Saltar para: Posts [1], Pesquisa [2]

OURIQ

Um diário trasladado

OURIQ

Um diário trasladado

15
Out17

Ferros curtos


Eremita

Este é um tema magno que requer a intervenção do Plúvio, mas creio que Pedro Adão e Silva deixou de usar a expressão "eu parece-me" há vários anos, assim se provando que o homem socialista pode realmente transformar-se. Embrulhem, liberais. 

 

Alberto Gonçalves, apesar de toda a sua preguiça, foi certeiro na descrição de um "peru emproado". 

 

Correia de Campos mostra-se agora cauteloso quanto à inocência do amigo Sócrates. Enquanto isso, Valupi diz-nos que os advogados de Sócrates se apresentam "genuinamente emocionados", o que sugere a inocência de Sócrates. O que dizer? Correia de Campos e Valupi são homens inteligentes e informados. Mas apenas Valupi fez do combate à "Operação Marquês" o seu cavalo de batalha. A acusação a Sócrates parece ter transformado o sensato e céptico Valupi num intérprete das emoções e body language de advogados, uma actividade tão credível como a dos médiuns. Receio estarmos perante um fenómeno descrito pelos evolucionistas como a "falácia do Concorde": Valupi já investiu tanto na denúncia das falhas da Operação Marquês que tem de persistir, mesmo comprometendo a sensatez. Acontece muito na evolução das espécies, na economia, no amor e nas discussões. 

 

13
Out17

Sócrates e o Bosão de Higgs


Eremita

O Valupi pergunta: "quem tem medo dos factos?" Eu preferia "desfulanizar" e perguntar primeiro como um facto constitui prova num caso de corrupção, porque a dúvida é genuína. Já apanhei de ouvido que é muito difícil produzir prova em casos de corrupção. Admitindo a inexistência de um vídeo que capte um acto de corrupção activa de Salgado a Sócrates, o que pode constituir prova? Várias denúncias concordantes? Uma acumulação de factos suspeitos, como transferências bancárias explicadas com recurso a coincidências? Ora, para uma coincidência podemos estimar uma probabilidade. Até quantas coincidências resiste a credulidade de um homem, então?

 

Mesmo a experiência que sustenta a descoberta do Bosão de Higgs e foi unanimemente aceite pelos físicos e celebrada no mundo inteiro não nos deu uma certeza absoluta, porque tem um valor de P de 3x10-7. O que isto quer dizer é que a probabilidade de observar os mesmos dados da experiência sendo o Bosão de Higgs inexistente é de 1 em cerca de 3.5 milhões. Começar a discutir o problema da indução a propósito da acusação a Sócrates é ridículo, mas seria útil que os defensores da tese da conspiração política dissessem o que seria necessário para os convencer da culpabilidade de Sócrates. Se não o fizerem terão a credibilidade dos charlatões que promovem teorias pseudo-científicas, impossíveis de testar, pois é óbvio que até a incerteza associada a um valor de P de 3x10-7 usarão como argumento. Digam lá o que seria suficiente para vos convencer. Quem tem medo das hipóteses?

 

13
Out17

Verosimilhança e consequência


Eremita

Rui Tavares pergunta: "Podemos passar pelo “caso Sócrates” sem tirar lições?" Aparentemente, Tavares não parte do pressuposto de culpabilidade que anima, por exemplo, João Miguel Tavares. A distinção subtil usada por Tavares é entre verdade e verosimilhança. Tavares não sabe se Sócrates é culpado, mas como a acusação parece verosímil, devemos já começar a tirar lições. Esta precipitação é tão ilógica como inevitável. No fundo, a sociedade civil não está preparada para um caso destas proporções. Sobre o mesmo tema, a redacção de Rui Ramos é menos sonsa e leva uma nota superior à de Tavares. Ramos diz que o que o próprio Sócrates já admitiu é suficiente para que tiremos as lições. Também me parece. Resta saber se a "cultura de cumplicidade" que Ramos critica se aplica apenas à entourage de Sócrates e Ricardo Salgado ou se também podemos dar como exemplo a rede que juntava tantos bons rapazes com ligações a Cavaco Silva.

