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OURIQ

Um diário trasladado

OURIQ

Um diário trasladado

09
Jun17

Boys will be boys


Eremita

Há uns dias, um rapaz que frequentava a mesma escola da mais velha da L. foi apanhado por um comboio. Parece que, a altas horas da madrugada, resolvera caminhar entre os carris de headphones nos ouvidos. Duvido que estivesse a apreciar a suave voz de João Gilberto quando o comboio o colheu. O álcool ou alguma outra droga terão contribuído para este comportamento, mas não ignoremos o óbvio: a morte estúpida, a morte violenta e a morte estúpida e violenta são coisas de homem - estatisticamente falando, claro. A natureza, precavendo-se contra a apetência dos meninos e rapazes para o risco, fez com que nasçam mais bebés do sexo masculino do que do sexo feminino, talvez uns 105 para 100, respectivamente, pois a teoria das estratégias evolutivas estáveis diz-nos que na idade reprodutiva devemos ter o mesmo número de fêmeas e machos*.

 

Nunca tinha pensado na queda para o risco como uma explicação para o meu velho desejo de ter filhas em vez de filhos, que justificava por ser o cenário que melhor contraria a tentação latente e trágica de ver a criança como um prolongamento no tempo da minha existência, um estafeta a quem se entrega um testemunho pesado de ansiedades e frustrações. Mas agora que elas existem, anima-me também o relativo alívio de saber que provavelmente não grafitarão em locais de difícil acesso, nem tirarão selfies à beira de precipícios, nem serão vítimas de uma facada ou tiro, a culminar uma qualquer escalada de orgulhos de peito feito ou até um acto de heroísmo. Mas isto não é para se dizer a uma mesa.

 

* Sendo incontestável que algumas sociedades exacerbam este viés pela prática do infanticídio de bebés do sexo feminino, o desequilíbrio começa por ser natural.

06
Jun17

As bebés na barragem


Eremita

É possível que a água enclausurada confine a imaginação, que só um horizonte com o mar a tocar no céu, em jeito de final aberto, nos leve a povoar o longínquo e as profundezas de monstros marinhos. Deixo a última palavra aos antropólogos estudiosos das tribos dos grandes lagos norte-americanos, que são água a perder de vista e um caso de estudo excelente para testar esta teoria, mas parece-me incontroverso que uma versão de As 20 000 Léguas Submarinas em água doce seria uma farsa. Apesar das piranhas que devoram um boi em minutos e da descarga eléctrica do poraquê, suficiente para deixar um cavalo inconsciente, apesar dos crocodilos, caimões, gaviais, aligatores e jacarés, representantes de um mundo antigo em que o planeta era povoados por criaturas assustadoras, há poucos monstros de água doce imaginários - parafraseando os Ornatos Violeta, o solitário monstro do lago Ness precisa de amigos. Talvez por isso não tivesse recusado logo a proposta da americana, mas pedindo ao surfista que nos acompanhasse. 

 

Com os anos, aprendi a confiar em Jaime, o único surfista vivo de Ourique. Quando o vi pela primeira vez, sentado na prancha a meio da barragem à espera de uma onda, senti-me logo seduzido pelo absurdo da cena. Apesar de nos conhecermos há já vários anos, por respeito e pudor nunca lhe perguntei o que o leva a fazer surf na barragem, estando as ondas atlânticas a uma hora de distância; o importante é haver um projecto de vida. Pedi-lhe que no dia seguinte entrasse com a prancha e vigiasse os gestos da americana. Eu fizera a pesquisa prévia, confirmando que a Infant Swimming Resource é mesmo uma instituição, mas causava-me ainda espécie que a americana tivesse insistido em realizar as sessões de treino na barragem, havendo em Ourique pelo menos uma piscina. E preocupava-me que, sob a camuflagem de programa de prevenção do afogamento de crianças, a americana fosse uma cristã evangélica que andasse pelo interior do país a baptizar por imersão completa as nossas crianças. Lê-se na carta que a americana insistiu que lêssemos, quando nos abordou no café:

