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OURIQ

Um diário trasladado

OURIQ

Um diário trasladado

10
Fev18

Maria de Lurdes Rodrigues


Eremita

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Imagem do Público, por mim manipulada para efeitos dramáticos.

Se, há duas décadas, me tivessem pedido para definir o cúmulo do aborrecimento, teria respondido: uma carreira nas "ciências da educação". Entretanto, a atribulada e surpreendente vida pública de Maria de Lurdes Rodrigues fez-me mudar de ideias. Não há nada como uma ligação à política para sacudir a pasmaceira académica. 

 

09
Fev18

Ama-San


Eremita

Um autor sério não deve ser responsabilizado quando não corresponde às expectativas. Aliás, se for para culpar o autor pelo desacerto entre aquilo que ele fez e o que pensava que ele tinha feito, seria obrigado a agradecer-lhe também pela longa ilusão de que um dia iria ver e gostar de Ama-San, o que gerou um gozo real e prolongado. Feitas as contas, o melhor é deixar o autor em paz*.

 

* Declaração de interesses: há uns tempos, a L. foi com as nossas gémeas a uma audição a Lisboa para um novo projecto da realizadora de Ama-San. As bebés não terão impressionado o suficiente e não garanto que o pai tenha ficado indiferente ao que foi a primeira rejeição oficial das suas meninas, embora me esforce diariamente para não me deixar contaminar pelo ressentimento. Infelizmente, o ressentimento é uma força subterrânea e poderosíssima!

09
Fev18

Sobre os rankings das escolas


Eremita

Para que os chamados temas fracturantes (orientação sexual e adopção, transexualismo, aborto, eutanásia, bem-estar dos donos e dos seus animais de estimação versus segurança de crianças na via pública, etc.) e os temas recorrentes (prevenção e combate aos fogos, rankings das escolas, Natal e ateísmo, etc.) sejam discutidos ciclicamente com desembaraço, a amnésia é fundamental, ou seja, não devemos citar o que outros já escreveram sobre o assunto, pois é grande o risco de nada termos para acrescentar, nem recordar o que já lemos, para que o texto novo funcione como mais uma dose da droga capaz de suspender a ressaca. À falta de argumentos novos, tendo a desperdiçar a pouca lucidez que me escapa durante estas pedradas induzidas pela leitura a comparar estilos. E de vez em quando encontro alguém que ainda é capaz de escrever sobre este tema com elegância e referências tão pertinentes que só mesmo a amnésia instrumental a que me referi explica que não seja copiado por todos os outros. 

 

Atribui-se geralmente a um sociólogo e político inglês, Michael Young (1915-2002), a paternidade da palavra “meritocracia”, que surge como um significante-mestre num romance satírico que ele publicou em 1958, com este título: The Rise of Meritocracy. Nesse romance, um sociólogo narrador situado no ano de 2033 conta e comenta o extraordinário progresso conseguido no seu país ao longo dos últimos cinquenta anos, graças à superação das velhas ideologias igualitárias e graças ao triunfo da meritocracia. A intervenção no campo da educação e das instituições escolares tinha desempenhado um papel crucial na grande transformação: primeiro, as escolas tinham simplesmente seguido a economia na luta pelos mercados, mas a certo ponto uma nova política tinha feito da escola o lugar de experimentação de estratégias mais eficazes e sistemáticas de separação dos inteligentes face aos estúpidos, um processo que depois se impôs com sucesso a outros sectores. E, na fase mais avançada deste processo, as indústrias começaram a aplicar medidas selectivas com base no modelo da escola. No fim, até o exército tinha aprendido a lição escolar. O romance de M. Young é uma utopia negativa. E o seu autor cunhou a palavra “meritocracia” com uma evidente intenção crítica. Mas ela foi reciclada e passou a ter um significado plenamente positivo. E o processo descrito no romance para construir uma escola apta a transformar uma aristocracia de nascimento numa aristocracia de engenho parece ter inspirado a campanha dos rankings, que chega sempre à meia-noite, como o Pai Natal. Tal como no romance de M. Young, a escola “democrática” é assaltada pela lógica do clube selectivo que funciona por cooptação. A concorrência e a competição promovidas pelo rankingà imagem da norma do mercado tornam-se um factor importante da reprodução social. A estrutura social das escolas é cada vez mais afectada pelas estratégias de distinção das famílias. O ranking, no fundo, simula um mercado escolar que verdadeiramente não existe. E se existe como um quase-mercado, ele não é fruto de uma lógica espontânea, não se faz naturalmente por obra das “leis imanentes” do capitalismo (como pretendem os partidários da lógica do mercado aplicada ao campo escolar), mas de uma construção política. E essa construção tem no ranking das escolas uma poderosa ferramenta. António Guerreiro

