Saltar para: Posts [1], Pesquisa [2]

OURIQ

Um diário trasladado

OURIQ

Um diário trasladado

11
Abr17

A simplified Life


Eremita

"There are many anecdotes about the ways in which [Derek] Parfit simplified his life to take as little time as possible away from his work. He ate only twice a day, with almost no variation in what he had at each meal. He ate cold food only, mostly fruits and vegetables without any preparation. Even when he could have had freshly ground coffee with only a minute’s additional preparation, he drank instant coffee, often with water straight from the tap. He sometimes kept a book open on the chest-of-drawers so that he could read while putting on his socks. His speed in reading was phenomenal, in part because his power of concentration was prodigious. Wanting to preserve his mental and physical capacities, he took an hour every evening during his last decade to get vigorous exercise on a stationary bicycle, but never without reading philosophy (or occasionally physics) while furiously pedalling." Philosophy Now

11
Abr17

Ego e cor da pele


Eremita

Salvo curiosas excepções, cada um de nós é o melhor especialista na sua própria pessoa, por falta de interesse dos demais e dificuldade de acesso à informação relevante. Haverá mecanismos psicológicos mais complexos e obviamente um desejo de empatia, mas creio que a segurança de que não seremos acusados de ignorância por algum especialista saído nunca se sabe muito bem de onde explica parte da nossa atracção pelo registo autobiográfico público. Por isso, à coragem muito elogiada do autocentrado Karl Ove Knausgard, um escritor capaz de revelar todos os podres da sua família e as suas pulsões mais inconfessáveis, equiparo a coragem do especialista que escreve num registo profissional nada umbiguista sobre o seu objecto de estudo, pois em ambos o caso o ego fica vulnerável. Foi essencialmente o que me ocorreu ao ler esta resposta de João Pedro Marques*, um historiador do esclavagismo, a um artigo de Filipa Lowndes Vicente sobre os "estudos negros" nas universidades norte-americanas.

 

Quanto à magna questão de saber se João Pedro Marques tem razão ao afirmar que a história "não tem que ver com preto ou branco, mas sim com a verdade", diria que o problema nem sequer é o historiador pretender para a disciplina uma objectividade que só as ciências exactas podem reclamar, mas mostrar-se insensível perante uma evidência: que o fim do esclavagismo em todas as suas dimensões só acontecerá quando os seus maiores historiadores forem descendentes de escravos. O verdadeiro problema é como atingir este patamar de um modo natural, sem ignorar o trabalho já feito por outros, nem dividir a disciplina segundo a cor da pele.  

 

* Ao fim de vários dias, o texto de João Pedro Marques sobre a historiografia do esclavagismo (norte-americano) não tem um único comentário, como se o autor tivesse escrito sobre o curling ou algum outro desporto de Inverno estranho a Portugal. 

07
Abr17

Homens que lêem Agustina


Eremita

[actualização permanente]

Alberto Costa

Alberto Velho Nogueira, que não só leu, como criticou.

Adolfo Mesquita Nunes

António Lobo Xavier

Eremita*

Henrique Manuel Bento Fialho*

João Pereira Coutinho

Miguel Esteves Cardoso

Miguel Sousa Tavares

Paulo Batista*

Pedro Boucherie Mendes

Pedro Mexia

Xilre

 

Se é homem e lê Agustina, junte-se ao clube (email: eremitadaplanicie@sapo.pt).

 

* Clube altamente restrito dos homens de esquerda que lêem Agustina.

06
Abr17

Blogs preferidos


Eremita

Tenho o vício de julgar que todas as mulheres que escrevem bem tentam imitar Agustina Bessa-Luís, o que não pode estar certo. Mas agora que a moda é as mamãs escreverem prosa muito pouco maternal para chocar a burguesia, vejo no blog Mãe Preocupada, ainda que por vezes excessivamente "bem escrito", os estimáveis traços da intemporalidade agustiniana. 