 

"They asked, “Where’s Trevor?” and I looked beside me and said, “He was just here; he must have gone to find Brad,” but before I could finish the thought, I panicked and began to look toward the pool. I looked into the shallow end and saw nothing, and then I looked toward the deep end and could not believe my eyes. There was our sweet Birdie in the deep end next to a pair of sunglasses. He must have seen the sunglasses and reached for them—not understanding the depth of the water—no splash, no sound. How could this have happened?? He was just sitting right next to me!!!...It happens so fast. Please take pride in knowing that your child is going to benefit from over 45 years of research and knowledge that has been developed by Dr. Harvey Barnett. He has dedicated his life to creating this amazing program and saved so many children’s lives with his techniques."

 

Não percebi se era o seu relato, se a mãe do pequeno Birdie estava diante de nós, mas passei o resto do dia a sacudir imagens horrendas da cabeça com movimentos de pescoço bruscos; eram imagens estranhas, de uma estética e crueza incompatíveis, como se tiradas de um improvável filme dos irmãos Coen com argumento de David Foster Wallace e Chuck Palahniuk. Ao fim do dia já tínhamos usado o número que a americana nos deixara, confirmando o nosso interesse em formar as gémeas nas técnicas de prevenção do afogamento. De noite, falámos do espírito de missão de quem sofre uma tragédia, enquanto eu contava as notas de 20 euros para pagar à americana a primeira semana do curso. "We are getting closer to Not One More Child Drowns".

 

 

  

05
Jun17

Um cobarde ou talvez não


Eremita

[Publicado a 5.6.17; reformulado a 6.6.17]

 

Num Répliques recente (a partir do momento 9'23''), o intelectual Alain Finkielkraut mostrou-se surpreso por se ter descrito a tragédia de Manchester como um atentado "cobarde". Disse ele, fazendo lembrar um comentário de Bill Maher à coragem dos terroristas do 11 de Setembro, que morrer por uma causa não pode ser entendido como um gesto cobarde. Esta interpretação literal do epíteto "cobarde" é surpreendente num homem com a inteligência e cultura de Finkielkraut, pois parece-me óbvio que com a acusação de cobardia se pretende apenas frisar a extrema vulnerabilidade das vítimas deste atentado, muitas delas crianças e adolescentes. Ou talvez não surpreenda assim tanto, pois a acusação de cobardia tem uma carga negativa tão grande que até o veterano Finkelkraut, insuspeito de simpatias multiculturalistas e crítico de qualquer relativização esquerdista do terrorismo islamita, se sente incomodado quando acusam um terrorista de cobardia.

 

Obviamente, escrevo a pensar na polémica em torno do embaixador José Júlio Pereira Gomes, acusado de cobardia por Ana Gomes e Luciano Alvarez. É uma acusação tão penalizadora que todas as dúvidas devem ser esclarecidas. Para esse esclarecimento, as conclusões apressadas dos profissionais da indignação, prontos a queimar o diplomata, bem como os elogios genéricos feitos por amigos ou colegas, são irrelevantes. O que se pede é um relato rigoroso do que se passou em Timor há 18 anos e a divulgação dos documentos relevantes (passagens de diário não são prova de nada), pois o que entretanto é público não deixa ninguém esclarecido. E eu até sou o primeiro a reconhecer que o heroísmo do líder que põe em causa a segurança daqueles que dele dependem não é coisa nobre. Mas neste momento só queria mesmo saber o que aconteceu. 