08
Fev18

Auto da Ajuda*


Eremita

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Jordan Peterson

Tenho uma nova mania: ouvir, quando estou sozinho no Citroën, quem vive de dar conselhos de vida, considerando um espectro largo, que vai do tele-evangelista Joel Osteen ao psicólogo Jordan Peterson. Ainda não percebi se o faço por turismo intelectual, como investigação para um projecto literário (nunca te enamores de um título antes de teres o texto, devo acrescentar) ou oportunidade para absorver ensinamentos sem manchar a minha reputação de ateu racional e céptico. 

 

* "Auto da ajuda" pareceu-me demasiado óbvio para ainda não ter sido usado e fui ver. Surge quatro vezes no Google: como nome de uma performance de dança e poemas (direcção de B. de Paiva), nome de um livro no livro Puta Merda!, de Jerome Vonk, e como expressão em dois posts (1 e 2). Prova-se assim que não fui original, porém juro que fui autónomo, o que basta para que continue a usar este nome algo juvenil, mas que tanto me agrada. 

 

07
Fev18

Saber sair


Eremita

Tudo tem um tempo e termina hoje esta minha crónica no PÚBLICO. Agradeço à então directora, Bárbara Reis, que me convidou, e ao actual director, David Dinis, o acolhimento amável para este blog que, com os meus parceiros, Ricardo Cabral e Bagão Félix, foi sendo um espaço de escrita polémica, espero que por vezes rebelde. Nunca me foram pedidos limites a essa liberdade de opinião e sempre me senti em casa neste jornal de referência. Foi um gosto. Até um dia. Francisco Louçã

 

Alberto Gonçalves não resistiu a dramatizar a sua saída do Diário de Notícias, como se houvesse lugares cativos e os colunistas entrassem nos jornais por concurso público. Francisco Louçã mostra como se faz. 

 

05
Fev18

Sobre o mito do escritor português esquecido


Eremita

A dinâmica de populações, uma disciplina da Biologia, diz-nos que não podem existir os vampiros imortais que transformam as suas presas em vampiros como eles, pois em poucos anos deixaria de haver seres humanos que os alimentassem. Porém, tal como há quem acredite em vampiros, são muitos os críticos literários que pensam que os leitores são imortais e têm poderes sobrenaturais, nomeadamente ao nível da memória e do speed reading, pois outro modo não se percebe que estes críticos escrevam como se a acumulação de obras ao longo da História e a finitude da nossa existência não conduzissem inevitavelmente a maior parte dos escritores ao esquecimento. Daí o gozo que se experimenta ao ler este bem nutrido e divertido texto de Luís Miguel Rosa.

05
Fev18

Zé Pedro


Eremita

Correndo o risco de me revelar como o único que considerava o Zé Pedro um homem atraente, surpreendeu-me ninguém o ter mencionado nos testemunhos que li ou ouvi. É verdade que nos media só ouvi lamentos de homens, o que também daria pano para mangas, mas já vai sendo tempo de a rapaziada heterossexual reconhecer que é sensível à beleza, carga erótica ou carisma  de outros homens. Zé Pedro não era propriamente belo, o que ele tinha era um ar heroin chic avant la lettre e depois das drogas, se é que não me perdi nesta formulação, e pode ter sido traído pelas vísceras, mas por fora foi bafejdo pela sorte, mantendo o cabelo, o rosto anguloso e o corpo esguio aos 60 anos - tal como um pinheiro de Natal é capaz de absorver e harmonizar os penduricalhos mais incompatíveis, tudo ficava bem no corpo de Zé Pedro, mesmo aquele exagero de pulseiras, mesmo os lencinhos à Xutos a tresandar a merchandising, mesmo as cicatrizes no abdómen. Conheço algumas pessoas que, se morressem amanhã, despertariam entre os seus conhecidos comentários semelhantes no tom e conteúdo aos que ouvi sobre Zé Pedro. São pessoas tão simpáticas, empáticas, genuínas e fisicamente atraentes que passam a viver num estado de graça permanente em que tudo lhes é permitido e tolerado. Desenganem-se aqueles que julgam estar o texto a orientar-se para uma repreensão moralizadora do estilo de vida de Zé Pedro que lhe terá custado a vida. O que me fascina mesmo é o estatuto destes sedutores naturais, o modo como abdicamos voluntariamente da noção de equidade e experimentamos uma leve embriaguez secreta no tratamento especial que lhes damos. 