 

 

12
Out17

O Primeiro-Ministro ia, alegadamente, nu


Eremita

Agora que há acusação a Sócrates, vamos ter muito revisionismo para efeitos de preservação da imagem e acertos de contas entre comentadores, que se agruparão da seguinte forma: os socráticos desinibidos, um grupo ainda representado no povo mas cada vez mais rarefeito entre as elites (quase uma abstracção teórica), que junta quem defende a inocência de Sócrates e promove a tese da perseguição política; os socráticos envergonhados, essencialmente uns formalistas de circunstância, a quem dá jeito continuar a lembrar as fugas ao segredo de justiça; os convictamente formalistas, que, independentemente de quem foi acusado, estão preocupados com o funcionamento do Ministério Público, e a metade simétrica deste espectro que comecei a esboçar e não tenho paciência para terminar. Não haverá grande pachorra para estes acertos de contas. O que ontem me pareceu notável foi a total ausência de presunção de inocência nos comentários que ouvi na televisão - a cada cinco segundos, no sofá de sua casa, um telespectador socrático iria gritando "alegadamente" num crescendo de irritação, enquanto ouvia o que eu ouvi - "alegadamente, caralho!" Este é um dos efeitos perniciosos da fuga ao segredo de justiça. Como, a acreditar nos jornais, a acusação confirma as fugas ao segredo de justiça, criou-se uma ilusão de credibilidade que reforçou a convicção de que Sócrates fez mesmo tudo aquilo, o que - com raríssimas excepções - pôs os comentadores a falar como se estivéssemos perante factos consumados e interpretações irrefutáveis Tudo isto é um pouco assustador. Como é assustador especular que, não tendo havido fuga ao segredo de justiça, jamais teriam sido criadas condições para que uma investigação desta envergadura durasse tanto tempo e chegasse a uma acusação, uma possibilidade que não legitima a fuga ao segredo de justiça, antes torna todo este processo ainda mais paradoxal. 

 

Melhor do que o que ouvi ao serão foi o que li esta manhã, de alguém que parece ter alguma autoridade moral para descrever os anos socráticos como a versão republicana da história do rei que ia nu. Alegadamente, claro, pois aqui em Ourique somos todos formalistas convictos desde tenra idade. 

 

O que me traz é constatar que as conclusões a que cheguei não são de quem alguma vez esteve no inner circle de Sócrates, mas de quem, embora tendo tido alguma proximidade funcional a Sócrates (fui eu o responsável pelo parecer negativo ao Freeport, que levou ao meu afastamento imediato do processo e ao bloqueio da minha carreira na função pública até hoje, ao mesmo tempo que os responsáveis por esse tipo de procedimento, ilegítimo, continuam por aí, beneficiando dessa subserviência canina: ainda nestas eleições o responsável mais directo por este exemplo de submissão da administração pública a interesses privados foi o cabeça de lista do PS à Câmara de Bragança), estava longe de ver de perto a actuação de Sócrates. Henrique Pereira dos Santos 

06
Out17

Padre António Vieira protegido por Skinheads


Eremita

O que leva a que Mamadou Ba seja apresentado como activista e as pessoas do outro grupo como neo-nazis? Eles não são activistas? Pelos vistos activam tanto quanto o senhor Mamadou Ba. É que isto de uns serem activistas e outros neo-nazis  já começa  a cansar. Helena Matos

Helena Matos está tão cansada que já se esqueceu do que uns "activistas" fizeram a Alcindo Monteiro e a José Carvalho. Em assassínios, o marcador regista: activistas neonazis 2 : activistas SOS-racismo: 0. Convém não esquecer. Não há equivalência moral possível. Quanto a importar as polémicas que andam a agitar os EUA e o Reino Unido sobre o racismo de figuras históricas, fazendo do Padre António Vieira um alvo, parece forçado e contraproducente, entre outras razões porque em relação aos negros o padre tinha a posição da Igreja da época. Não tendo chegado à sua estátua, Mamadou Ba vai propor a censura da obra de Vieira? Isto não vai acabar bem

04
Out17

A família Lobo Antunes explicada às criancinhas


Eremita

Analisando a evolução social dos apelidos, o economista Gregory Clark conclui que a genética é determinante para vencer na vida. É uma conclusão terrível, mas a entrevista não tem um único comentário. 