"... não estando em causa o percurso profissional, falta a Pereira Gomes o perfil psicológico. (...) Tenho dúvidas de que o embaixador Pereira Gomes tenha capacidade para aguentar situações de grande pressão. Não inspira confiança e autoridade junto dos seus subordinados nos serviços de informações." Ana Gomes

Desde o primeiro contacto, Ian Martin insistiu em que deviam ser imediatamente evacuados, enquanto o embaixador Pereira Gomes, embora pressionado in loco, quis protelar a decisão de partir até ao último momento. Carlos Gaspar, Instituto Português de Relações Internacionais (IPRI-UNL).

 

Comecemos pela “ordem expressa” do Governo para a saída. Dizia o PÚBLICO em manchete no dia 10 de Setembro de 1999: “Observadores portugueses saem de Díli contra a vontade de Lisboa.” Na notícia, escrita por mim ainda em Timor na madrugada do dia da evacuação, relato os muitos esforços feitos pelo Governo português junto de Pereira Gomes, nomeadamente de António Guterres, nas 48 horas anteriores, para que a missão ficasse pelo menos até à chegada dos homens do Conselho de Segurança da ONU. Relato ainda discussões entre Pereira Gomes e António Gamito e Francisco Alegre, o diplomata júnior da missão, que sempre insistiu e tudo fez para que a missão não abandonasse Timor.

 

Diz a notícia: “Ontem, com a iminente retirada da ONU, ao princípio da noite em Díli, a missão portuguesa decidiu abandonar o território. Francisco Alegre disponibilizou-se para ficar. Às 5 da manhã em Díli, pouco antes de se iniciar a retirada, o Ministério dos Negócios Estrangeiros voltou a insistir para que a missão ficasse. José Júlio Pereira Gomes argumentou contra a permanência, mas, perante a insistência do gabinete de Jaime Gama, acabou por dizer que havia um voluntário, precisamente Francisco Alegre. Francisco Alegre aceitou ficar, mas começou de imediato a ser acusado pelos seus colegas de missão de estar a dividir o grupo. Houve, nomeadamente, alguma chantagem emocional sobre Alegre, acusando-o de estar a pôr em causa a vida de pessoas. Às 5h45 de Díli, o Ministério dos Negócios Estrangeiros, em nome da unidade do grupo, aceitava que todos se retirassem. José Júlio Pereira Gomes justificava a partida considerando que a sua missão ‘terminou no dia em que foi divulgado o resultado do referendo’ e que ‘não estava a fazer nada em Timor-Leste porque estava sitiado na sede [da ONU].

(...)

Quanto ao resto (“timorenses – e seus familiares – que tinham trabalhado com a nossa missão de observação e connosco se tinham refugiado nas instalações da UNAMET foram evacuados [retirados] connosco e em virtude da nossa intervenção"), houve, de facto, na missão quem se preocupasse com eles, mas não foi nunca José Júlio Pereira Gomes. Nem no dia em que as casas dos observadores portugueses e a sede da missão foram atacadas, logo após a divulgação do resultado do referendo, nem nos dias em que esteve sitiado na missão da ONU... Luciano Alvarez, Público

 

Passámos a tarde debaixo de fogo e sob a ameaça iminente de uma invasão da casa pelas milícias. Dada a evidente falta de vontade do Governo indonésio para nos proteger e a completa incapacidade do Governo português em nos dar qualquer tipo de ajuda, o chefe da missão, depois de consultar Lisboa, conseguiu que a UNAMET assumisse o compromisso de nos receber na sua sede, um extenso edifício e terreno murado, onde havia cerca de uma centena de militares das Nações Unidas mais 100 funcionários civis. Foi para aí que nos dirigimos numa Díli já a arder e sob tiroteio, sendo recebidos à chegada por uma saraivada de tiros vindos da estrada próxima que fizeram várias vítimas entre os timorenses, muitos dos quais debandaram.

