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OURIQ

Um diário trasladado

OURIQ

Um diário trasladado

16
Fev18

Da relevância dos "efeitos especiais" no cinema


Eremita

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fonte 

A exibição da série 007 que com diferentes actores protagonistas se mantém desde os anos cinquenta e que por estes dias podemos ver no Canal AMC comprova-o: o mais relevante progresso tecnológico dos últimos 40 anos tem que ver com os “efeitos especiais” no cinema. De resto, tirando o tratamento da informação, a sua portabilidade e a robótica (coisas de duvidosa utilidade), as mais decisivas realizações tecnológicas são já antigas – a última ida do Homem à Lua aconteceu nos anos 70, e desde então a duração de uma viagem de avião entre Lisboa e Nova Iorque não tem progressos significativos, assim como os standards da Alta-Fidelidade ou da locomoção automóvel. Há mais de quarenta anos que o progresso encalhou e vivemos iludidos pelo circo digital. João Távora

 

Que alguém explique ao João Távora: o Large Hadron Collider (a máquina mais sofisticada construída pelo homem), a sequenciação do genoma humana, a investigação em células estaminais, a terapia anti-retroviral (que transformou uma doença fatal como a SIDA em doença crónica), a aterragem em Marte do Mars rover Curiosity, a erradicação da varíola, a Nano-Scale Microscopy, a célula solar de película fina... Enfim, o João Távora pode viver iludido pelo circo digital, mas terá de reconhecer que foi uma opção pessoal. Aliás, sem sair do circo digital, bastar-lhe-ia escrever "Concorde" no Google para perceber que até a duração de uma viagem transatlântica teve, durante uns tempos e para algumas carteiras, "progressos significativos". Mas ainda mais fascinante do que os erros factuais é o tom crítico de João Távora. Admitamos que o João tem razão na descrição que faz - é irrelevante. Seria surpreendente descobrir que as descobertas e invenções mais significativas foram feitas antes de o homem chegar à Lua? Quantos milhares de anos de invenção tecnológica precedem a ida à Lua? Quantas oportunidades de apanhar a low-hanging fruit entretanto desaparecida? 

 

 

 

15
Fev18

"Exactissimamente"


Eremita

Seria errado propor que este desequilíbrio de opinião ou de ênfase acontece porque a direita se identifica mais facilmente com os impulsivos perpetradores da violência doméstica (ou com os alvos dos linchamentos revanchistas) do que com as vítimas de assédio, tantas vezes frágeis e impotentes, propícias a sucumbir na evolução das espécies. Não é isso. Acontece é que a violência machista, mesmo que sabidamente nefasta, é um continuum histórico, enquanto a «revolta feminista» é, precisamente, uma tentativa de quebrar o continuum histórico. E os conservadores sempre se incomodaram mais com as rupturas do que com as injustiças. Rui Ângelo Araújo

15
Fev18

Os intelectuais e a ciência


Eremita

The historian of science David Wootton has remarked on the mores of his own field: "In the years since Snow’s lecture the two-cultures problem has deepened; history of science, far from serving as a bridge between the arts and sciences, nowadays offers the scientists a picture of themselves that most of them cannot recognize." That is because many historians of science consider it naïve to treat science as the pursuit of true explanations of the world. The result is like a report of a basketball game by a dance critic who is not allowed to say that the players are trying to throw the ball through the hoop. Steven Pinker

15
Fev18

Ostras no deserto


Eremita

Hoje, ao acordar, a M. rejeitou o biberão com leite. Protestou bastante e demorei algum tempo a perceber que queria um biberão com rosca verde e não amarela. A cada dia que passa, há uma nova exigência. Tenho confirmado a noção de que os bebés e as crianças gostam - e precisam - de rotinas, mas essa necessidade existe em paralelo com um comportamento caprichoso, imprevisível e errático, que só têm paralelo nas exigências extravantes das super-estrelas do rock.  

14
Fev18

Tony Robbins


Eremita

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Tony Robbins vem à capital

Creio que me cruzei com Tony Robbins durante alguma madrugada de zapping alientante, nos primórdios da TV shop em Portugal, ou seja, há décadas, mas nunca o ouvi, apenas sei que é a grande referência dos motivational speakers, um homem já mundialmente famoso neste estranho universo do pensamento positivo quando Gustavo Santos ainda estava por se materializar. Devemos ter em relação a esta gente, tão dada à autopromoção, a mesma desconfiança com que tratamos os comerciantes da área da restauração, mas acredito piamente que Robbins está mais perto de ser o melhor do mundo na sua área do que um qualquer pasteleiro de Campo de Ourique de fazer o melhor bolo de chocolate ou de um retornado instalado nos subúrdios ser, efectivamente, o rei dos frangos. Não atribuo um significado especial à coincidência de Robbins vir a Lisboa numa altura em que comecei uma audição comparada de motivational speakers, mas foi o suficiente para que tivesse procurado o seu podcast, que irei escutar depois de publicar este post; estou também já a tratar da logística que me permitirá ouvir Robbins ao vivo sem sair de Ourique, recorrendo aos serviços do moço de recados. Haverá novidades em breve, mas desenganem-se já aqueles que vêem neste capricho ouriquense uma forma fácil de escárnio ou de atingir o higher moral ground, pois tudo começou com a constatação de que os podcasters mais carismáticos que ouço, como Marc Maron ou Joe Rogan, ou mesmo as raparigas de Guys we Fucked são, em grande parte, motivational speakers encapotados, e muito provavelmente devem o sucesso a essa característica (aliada a uma sinceridade pouco habitual). 

