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OURIQ

Um diário trasladado

OURIQ

Um diário trasladado

04
Dez17

No peito de um suinicultor


Eremita

O produtor Francisco Guiomar conta que “os leitões são separados das mães aos dois meses, depois andamos 20 meses atrás deles”. Mais tarde, ao pé da balança já com o camião carregado com os porcos das suas duas herdades desabafa com a voz embargada: “isto é um negócio, mas ninguém sabe o que me dói ver abalar os porcos”. Vida Rural

 

Normalmente, o produtor treina entre dois a três porcos de cada vez, mas o trabalho destes farejadores no campo é feito por um animal de cada vez. O grande inimigo do nariz deste animal é o cio das fêmeas. "Depois de farejarem uma porca com cio, os animais já não prestam para nada. São capados e depois abatidos para produção de carne", referiu. Jornal de Notícias

02
Dez17

Tullius recomenda: duas boas discussões políticas


Eremita

 

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Sobre o futuro do Estado Social, na London School of Economics (a participação do painel de comentadores, que começa aos 36 minutos e 20 segundos, é mais interessante do que a palestra inicial) e sobre as regalias das empresas do sector das energias renováveis, tema debatido com preparação e inteligência por Jorge Costa (Bloco) e Pedro Silva Pereira (PS). Faz mesmo alguma diferença dominar os assuntos e saber discutir. Naturalmente, aqueles que se julgam eternos não devem abdicar de ouvir Paulo Baldaia a dizer coisas sobre o FCP, Pedro Adão e Silva e dizer coisas sobre música pop e Pedro Marques Lopes a dizer coisas. 

01
Dez17

Déjà lu


Eremita

Ouço regularmente dois podcasts norte-americanos feitos por mulheres e centrados nas questões de género: Double X, em que três jornalisttas discutem a actualidade política e cultural relevante para as mulheres, e Guys we Fucked, feito por duas humoristas de Nova Iorque e centrado no sexo, embora nada faça pelo onanista necessitado. No último Double X (de 29/11/2017), ouve-se a autora de um livro sobre o universo online masculno ligado à alt-right, ao anti-feminismo e aos men's rights,  que hoje se designa por "Manosphere". A descrição que a autora faz destes energúmenos, como criaturas sexualmente frustradas que toleram mal a emancipação sexual das mulheres, trouxe-me à memória, quase como um longo refrão, uma passagem do primeiro romance do francês Michel Houellebecq, que teoriza assim a desigualdade na satisfação sexual em sociedades abertas: 

Décidément me disai-je, dans nos sociétés, le sexe représente bel et bien un second système de différenciation, tout à fait indépendant de l'argent ; et il se comporte comme un système de différenciation au moins aussi impitoyable. Les effets de ces deux systèmes sont d'ailleurs strictement équivalents. Tout comme le libéralisme économique sans frein, et pour des raisons analogues, le libéralisme sexuel produit des phénomènes de paupérisation absolue. Certains font l'amour tous les jours ; d'autres cinq ou six fois dans leur vie ou jamais. Certains font l'amour avec une dizaine de femmes ; d'autres avec aucune. C'est ce qu'on appelle la "loi du marché". dans un système économique où le licenciement est prohibé, chacun réussit plus ou moins à trouver son compagnon de lit. En système économique parfaitement libéral, certains accumulent des fortunes considérables ; d'autres croupissent dans le chômage et la misère. En système sexuel parfaitement libéral, certains ont une vie érotique variée et excitante ; d'autres sont réduits à la masturbation et à la solitude. Le libéralisme économique, c'est l'extension du domaine de la lutte, son extension à tous les âges de la vie et à toutes les classes de la société. de même, le libéralisme sexuel, c'est l'extension du domaine de la lutte, son extension à tous les âges de la vie et à toutes les classes de la société..." Extension du domaine de la lutte

 

O romance é de 1994. Nos anos seguintes, panfletistas franceses profissionais como Alain Soral e, mais tarde, Éric Zemmour, publicaram obras contra o feminismo que hoje poderiam figurar na bibliografia obrigatória dos men's rights. A França tem uma fortíssima tradição panfletária, mas não me parece que tenha sido pioneira nestas teorias. Por outras palavras, não importa a geografia, mas o tempo. O que terá acontecido de relevante nas últimas duas décadas para que estas ideias extremistas se transformassem em movimento, se as grandes conquistas do feminismo nas sociedades ocidentais estavam já consolidadas no fim do século passado? Sem esquecer o impacto económico da globlização, no plano cultural arriscaria dizer que foi o protagonismo da internet e, em particular, das redes sociais. O Facebook, o Twitter e o Instagram não são apenas plataformas que congregam pessoas em torno de ideias, mas espaços em teoria igualitários que, na verdade, põem os machos beta em contacto permanente com o sucesso social (e sexual) dos machos alfa, quantificado em likes, retweets e colecções de caras e corpos apetecíveis, exarcebando o mecanismo descrito por Houellebecq. Como há nesta explicação psicologia evolutiva, que é uma das disciplinas mais entediantes e sobrevalorizadas, compenso o leitor com um ritual de acasalamento imperdível.

 

 

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Comentários recentes

  • Anónimo

    Não chores, Eremita.

  • Eremita

    Mas o que fiz eu a Deus para ter de te aturar, anó...

  • Anónimo

    É do melhor, aqui também (lead incluído).Vídeos“É ...

  • Anónimo

    Também tu, brutus?_____4 de Novembro de 2019.Nota....

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    E Cristina Miranda caberia?

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