Ao longo dos dias seguintes, a cidade de Díli transformou-se num cemitério deserto e as dificuldades da UNAMET em conseguir aceder aos seus depósitos de comida e outras necessidades acentuaram-se ao ponto de se ter entrado em racionamento de água para beber. No dia 8 de Setembro, o chefe de missão da UNAMET comunicou à missão portuguesa que havia a possibilidade iminente de evacuar toda a gente para a Austrália, incluindo os timorenses, e que se não aproveitassem a boleia não haveria outra, nem haveria onde ficar, uma vez que a cidade de Díli estava a arder.

(...)

A escolha era, portanto, entre ficar em Díli sem ter onde e à mercê das milícias, ou aproveitar a evacuação do seu pessoal que a UNAMET ia levar a cabo. Compreende-se que o Governo de Lisboa tivesse preferido que alguém da missão portuguesa ficasse em Díli. Mas era evidente que a missão, enquanto tal, não poderia subsistir a uma evacuação da UNAMET.

Foi assim que o Governo português acabou por determinar a saída de toda a gente, a 10. A missão portuguesa foi evacuada juntamente com a UNAMET para Darwin, na Austrália, e levou consigo dezenas de timorenses do seu staff e respectivas famílias. Estes são os factos. Na minha opinião, não vejo que um chefe de missão responsável, que tinha a responsabilidade da segurança e vida de dezenas de pessoas, pudesse ter tomado outra decisão ou aconselhado Lisboa em sentido diferente. João Luís Mota de Campos, Público

 

A decisão sobre a evacuação da nossa missão foi complexa. Ponderaram-se diversos factores, entre os quais terão pesado, quer a situação no terreno tal como entendida pelo chefe e outros membros da missão, quer a constatação por quem de direito de que não haveria condições de segurança para a sua permanência, quer, como abaixo se verá, o destino dos timorenses ao serviço da nossa missão. Mas ao fim de um longo dia em que, com a preciosa ajuda do Francisco Ribeiro Menezes, estivemos em diálogo, por um lado com Jaime Gama, que se bem recordo estava inicialmente num Conselho da UE em Tamper, e por outro, não só com Pereira Gomes, como com diversos elementos da missão, para melhor avaliar o sentimento geral, transmitimos ao chefe da missão a autorização do Governo português para que deixasse Timor. Não é pois verdade que o tenha feito contrariando as instruções de Lisboa. Fernando d'Oliveira Neves, Público.

 

Sobre a primeira questão o próprio jornalista se contradiz ao dizer que “o Ministério dos Negócios Estrangeiros… aceitava que todos se retirassem”. Aquilo que digo no livro que publiquei e a que o jornalista chama mentira é a exacta verdade. Na madrugada do dia 10 de Setembro “recebo finalmente, cerca das 5 horas [da manhã], instruções. O Governo tinha decidido que devíamos sair”. Sim, aquilo que L. Alvarez, numa escolha criteriosa de palavras, refere como aceitar “que todos se retirassem” foram “instruções”, “ordem expressa” para sair. Ordem essa que foi decidida ao mais alto nível do Estado Português. 

(...)

Para que os timorenses, nossos funcionários, pudessem sair nesse dia foi necessário incluí-los numa lista e negociar a sua saída com a Indonésia e, mais difícil ainda, com a Austrália que, naquele momento, não queria receber refugiados timorenses. L. Alvarez não diz quem elaborou a lista e acompanhou os timorenses às entrevistas individuais com o funcionário consular australiano que tentava justamente assegurar-se que o “esquema” não era “abusado” por outros timorenses e de que apenas os nossos funcionários saíam. Pois foi o António Gamito e eu. José Júlio Pereira Gomes, Público, respondendo a Luciano Alvarez. 

O senhor embaixador estava em Lisboa e eu estava em Díli e assisti às fúrias e aos gritos que José Júlio Pereira Gomes soltava sempre que de Portugal lhe diziam que tinha de ficar em Timor. E sabe o que me espanta? É que, havendo par aí duas dezenas de testemunhas que assistiram a tudo isto no local, alguém tenha o desplante de dizer que o meu relato é mentira.

