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OURIQ

Um diário trasladado

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Um diário trasladado

22
Jul17

O glorioso Alberto Gonçalves


Eremita

Alberto Gonçalves tem uma prosa humorística superior à de Ricardo Araújo Pereira e só ainda não ganhou um prémio de crónica por ser de direita. Esta conclusão parece-me objectiva, apesar dos problemas domésticos que RAP me provoca e nunca escondi. Se dúvidas houver, leiam a última crónica no Observador de Alberto Gonçalves, um dos melhores exemplos do seu brilhantismo como humorista, mas também um exemplo do primado da forma sobre o conteúdo. Gonçalves escreve como se Helena Matos tivesse aprendido a pontuar a prosa e Henrique Raposo descoberto a subtileza literária, mas como é infinitamente mais engraçado e melhor escritor do que estes seus companheiros críticos do "marxismo cultural", o seu caso acaba por ser o mais trágico. Porque se é verdade que numa sociedade totalitária o humor desempenha um papel crucial, por servir para dizer o que não pode ser dito, numa sociedade aberta o humor apenas serve para não comprometer o autor. Um pensamento de direita convicto, que não seja meramente reactivo e irónico, implica uma coragem e uma qualidade de raciocínio raros. Existe em Portugal alguém com a coragem e clareza de Douglas Murray, um dos grandes críticos da multiculturalismo no Reino Unido? Duvido. Make no misktake: Murray também sabe ser hilariante, mas o seu humor é um bónus. Para agradar ao leitor de direita, Gonçalves passou a tomar as suas hipérboles pela realidade, inventando um país que não existe, e viciou-se no humor. Ele é - cada vez mais - um cronista para se levar a sério apenas na brincadeira.

20
Jul17

Sapiência e decência


Eremita

O discurso de André Ventura é despudoradamente eleitoral. Provavelmente saiu de um focus group que lhe diz que as suas possibilidades eleitorais estão nos segmentos ressentidos dos estratos mais baixos das classes médias que lutam arduamente para ter um nível de vida de mínima qualidade e que não atribuem as suas dificuldades às injustiças do mundo mas aos seus companheiros de sofrimento que estão um ou dois patamares abaixo e vivem em habitação social, recebem transferências sociais, têm vidas precárias. O que inspira André Ventura é a convicção de que as correntes sociais de estigmatização podem ser a sua oportunidade eleitoral.
Não me custa a acreditar que o jurista, professor universitário, etc André Ventura não fosse racista. Por isso mesmo o seu comportamento político é repugnante. Por não sair das catacumbas da ignorância de onde sai o PNR... Paulo Pedroso

 

Paulo Pedroso pode estar certo e não sobram dúvidas de que faz uma análise política convencional, com um grau de sofisticação muito sedutor, pois o leitor pela-se sempre por um processo de intenções: André Ventura não será um racista mas um oportunista, um cínico, um manipulador, enfim, um populista. Pode ser, sei lá eu. No que reparei mesmo foi num pressuposto elitista no raciocínio de Paulo Pedroso, que incomoda bastante no contexto em que escreveu. Segundo Pedroso, uma pessoa com instrução não pode ser ou - para ser mais rigoroso - provavelmente não será racista. Trata-se de uma ideia que até pode ter algum suporte empírico estatístico naqueles inquéritos em que os sociólogos estratificam as populações segundo o grau de instrução, mas não faltam exemplos de intelectuais associados a movimentos racistas ou xenófobos, dos primórdios da História aos dias de hoje. Independentemente dos números e da estatística, não podemos fazer aquilo que os franceses designam por "essencialisation", i.e., julgar os indivíduos por atacado, como meros exemplares de um grupo a que colámos um rótulo qualquer. Trata-se de uma regra preciosa, difícil de praticar por ir contra a nossa intuição e lógica probabilística, mas que é a única que nos permite lutar contra o racismo e o preconceito sem ignorar a realidade, sempre complexa e por vezes cruel. Por isso, analisar um comportamento aparentemente racista partindo de um pressuposto d'essencialization é, salvaguardadas as devidas distâncias, como praticar um crime para prender um criminoso.   

 

 

 

20
Jul17

"A Nossa Confusão Moral"


Eremita

As in the Charlie Gard case, there are reasonable arguments on both sides of the debate. But it is difficult to divine the moral logic of insisting that Charlie must die with dignity, despite there being a possible treatment, and against the desperate pleas of his parents, while refusing to allow a terminally ill, morally competent individual that same right. Kenan Malik, NYT

18
Jul17

Como descrever uma personagem


Eremita

Like many gifted bureaucrats, Hal's mother's adoptive brother Charles Tavis is physically small in a way that seems less endocrine than perspectival. His smallness resembles the smallness of something that's farther away from you than it wants to be, plus is receding. David Foster Wallace, Infinite Jest

18
Jul17

"Dietriches que não foram nem Marlenes"


Eremita

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O mundo continua a atacar a sensibilidade de José Manuel Fernandes. O lobby transgénero volta a marcar pontos, para mais na voz de académicos franceses, esse povo túrgido de regalias sociais:

Um estudo de duas universidades de Paris garante que há um erro científico no guião de “À Procura de Nemo”. Estes investigadores estudaram durante anos o comportamento físico e hormonal dos peixes-palhaço — que vivem em climas tropicais — uma espécie em que os machos mudam de sexo quando abandonados pelas fêmeas.

(...)

Quando a fêmea é comida por predadores ou morre, o macho, neste caso o pai de Nemo, muda de sexo e torna-se uma fêmea reprodutora. Ou seja, quando o Nemo regressa finalmente a casa no final do filme,ele está a encontrar-se com a sua mãe”, garante Suzanne Mills, bióloga na École Pratique des Hautes Etudes em Criobe.

O pai de Nemo deveria ter passado por esta transformação uma vez que a mãe de Nemo morre atacada por um predador. Marlin deveria ter-se transformado em Marlene, explica o Daily Mail.

 

17
Jul17

José Manuel Fernandes: "mau trabalho"


Eremita

Mudar a gramática e fórmulas de tratamento como "Ladies and Gentlemen" por respeito à pequeníssima minoria quem não se identifica como homem ou mulher parece-me um exagero que cria situações caricatas. Mas alguém explique a José Manuel Fernandes, que até deve ter feito umas cadeiras de Biologia na universidade, o conceito biológico de intersexo. A sua crónica em vídeo, assertiva e ignorante, é péssimo jornalismo. 

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