 

 

 

04
Fev18

Ainda a puta da actualidade


Eremita

Já inventei um censor para manter esta casa no rumo certo, mas não tem funcionado. O Ouriquense é cada vez menos um diário trasladado e um blog de actualidades, que embarca nas polémicas do momento. O único benefício foi ter atraído no último ano comentadores muito bons, depois de uma década a escrever para o boneco. Mas é preciso voltar a jugar por abajo, mesmo correndo o risco de voltar a ficar sozinho. Ler, escrever, ignorar as crónicas de João Miguel Tavares, canalizar toda a energia das polémicas sobre política identitária para a série Canhotismo, recuperar as muitas séries entretanto interrompidas, começar a cruzá-las e montar um labirinto de links que aprisione o leitor, mas sem recorrer a fotografias de criaturas despidas e suadas ou outras estratégias de fidelização fáceis, reescrever posts e assumi-lo sem medo do ridículo. Será assim tão difícil? Enfim, fica uma recomendação: o blog de Luís Miguel Rosa, que sabe da poda e não perde tempo com o João Miguel Tavares. Vou mesmo, com requintes de um ritual de sacrifício, eliminar agora o blog de Jacinto Lucas Pires para dar lugar ao Homem de Livro, de Luís Miguel Rosa, como se a houvesse numerus clausus para a lista de blogs da coluna da direita, aproveitando para recomendar a leitura do ensaio William T. Vollmann.

 

P.S. : copio para aqui links de alguns dos artigos mencionados por Luís Miguel Rosa porque me dá jeito, mas o melhor é lerem o ensaio, que contextualiza estas referências. 

 

The Literature of Exhaustion, John Barth, 1967

Prizes, Surprises and Consolation Prizes, William H. Gass, 1985

Mr. Difficult: William Gaddis and the Problem of Hard-to-Read Books, Jonathan Franzen, 2002

American Writing Today: A Diagnosis of the Disease, William T. Vollmann, 2004

 

 

 

 

 

03
Fev18

Da coragem


Eremita

Denunciar os exageros óbvios do movimento #MeToo é infinitamente mais fácil do que enfrentar Tariq Ramadan. Embora corram cálculos probabilísticos na minha cabeça, não faço um julgamento antecipado de Tariq Ramadan; limito-me a sublinhar a coragem necessária para uma mulher acusar de violação um dos muçulmanos europeus mais poderosos, o neto do fundador da Irmandade Muçulmana, o académico de prestígio que é também o grande crítico da islamofobia e uma autêntica celebridade mediática no universo francófono. Só a hegemonia mundial da cultura anglo-saxónica faz com que as acusações a Harvey Weinstein sejam consideradas mais relevantes do que o que se está a passar com Tariq Ramadan, porque é difícil imaginar outro cenário que supere a actualidade enquanto exemplo de um verdadeiro "choque de civilizações", cujas consequências para as mulheres muçulmanas e a segurança na Europa são, por agora, imprevisíveis. Que ninguém duvide: nada disto estaria a acontecer se não fosse o movimento #MeToo


L’affaire, qui met en cause cette figure centrale de l’islam européen, s’annonce donc difficile. Certes, de multiples témoignages publiés sur Internet ou rapportés par la presse ont peu à peu dressé le portrait d’un homme multipliant les relations féminines, à mille lieues de celui qui mettait sans cesse en garde les musulmans contre les rapports sexuels hors mariage, en leur rappelant que c’est « devant Dieu qu’il nous est donné la possibilité de vivre une relation avec une femme ». Mais le petit-fils du fondateur des Frères musulmans a toujours dénoncé une « campagne de calomnie ». D’abord soutenu par bon nombre de ses fidèles, l’islamologue a vu son aura fissurée par la multiplication des témoignages.
En Suisse, les journaux ont ainsi rapporté les récits d’anciennes élèves des deux collèges suisses où Tariq Ramadan avait enseigné. Ces jeunes femmes affirmaient que, alors qu’elles étaient âgées de 16 à 18 ans, et donc mineures, ils les avaient séduites et convaincues d’avoir des relations sexuelles avec lui.
Même si la plupart de ces affaires sont prescrites ou si aucune autre femme n’a porté plainte, hormis Henda Ayari et « Christelle », ces témoignages ont d’abord pétrifié les autorités musulmanes. Et peu à peu brisé sa réputation.
Le 7 novembre 2017, l’université d’Oxford a décidé « d’un commun accord » avec Tariq Ramadan la mise en congé immédiate de ce dernier du poste de professeur d’études islamiques contemporaines qu’il occupe dans un de ses collèges. Ces derniers jours, c’est le Qatar, qui finance la chaire de théologie – elle porte le nom de Sa Majesté Hamad Ben Khalifa Al-Thani, émir du Qatar de 1995 à 2013 – occupée jusque-là par M. Ramadan, qui a laissé entendre que celui-ci n’était plus le bienvenu dans l’émirat. Le Monde