Claro que houve uma ordem para sair, mas a questão não é essa. A questão é porque houve essa ordem, quando essa não era a vontade do Ministério dos Negócios Estrangeiros (MNE) e do primeiro-ministro, que queriam que a missão ficasse em Timor enquanto Ian Martin, chefe da missão da ONU, lá permanecesse. E essa ordem foi dada porque José Júlio Pereira Gomes gritava ao telefone, na frente de todos os que lá estávamos, com quem falava no MNE em Lisboa, que se ficassem iriam todos morrer.

(...)

Recordo, aliás, o que o embaixador António Franco, na altura chefe da Casa Civil do então Presidente Jorge Sampaio, relata no volume II da biografia de Sampaio da autoria de José Pedro Castanheira. Página 845: “António Franco e Carlos Gaspar também se ‘mudam’ para Belém. ‘Assisti ao que é o sentido de dever de um Presidente’, testemunha o chefe da Casa Civil. ‘É um caso exemplar de uma grande cooperação institucional ao mais alto nível do Estado: Presidente, primeiro-ministro e ministro dos Estrangeiros. As relações do Jorge com o Guterres e o Gama melhoraram muito nessa altura, trabalharam juntos, noites e noites, e Belém foi o ‘noyau’ da actuação diplomática portuguesa. Guterres teve uma conduta absolutamente diferente da que teve com Macau (onde raramente se meteu). Nunca o vi tão furioso, como quanto a alguns dos nossos observadores diplomáticos no terreno que, cercados pelas milícias juntamente com centenas de timorenses, não cessavam de reclamar por uma pronta evacuação.’

(...)

Quanto à questão dos funcionários timorenses que trabalhavam para a missão portuguesa, mantenho tudo o que disse: houve, de facto, na missão quem se preocupasse com eles, mas não foi nunca José Júlio Pereira Gomes. Só se começou a “preocupar” quando pressionado por Ana Gomes desde Jacarta e quando os jornalistas o começaram a questionar sobre o assunto. Luciano Alvarez, em resposta a Pereira Gomes.

  

 

 

04
Jun17

O problema de Alberto Gonçalves


Eremita

Alberto Gonçalves tem uma claque de admiradores. Ele é o cronista que malha na esquerda, um implacável adversário do "politicamente correcto", uma voz independente. E como se não bastasse o bónus de escrever com graça e elegância, o nosso Alberto ostenta agora os galões ainda reluzentes da vítima de perseguição política, pois um cronista dispensado de escrever num jornal ganha logo a aura de censurado, mesmo que não deixe de escrever noutro jornal ou revista e seja de imediato contratado pela concorrência. O problema de Alberto Gonçalves é a crescente vontade que sente de agradar, tão óbvia que chega a causar vergonha alheia. Mas com esta crónica, já muito bem analisada pelo Plúvio, em que Alberto Gonçalves associa um comentário de Costa à doença da mulher de Passos, o nosso homem atingiu um novo patamar. Aquilo não é uma crónica, é uma felação empenhada a todos os leitores típicos do Observador. Não me lembro de ter lido nada tão absurdo e nojento nos últimos tempos. 

01
Jun17

"Fazemos taças"


Eremita

"Fazemos taças" é um exercício em que tento provar a possibilidade de escrever ficção apresentável com um verbo no título. Recordo que a teoria de que não há boa ficção com verbos no título, da autoria de Eduardo Cintra Torres, tem uma sustentação essencialmente empírica, muito vulnerável a exemplos contrários, sobretudo quando se despreza a estatística. Além de exercício formal, "Fazemos taças" incide sobre o pecado original da meritocracia, a saber, a impossibilidade de compensar as assimetrias naturais de outra forma que não uma compensação simbólica (como a actual) ou distópica (uniformizando a genética, como se uniformiza a mecânica em certas corridas de automóveis), e ainda a necessidade formal de se entender o mérito como um recurso escasso. 

 

Continua

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