sugerir aos anónimos que se identifiquem quando pretendem continuar uma conversa. Não se trata de conhecer a vossa identidade, mas apenas de termos forma de saber a que anónimo atribuir um comentário quando dois anónimos participam numa mesma conversa. Podem assinar "anónimo1" e "anónimo2" ou escolher um herói da Marvel, um magriço, uma figura mitológica, um móvel da IKEA, uma linha celular usada para estudar o cancro, um antibiótico, um panfletista francês do século XIX entretanto esquecido, um prato de alta cozinha, uma letra do alfabeto grego, uma cor, uma alfaia agrícola, um mamífero, uma qualquer espécie da família dos titonídeos, um instrumento de orquestra, uma marca de pranchas de surf... As possibilidades são infinitas. 

25
Mar18

Camilo Mortágua: um momento de pedagogia

Eremita

Camilo Mortágua, pai de Mariana Mortágua, foi e é - porque, felizmente, está vivo - um valente lutador contra a ditadura, participou no assalto ao navio mercante “Santa Maria”, no desvio do avião da TAP de Casablanca para Lisboa, no assalto ao Banco de Portugal, na Figueira da Foz, bem como em outras ações revolucionárias com as quais, como português e democrata, me sinto perfeitamente solidário e cuja execução lhe agradeço e louvo - e que isto fique aqui escrito, preto-no-branco, porque é preciso não ter medo de dizer as palavras justas.

Só a imprensa de uma ditadura que foi culpada por imensos mortos, por uma criminosa guerra colonial, por décadas de perseguições, torturas e prisões que arrasta no seu cadastro histórico, com a PIDE e a censura cobardemente a seu lado, teve o desplante de qualificar como crimes comuns alguns atos justamente praticados, como hoje está mais do que provado, para enfraquecer o regime que iria cair de podre e de ridículo perante a História no 25 de abril. E aproveito o ensejo para prestar uma homenagem a essa outra figura de homem de bem que se chamou Hermínio da Palma Inácio, diabolizado pelos caluniadores anti-democratas.

Alguma direita portuguesa, que nunca conseguiu fazer o exorcismo do Estado Novo, vive ainda uma orfandade envergonhada desses tempos, disfarçada na proclamação da “honestidade” de Salazar, nas acusações, canalhas e comprovadamente falsas, ao desvio das verbas do assalto na Figueira da Foz, numa equiparação miserável das ações da LUAR a delitos comuns - usando precisamente a mesma linguagem que a PIDE utilizava. Aqui pelo Facebook (como se verá em alguns comentários, de forma direta ou ínvia) há ainda muito quem se sinta solidário com a narrativa da António Maria Cardoso.

O meninote que impunenente ataca o nome honrado de Camilo Mortágua não tem culpa, foi provavelmente educado dessa forma. Seguramente que os pais não lhe ensinaram que foi graças a lutadores como Mortágua que hoje usufrui da liberdade que lhe permite escrever as patetices que escreveu. Ou talvez eu esteja enganado: se nada tivesse mudado, ele teria, com certeza, a hipótese de manter exatamente esse mesmo discurso, porque esse era o discurso da ditadura em que se sentiria bem. Seixas da Costa

 


 
23
Mar18

Joseph Brodsky

Eremita

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Fico comovido quando alguém que conheço lembra Brodsky. Foi um cientista arménio a viver nos EUA quem, numa boleia de carro até ao comboio que me levaria de volta a Nova Iorque, me recomendou o poeta, e aprecio sobretudo a sua prosa, mas despertou-me uma tal empatia que experimentei um daqueles entusiasmos próprios da adolescência e raríssimos depois dos trinta. Leiam este autor, não deixem que Joseph Brodsky morra uma segunda vez. 

23
Mar18

Melhor do que uma avaliação PISA

Eremita

No Chiado, há quatro igrejas que, além de terem bonitas fachadas, têm áreas bastante amplas. Claramente, o bairro não precisa de tantos templos religiosos. Além de estarem vazias a maior parte do tempo, mesmo em hora de missa, as igrejas mostraram serem incapazes de gerar receitas suficientes para garantir o aquecimento dos interiores, a segurança dos equipamentos e o restauro em continuum que edifícios com dois séculos exigem. Bárbara Reis, Uma proposta modesta para salvar o Chiado, Público.

 

Se esta armadilha de Bárbara Reis não incendiar as redes sociais, é porque as escolas estão a funcionar bem.