 

02
Fev18

Viva Manuel João Neto


Eremita

Há dias, encontrei na livraria francesa de Lisboa um livro português. Ou melhor: a tradução portuguesa de um livro de um escritor americano: o livro chama-se Central Europa (título original: Europe Central), o seu autor chama-se William T. Vollmann e foi traduzido em português por Manuel João Neto e a editora é uma “sociedade unipessoal” chamada 7 Nós, que já tinha editado um livro de contos do escritor e outras raridades. Tudo aqui é estranho e, ao mesmo tempo, muito eloquente: uma pequena editora, que se apesenta como “sociedade unipessoal”, edita um livro precioso e inclassificável (ficção, historiografia, romance histórico, sucessão de histórias que se situam na Alemanha e na União Soviética durante a Segunda Guerra Mundial), de um grande escritor que desdenha olimpicamente dos modelos romanescos de uma literatura homogeneizada, fiel aos estereótipos do género, universal na sua menoridade. O autor da tradução portuguesa deste livro que tem mais de novecentas páginas é um nome que não conseguimos localizar em nenhum território publicamente conhecido da coisa literária. Que louco é este que investiu um bom pedaço de vida numa tarefa gigantesca e silenciosa, condenada a uma quase clandestinidade? A pergunta não é retórica: gostava de saber quem é e presumo que é um perdulário obsessivo, de paixões fortes por certos livros e muito imprudente. António Guerreiro

 

Se o leitor pesquisar o nome “Manuel João Neto” no Google, será colocado perante um dilema: a hipótese extraordinária de que existe em Portugal um canalizador que traduziu para português um calhamaço do norte-americano William T. Vollmann (e também este livro do mesmo autor) versus a hipótese mais prosaica de que a tradução foi feita por um seu homónimo que é tradutor, ensaísta, licenciado em Direito e pós-graduado em sociologia da arte. Creio que a parcimónia nos obriga a optar pela segunda hipótese e seria caprichoso admitir uma terceira hipótese, de verosimilhança intermédia relativamente às duas anteriores, que seria a existência de um único Manuel João Neto, canalizador pós-graduado em sociologia da arte e tradutor de Vollmann.

 

O Google também nos ensina que Manuel João Neto nasceu em 1982, que "foi o responsável editorial, entre 2001 e 2009, pela revista Acto", que "publicou textos teóricos em diversas publicações (e.g. 1, 2), tendo sido, mais recentemente, o autor dos ensaios críticos dos catálogos das exposições colectivas MV/C+V (2009) e Guimarães – Arte Contemporânea (2011), ambas realizadas no Centro de Exposições do Centro Cultural Vila Flor (Guimarães)"; que se envolveu "em projectos colaborativos com a Associação Soopa e com o curador/programador Ivo Martins"; que "trabalha regularmente na escrita e revisão de textos"; que tem obra publicada como autor. Não se trata aqui de corrigir António Guerreiro, antes pelo contrário. O cronista apenas exagerou o ostracismo de Manuel João Neto para frisar o elogio que lhe faz, aproveitando para deixar subentendido que no "território publicamente conhecido da coisa literária" impera a menoridade. Entenda-se o relativo anonimato de Manuel João Neto como a prova de que a sociedade não está completamente homogeneizada e ainda há nichos onde um "perdulário obsessivo" pode existir.

 

 

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Comentários recentes

  • Anónimo

    Não chores, Eremita.

  • Eremita

    Mas o que fiz eu a Deus para ter de te aturar, anó...

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    É do melhor, aqui também (lead incluído).Vídeos“É ...

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    Também tu, brutus?_____4 de Novembro de 2019.Nota....

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