O que conclui a partir daí?
A principal conclusão que se pode tirar do estudo da evolução social dos apelidos é que é muito difícil, em qualquer sociedade, uma alteração radical do estatuto social. Quanto mais alargado o período de estudo, mais probabilidades há de observarmos alterações mais significativas, mas estes processos de mudanças sociais são lentos e surpreendentemente impermeáveis a momentos de agitação social ou de mudanças de regime, e não parece haver nada que afecte estas velocidades de mobilidade social.

 

Estamos presos no estrato social em que nascemos?
Claro que não é uma situação estática e podemos sempre observar movimentos, até porque as pessoas das classes mais baixas tentam sempre subir de estrato social, mas são processos muito lentos. (...) A boa notícia destes estudos é mostrarem que, no longo prazo, todos tendemos para a igualdade; a má notícia é que o longo prazo parece demorar cerca de 300 anos.

 

Há alguma vantagem em estudar pessoas em vez de apelidos?
A nossa base de dados tem 170 mil pessoas e as análises a essa informação já produziram descobertas muito interessantes. Os dados parecem sugerir que a herança genética é uma das principais razões para a fixação dos estatutos sociais.

 

A natureza é mais forte do que o berço?
A informação que analisámos aponta esmagadoramente para que assim seja. (...) Simplificando: para o nosso estudo, os avós servem apenas de fonte de informação do estatuto genético subjacente aos pais, ou seja, completam a informação para que se determine se estamos perante uma linhagem “alta” ou, ao invés, uma linhagem “baixa” que por alguma razão teve sorte e conseguiu subir na vida, e se essa sorte se prolongará nas gerações futuras.  Público

Pesquisar

Comentários recentes

  • Eremita

    Bem, eu tinha a certeza de estar a escrever o que ...

  • Anónimo

    Até as piadas lhe andam a sair ao lado. O post sob...

  • Kruzes Kanhoto

    Ferro é um figurão grotesco da nossa democracia. H...

  • marina

    os inquéritos dos "vitorianos" tipo confissões e ...

  • Anónimo

    Eremita: só vi depois mas concordo muito com o JPP...

Links

WEEKLY DIGESTS

BLOGS

REVISTAS LITERÁRIAS [port]

REVISTAS LITERÁRIAS [estrangeiras]

GUITARRA

CULTURA

SERVIÇOS OURIQ

SÉRIES 2019-

IMPRENSA ALENTEJANA

JUDIARIA

Arquivo

    1. 2019
    2. J
    3. F
    4. M
    5. A
    6. M
    7. J
    8. J
    9. A
    10. S
    11. O
    12. N
    13. D
    1. 2018
    2. J
    3. F
    4. M
    5. A
    6. M
    7. J
    8. J
    9. A
    10. S
    11. O
    12. N
    13. D
    1. 2017
    2. J
    3. F
    4. M
    5. A
    6. M
    7. J
    8. J
    9. A
    10. S
    11. O
    12. N
    13. D
    1. 2016
    2. J
    3. F
    4. M
    5. A
    6. M
    7. J
    8. J
    9. A
    10. S
    11. O
    12. N
    13. D
    1. 2015
    2. J
    3. F
    4. M
    5. A
    6. M
    7. J
    8. J
    9. A
    10. S
    11. O
    12. N
    13. D
    1. 2014
    2. J
    3. F
    4. M
    5. A
    6. M
    7. J
    8. J
    9. A
    10. S
    11. O
    12. N
    13. D
    1. 2013
    2. J
    3. F
    4. M
    5. A
    6. M
    7. J
    8. J
    9. A
    10. S
    11. O
    12. N
    13. D
    1. 2012
    2. J
    3. F
    4. M
    5. A
    6. M
    7. J
    8. J
    9. A
    10. S
    11. O
    12. N
    13. D
    1. 2011
    2. J
    3. F
    4. M
    5. A
    6. M
    7. J
    8. J
    9. A
    10. S
    11. O
    12. N
    13. D
    1. 2010
    2. J
    3. F
    4. M
    5. A
    6. M
    7. J
    8. J
    9. A
    10. S
    11. O
    12. N
    13. D
    1. 2009
    2. J
    3. F
    4. M
    5. A
    6. M
    7. J
    8. J
    9. A
    10. S
    11. O
    12. N
    13. D
    1. 2008
    2. J
    3. F
    4. M
    5. A
    6. M
    7. J
    8. J
    9. A
    10. S
    11. O
    12. N
    13. D