17
Mar18

A discussão sobre a universidade como não deve ser

Eremita

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fontes: 12

 A contratação de Passos Coelho para dar aulas em várias universidades e o mais recente caso de um político com um currículo alegadamente fraudulento espoletaram* um "debate" sobre a universidade de uma pobreza que envergonha. Não é fácil perceber se foram menos oportunos os que falam da arrogância dos académicos nas suas "torres de marfim" (que torre? Que marfim? Estarão a par da "proletarização" crescente dos académicos?), os que questionam a competência de Miguel Vale de Almeida para estar numa universidade (na versão idiota ou com graça) ou aqueles cujo impulso imediato foi proteger a reputação da Universidade onde também leccionam. Se quiserem discutir realmente a Universidade, talvez seja melhor mudar de pretexto, desenvolver motivação genuína e algum conhecimento do tema. Podem começar, por exemplo, por ler e comentar um ensaio publicado por António M. Feijó (de camisa branca) e Miguel Tamen (de camisa às riscas) intitulado A Universidade Como Deve Ser (Ensaios da FFMS) ou pelo menos ouvir os seus autores. Trata-se de um livrinho escrito por quem relalmente conhece e vive a universidade, passou pela experiência de a tentar inovar e não usa o tema como pretexto para brilhar ou acerto contas. Apesar de algumas passagens de provocação juvenil a piscar o olho ao populismo que se dispensariam (um dos cenários é a "implosão" do Ministério da Educação) e de os autores desvalorizarem o problema da endogamia, o livro vale por defender o curso universitário como uma busca de conhecimento e não um tirocínio para um emprego e ainda por avançar uma combinação e hierarquia de propostas absolutamente originais em Portugal.

* "Espoletaram" ou "despoletaram", Plúvio? Tem razão o Ciberdúvidas ou Vasco Graça Moura?

16
Mar18

Os idiotas úteis das Terapias Alternativas

Eremita

Num trabalho académico recentemente defendido por Marta Bacelar na Escola de Saúde Pública da Universidade Nova de Lisboa, a economista apresentou um estudo sobre utilizadores de TNC (terapias não convencionais) segundo o qual 96 dos 100 utentes dessas terapias que entrevistou (70% dos quais com licenciatura ou mais) se consideravam melhor ou muito melhor após o tratamento e pensavam que as TNC devem ser integradas no SNS. Leonor Nazaré

Um dos efeitos mais perniciosos dos estudos de opinião, que alimentam uma indústria e inúmeras carreiras académicas, é a confusão que criam entre a realidade e a opinião que temos sobre a realidade. Pergunta-se aos europeus o que pensam sobre a União Europeia e a opinião média expressa no inquérito passa a ser a descrição precisa da União Europeia. O problema é que uma descrição da realidade não se legitima segundo critérios democráticos. Aliás, em certa medida, a História do conhecimento é a de uma guerra permanente contra a intuição e o senso comum (a descoberta de que é a Terra que gira à volta do Sol, por exemplo). O resto da segunda investida de Leonor Nazaré é mais do mesmo, isto é, uma cavalgada quixotesca contra o "bastião do dogma" e a arrogância dos cientistas. Sinceramente, não há pachorra para esta conversa e recomendo a resposta de Carlos Fiolhais e David Marçal ao primeiro artigo de Leonor Nazaré. Mas permitam-me um remate: todos os movimentos de ideias de mérito duvidoso geram a sua legião de "idiotas úteis". Aldrabões como Deepak Chopra ou o professor Karamba só conseguem ganhar a vida à custa de mentiras porque gozam da simpatia de pessoas respeitáveis (isto é, com capital social) muito dadas ao relativismo e ao holismo, como Leonor Nazaré. Que o Estado também ceda a esta gente é uma verdadeira tragédia a prazo. 

15
Mar18

Um vendaval de libertinagem

Eremita

Sobre as declarações em tribunal a respeito de Orlando Figueira, estamos face a um vendaval de libertinagem. Recordemos: este Figueira é o tal amigo que emprestou, em 2015, dinheiro ao tal juiz que, em 2016, declarava pimpão a um canal de TV não ter amigos que lhe emprestassem dinheiro. Registemos: a situação, por si admitida, é exactamente igual àquela que Sócrates descreve na sua relação com Santos Silva, ao ponto de nos relatos de ambos se apontar para a longevidade das amizades em causa e para o nível de vida desafogado de quem emprestou como razões para justificar os pedidos ou a aceitação dos empréstimos. Valupi

 

É óbvio que, a ser verdade o que consta na acusação a Sócrates, há diferenças de grau e natureza nas relações José Sócrates-Santos Silva e Carlos Alexandre-Orlando Figueira, mas Valupi tem toda a razão quanto ao "vendaval de libertinagem". Não me lembro de ver coisa semelhante na imprensa. Se antes apenas havia a desconversa dos advogados de Sócrates, desde que Rio chegou ao poder, em vez do banho de ética temos tido mais a shit hitting the fan (a ventoinha é o Observador), que conspurca a entourage do líder laranja; anteontem ouvimos Carlos Alexandre desculpar Orlando Figueira com argumentos dignos de uma personagem interpretada por Vasco Santana; ontem Paulo Futre, num crescendo de suor, defendeu em directo o "jogo da mala", que para o esquerdino é mau quando compram os jogadores para que percam, mas não quando são incentivos para que ganhem e empatem; e hoje, 6 milhões de incansáveis Benfiquistas, levando por arrasto também os portistas de rabo preso, continuam a transformar Portugal na pátria do relativismo moral. 

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