 

O blog O Elogio da Derrota é outra das minhas preferências.  Se ninguém ultrapassa Philip Roth na arte do monólogo, não há blog nacional que cultive tão bem as embirrações em prosa. Infelizmente, o autor escreve pouco e sem regularidade, o que me deixa com sintomas de privação. 

 

Por fim, o desconcertante Homem à Janela, que espero ser já leitura obrigatória para todos os jovens que andam pelos jornais a brincar à crítica literária. Ainda não me aventurei na ficção de Alberto Velho Nogueira, por me parecer que requer uma combinação improvável de paz de espírito, conquista social recente, estabilidade financeira e tranquilidade doméstica, mas não desisto de a alcançar.  

05
Abr17

Universidade da meia idade


Eremita

Screen Shot 2017-04-05 at 14.10.39.png

 

Estes apanhados valem o que valem e já não tenho idade para ficar saciado com o que vou lendo, mas a minha falta de formação em Filosofia é embaraçosa e não há tempo para apreender todas as obras originais. Estou a ler o volume da frente para trás, essencialmente porque, tendo falta de pachorra para os filósofos pré-Socráticos e nenhuma mnemónica boa para não baralhar Anaxímenes e Anaximandro, não quero ler com o peso na consciência de ter saltado o primeiro capítulo. O livro é publicitado como a melhor história da Filosofia Ocidental assinada por um único autor. Pode ser. A escrita é claríssima e as transições entre autores muito elegantes. Mas o viés em favor da Filosofia Analítica é óbvio e, se era para descrever o Derrida tardio como uma fraude, mais valia não o incluir sequer na selecção de autores tratados.

 

04
Abr17

Discos pedidos


Eremita

 [Publicado a 9.05.16; republicado e dedicado a Rogério Casanova]

 

 

“En Viena hay diez muchachas,
un hombro donde solloza la muerte
y un bosque de palomas disecadas.
Hay un fragmento de la mañana
en el museo de la escarcha.
Hay un salón con mil ventanas.

 

Podemos ter esperança na humanidade? Esta canção, servida por palavras soberbas, uma voz sublime e um arranjo inteligentíssimo, está no Youtube há mais de 2 anos e não chega às 600 000 visualizações (número modestíssimo para uma canção). Façam a vossa parte. 

04
Abr17

Dois serões para lisboetas


Eremita

Concerto

27 de Abril, 22h30

Bar do Teatro A Barraca

 

André Ferreira - metrónomo

Mário Rua - bateria

Miguel Martins - Piano/Concertina

Tomás Miranda - clarinete

Alberto Velho Nogueira - bateria

 

Discussão sobre literatura e leitura de textos do livro: "S.T. - Teatro Negativo - Ich habe genug"

4 de Maio, 22h30

Bar do Teatro a Barraca

 

Alberto Velho Nogueira

 

Duas oportunidade únicas para ouvir a bateria e a crítica de Alberto Velho Nogueira. 

04
Abr17

Feios, porcos e maus


Eremita

1121752.png

Quando os polícias da Escola Segura levaram Mónica (nome fictício) para o hospital os exames médicos revelaram um filme de terror que durava há quase quatro anos. Tinha equimoses por todo o corpo, de vários tons e texturas, consoante a altura em que haviam sido feitas. E se algumas eram de quedas que tinha dado, outras indiciavam agressões. Como se tivessem batido com ela contra uma parede, observou uma técnica do gabinete de apoio ao aluno e à família daquela escola. Também tinha cortes nos pés. Apresentava um atraso global no desenvolvimento e a sua magreza excessiva e olhos encovados denunciavam as privações a que havia estado sujeita.

 

Havia de se descobrir que o cenário era ainda pior do que se podia imaginar. Enquanto morou com a mãe, na altura com 28 anos, e com o seu companheiro de 27, operário da recolha do lixo, Mónica vivia por norma enclausurada de castigo no quarto, divisão onde as persianas estavam sempre corridas por se terem estragado, com uma televisão que não funcionava e sem um único brinquedo. Os insultos eram uma constante. A mãe chamava-lhe "mijona, cagona e porca", e mandava-a para o quarto por não controlar os esfíncteres, ou por não querer comer. Não a deixava conviver com outras crianças.