 

13
Fev18

Adolfo rules


Eremita

Adolfo Mesquita Nunes out.jpg

Expresso

As reacções negativas a esta entrevista a Adolfo Mesquita Nunes voltaram a ser escritas por pessoas bizarras. São pessoas que se esforçam por exibir enfado perante o tema, quando a rapidez e empenho com que o comentam é uma prova indesmentível do interesse e curiosidade que elas, como todos nós, temos por estas matérias. São também pessoas que denunciam um ressabiamento desconcertante: o ressabiamento do heterossexual amuado por não ter idêntica oportunidade de "brilhar" às custas da sua orientação sexual, o que só pode resultar de uma falta de empatia, falta de inteligência ou irritação perante as conquistas da agenda progressista.

 

Permitam-me uma revelação à Francisco Seixas da Costa, o embaixador que diariamente nos lembra que palitou acepipes com todos os eleitos da pátria. Antes da eremitagem, quando ainda tinha uma carreira na ciência, vivia na capital e fazia tangentes à blogosfera política, conheci o Adolfo Mesquita Nunes. Se tivesse de recorrer ao esquema de classificação de relações de Seixas da Costa, creio que seria abusivo descrever o Adolfo como um "amigo pessoal", mas guardo dele a melhor das impressões, coincidente com a sua imagem pública de homem frontal, competente, sensato e despachado. Se, há quase uma década, até eu estava a par da orientação sexual do Adolfo, concluo que não era segredo para ninguém. Por isso, creio que o Adolfo terá passado ao longo da sua vida por outras situações em que, a propósito da sua orientação sexual, foi muito mais corajoso do que na entrevista ao Expresso, mas o facto de ser apenas o segundo político a assumir-se como homossexual, depois de Graça Fonseca*, dá à entrevista uma importância óbvia, para mais sendo o Adolfo de um partido com raízes na democracia cristã, até há pouco nas mãos de um líder carismático que entendeu nunca falar sobre a sua vida privada. Ao contrário de Eduardo Pitta, não defendo que a "inscrição pública" da orientação sexual de "governantes, intelectuais, artistas e, grosso modo, formadores de opinião" seja um dever cívico, mas aplaudo-a com uma intensidade directamente proporcional ao seu grau de dificuldade. 

 

*Miguel Vale de Almeida não entra nestas contas, por nele estar trocada a ordem dos factores; assumiu-se como homossexual muito antes da sua breve passagem pela política activa. 

 

11
Fev18

Méthodes oulipesques


Eremita

Não gosto de abusar das recomendações, mas não resisto a chamar a vossa atenção para um dos melhores Les Chemins de la Philosofie (programa de rádio e podcast da France Culture) que ouvi nos últimos meses, por mérito do convidado, Pierre Bayard. Imperdível para quem não leva a literatura apenas a sério, nem o humor apenas na brincadeira.
 

Des vies parallèles des écrivains aux méthodes oulipesques de Pierre Bayard. Combien sommes-nous ? Combien de personnalités hébergeons-nous sous notre peau? Et comment donner voix à cette foule qui grouille à l'intérieur de nous ?

Lectures

Pierre Bayard, L’énigme Tolstoïevksi (Minuit, 2017)

Marcel Proust, A la Recherche du temps perdu, (Pléiade, tome IV) p.14 (lecture par Denis Podalydès)

Extraits

Archive : « Radioscopie : Romain Gary » Jacques Chancel (10/06/1975)

Archive : Georges Perec (ORTF, 5/06/1969)

Références musicales

Jeanne Moreau, D’un monde parallèle

Ludwig Beethoven, Variations en Fa Maj op 34 pour piano 

Red Hot Chili Peppers, Parallel universe

 

11
Fev18

"Que aconteceu a D. Manuel Clemente?"


Eremita

Cardeal-Lusa-José-Coelho.jpg

Imagem da Lusa, que manipulei. 

Não deve haver neste país estatística mais sobrestimada do que a percentagem de "católicos praticantes", exceptuando a do tamanho médio do pénis a partir de estimativas pessoais. Ratzinger deixou menos viúvos do que Sócrates, o que não deixa de ser extraordinário. Se dúvidas houver quanto ao impacto nulo das mais recentes declarações de D. Manuel Clemente, leia-se a reacção inteligente e sensata de João Távora, o mais católico dos bloggers que acompanho. O que fica por responder é mesmo a transfiguração de D. Manuel Clemente:

Como é que alguém com estas qualidades se transfigura no defensor da "vida em continência", essa formulação sumamente hipócrita com que agora D. Clemente pretende obrigar os casais "irregularmente" recasados a abdicar de ter relações sexuais? Como é que um intelectual e homem de cultura de méritos reconhecidos pode sofrer uma regressão tão aparatosa de raciocínio e sentido do real, convidando implicitamente os recalcitrantes a abandonarem uma Igreja fechada sobre si própria e divorciada da sociedade? Como é que nestes tempos de tentações integristas e intolerância religiosa – de que o radicalismo islamista é a expressão mais extrema –, um homem como parecia ser D. Manuel Clemente se permite o pecado da inclemência e da falta de lucidez mais rudimentar? É verdadeiramente um mistério. Vicente Joge Silva

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