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OURIQ

Um diário transladado

OURIQ

Um diário transladado

26
Jun13

Teste

Eremita

«Miguel haverá de alertar-me para a importância das primeiras frases. Tantos os casos conhecidos. Os Cem Anos de Solidão e a fabulosa descoberta do gelo. O Quixote e o lugar de cujo nome o Autor não quer lembrar-se. A Ernestina e o binóculo capaz da transfiguração do olhar. Ninguém lê romances que começam com descabidas preocupações de estilo, a armar. Isso foi chão que deu uvas.»


in Um Amigo para o Inverno, de José Carlos Barros 

 

 

Quantas referências a primeiras frases há na passagem citada?

16
Jun13

Gotas de água

Eremita

É evidente que um psiquiatra/psicólogo só pode ter um discurso interessante. O mesmo acontece com o feiticeiro da tribo, o padre ou outro qualquer guia espiritual a quem reconheçamos algum tipo de autoridade no que respeita à "condição humana". Mas por ser evidente, num segundo tempo acaba por aborrecer. O que buscamos, então? Alguém que consiga ser interessante a falar de uma torneira que pinga.

13
Jun13

E a solidão?

Eremita

[Republicação]

 

«Dans un système économique où le licenciement est prohibé, chacun réussit plus ou moins à trouver sa place. Dans un système sexuel ou l’adultère est prohibé, chacun réussit plus ou moins à trouver son compagnon de lit. En système économique parfaitement libéral, certains accumulent des fortunes considérables ; d'autres croupissent dans le chômage et la misère. En système sexuel parfaitement libéral, certains ont une vie érotique variée et excitante ; d'autres sont réduits à la masturbation et la solitude. Le libéralisme économique, c'est l'extension du domaine de la lutte, son extension à tous les âges de la vie et à toutes les classes de la société. De même, le libéralisme sexuel, c'est l'extension du domaine de la lutte, son extension à tous les âges de la vie et à toutes les classes de la société. Sur le plan économique, Raphaël Tisserand appartient au camp des vainqueurs ; sur le plan sexuel, à celui des vaincus. Certains gagnent sur les deux tableaux ; d'autres perdent sur les deux. »

 Miichel Houellebecq, Extension du domaine de la lutte

Esta citação, que há uns 5 anos roubei ao Estado Civil, reapareceu-me há uns dias, quando lia o Extension du domanie de la lutte.  Apesar do remate pouco assertivo, a passagem é uma tentativa abortada de atacar preocupação central de Houellebecq, isto é, a solidão e o envelhecimento. Tendo presente esta evidência e alguns dos traumas familiares que aprendemos nas notas biográficas, o escritor fica essencialmente explicado - ando em período psicanalítico, é verdade. Tudo o resto, como o anti-islamismo, uma suposta misoginia, a libertinagem, as preocupações cósmicas, só serve para chamar a atenção. Houellebecq é mais um caso em que a leitura do  primeiro romance depois de se ler os outros, mais do que um chegar à origem das coisas, é um acto de voyeurismo. Esta sua reflexão só falha como exemplo do seu pensamento porque lhe falta algum rigor: ele parece sugerir que o liberalismo ecocónico e o liberalismo sexual são realidades independentes que partilham a mesma lógica, mas, na verdade, os que vencem em qualquer um destes domínios têm uma probabilidade acrescida de vencer no outro também. 

06
Jun13

A cadeira eléctrica

Eremita

Ninguém se opôs à compra da cadeira eléctrica, embora só o vizinho do 1º esquerdo contasse utilizá-la no imediato, por causa do cancro galopante. "Tivemos uma vida boa" foi o que a sua mulher me passou a dizer quando nos cruzávamos nas escadas. Outros vizinhos do bairro optaram pela mesma solução, mesmo aqueles que ninguém diria que tinham tido uma vida boa. Pedimos dois orçamentos e a diferença de preços foi tal que não houve hesitações. Uma cadeira eléctrica era solução que jamais me havia passado pela cabeça, mas eu vivia entre septuagenários e octogenários que me tratavam como "o menino" do prédio, apesar dos meus quarenta anos. Ainda assim, a solidariedade entre condóminos surpreendeu-me, porque cada um teve de pagar 2000 € e o prédio era de gente modesta. Talvez não valha mesmo a pena viver sem um mínimo de qualidade; o vizinho do 1º esquerdo seria o primeiro a subir à cadeira e os outros iriam a seguir, era só uma questão de tempo. É claro que me lembrei de outras alternativas e que ainda hoje penso se não teria sido melhor optarmos por uma solução mais convencional, mas evito sempre ir às reuniões e limito-me a assinar o livro de actas sem ler o que foi escrito, reparo apenas na beleza da caligrafia e ponho-me a imaginar a qual das vizinhas pertencerá aquela letra tão bem desenhada. Enfim, a cadeira eléctrica não incomodaria ninguém, desde que cada um a ela subisse de livre vontade. E quem sou eu para os criticar? Não imagino a cabeça de um octogenário. É possível que não queira desperdiçar tempo e a cadeira resolveria esse problema.

 

No dia em que a instalaram, fiquei mais descansado. A cadeira vinha com um sistema de segurança bem pensado, que tornava quase impossível a morte acidental: quem quisesse utilizá-la teria de rodar uma chave e carregar depois numa tecla, já sentado. Era ainda preciso manter a tecla pressionada para que a cadeira continuasse a trabalhar, o que servia para dissuadir quem, por capricho e impulso, quisesse brincar aos octogenários cansados. Era uma cadeira para gente com força de vontade. Mas quando os homens que a instalaram fizeram uma sessão de demonstração, muito profissional e sem uma única piada mórbida, ninguém se quis sentar na presença dos outros. Então ocorreu-me que aquele investimento teria sido um desperdício, pois as pessoas iriam continuar a viver conformadas e a cadeira ali ficaria, a um canto, com as luzinhas acesas em vão. Na noite em que  a vizinha do 1º esquerdo apareceu para me dar o número da sua conta bancária, abri-lhe a porta com vontade de desabafar sobre o destino da cadeira. Mas então reparei que, pela primeira vez, a cadeira estava no meu patamar e que a vizinha se apressou a sentar-se de novo, com entusiasmo de criança. Ainda se riu quando lhe desejei boa viagem, estava a cadeira a iniciar a descida do primeiro lance de escadas. É uma boa cadeira, muito silenciosa nos planos inclinados e graciosa nas curvas. 

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  • Anónimo

    não se pode generalizar: deputados sim, não deputa...

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    E há cada vez mais; os imbecis pululam por tudo qu...

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    Infelizmente, a este ritmo continuarei a ser chato...

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    letra b -boring boring boring

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    Acho que por cá também há belos espécimes masculin...

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