 

(...)

 

No Natal de 2014, Mónica ficou naquela divisão uma semana inteira. Não foi sequer autorizada a descer à sala para abrir as prendas. O casal tinha tido uma filha, mais nova, cujo quarto enchera de brinquedos. A 28 de Dezembro permitiram que Mónica interrompesse o castigo para cantar os parabéns à meia-irmã, que fazia anos nesse dia, mas mandaram-na regressar ao quarto às escuras, sem lhe darem sequer uma fatia do bolo de anos.

 

A menina havia de contar mais tarde a uma educadora social que chegava a ir para as escadas espreitar para ver se a mãe e o padrasto também batiam à meia-irmã. A vizinhança chegou a perguntar por que não vinha Mónica à rua. O cantoneiro respondia o mesmo que aos seus pais, avós emprestados da menina: que não era pai dela, quem mandava era a mãe. Ana Henriques, Público

 

Continua

 

02
Abr17

...


Eremita

Se a interacção humana interessante for aquela que merece ser vertida em cinema ou literatura, quase todas encerram um desfasamento entre as expectativas e a realidade.

Pesquisar

Comentários recentes

  • Anónimo

    Paciência, muita paciência, é o que é preciso para...

  • Anónimo

    ... há que analisar com agá, claro.

  • Anónimo

    «Já se vêem os bandos de pombos atrás do milho.»So...

  • Anónimo

    A natureza de alguns comentários neste Blog que ...

  • Anónimo

    Como assim? destrói?

Links

WEEKLY DIGESTS

BLOGS

REVISTAS LITERÁRIAS [port]

REVISTAS LITERÁRIAS [estrangeiras]

GUITARRA

CULTURA

SERVIÇOS OURIQ

SÉRIES 2019-

IMPRENSA ALENTEJANA

JUDIARIA

Arquivo

    1. 2020
    2. J
    3. F
    4. M
    5. A
    6. M
    7. J
    8. J
    9. A
    10. S
    11. O
    12. N
    13. D
    1. 2019
    2. J
    3. F
    4. M
    5. A
    6. M
    7. J
    8. J
    9. A
    10. S
    11. O
    12. N
    13. D
    1. 2018
    2. J
    3. F
    4. M
    5. A
    6. M
    7. J
    8. J
    9. A
    10. S
    11. O
    12. N
    13. D
    1. 2017
    2. J
    3. F
    4. M
    5. A
    6. M
    7. J
    8. J
    9. A
    10. S
    11. O
    12. N
    13. D
    1. 2016
    2. J
    3. F
    4. M
    5. A
    6. M
    7. J
    8. J
    9. A
    10. S
    11. O
    12. N
    13. D
    1. 2015
    2. J
    3. F
    4. M
    5. A
    6. M
    7. J
    8. J
    9. A
    10. S
    11. O
    12. N
    13. D
    1. 2014
    2. J
    3. F
    4. M
    5. A
    6. M
    7. J
    8. J
    9. A
    10. S
    11. O
    12. N
    13. D
    1. 2013
    2. J
    3. F
    4. M
    5. A
    6. M
    7. J
    8. J
    9. A
    10. S
    11. O
    12. N
    13. D
    1. 2012
    2. J
    3. F
    4. M
    5. A
    6. M
    7. J
    8. J
    9. A
    10. S
    11. O
    12. N
    13. D
    1. 2011
    2. J
    3. F
    4. M
    5. A
    6. M
    7. J
    8. J
    9. A
    10. S
    11. O
    12. N
    13. D
    1. 2010
    2. J
    3. F
    4. M
    5. A
    6. M
    7. J
    8. J
    9. A
    10. S
    11. O
    12. N
    13. D
    1. 2009
    2. J
    3. F
    4. M
    5. A
    6. M
    7. J
    8. J
    9. A
    10. S
    11. O
    12. N
    13. D
    1. 2008
    2. J
    3. F
    4. M
    5. A
    6. M
    7. J
    8. J
    9. A
    10. S
    11. O
    12. N
    13. D