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OURIQ

Um diário trasladado

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Um diário trasladado

10
Nov12

"Parece que quem parte é a ferrovia"


Eremita

Esta canção de Djavan/Orlando Moraes merecia ser mais conhecida, mais cantada no duche, mais partilhada, mais vezes enviada a quem está triste, mais tudo. Chega a ser revoltante, tal a mediocridade melódica, harmónica e poética do cancioneiro anglo-saxónico dominante. Toquei-a hoje e é gozo puro. Só falta decorá-la nos dedos. Viva o Brasil.

 

 

10
Nov12

Uma devoção


Eremita

O Judeu criticou-me por ainda não ter acabado a leitura de Infinite Jest. Disse-me que era inadmissível para quem mostra tamanha admiração pública por David Foster Wallace. Não tenho uma boa defesa. Ainda desenvolvi a tese de que as obras de um autor já morto podem ser consumidas devagar, se a projecção que considerar o nosso ritmo de leitura e a esperança de vida indicar que teremos tempo de ler a obra inteira. Mas foi uma tese apresentada sem grande convicção, porque não lido bem com o facto de Infinite Jest não ser, para mim, um page turner. O livro tem momentos muito desiguais e passagens que, francamente, não compensam o esforço que o autor nos pede, como a longa descrição de um complexo jogo de estratégia militar a que os rapazes da academia de ténis se dedicam, que parece apenas satisfazer um pico de desejo experimentado por Wallace quando estava já afundado num universo imaginado pouco compatível com a geopolítica. Repetem-se aqueles momentos em que folheamos prospectivamente um livro para medir a extensão da passagem aborrecida, o que faço com evidente desconforto. Mas não salto folhas, não abdico da minha devoção. 

 

Entretanto soube que a tradução do livro vai ser finalmente lançada. Prevejo um desastre editorial. Porque, pela dimensão, o livro não pode ser barato. Porque, perdendo-se muito na tradução da prosa de DFW, tal exercício será sempre inglório. Porque, sendo as mulheres quem mais romances compra e Wallace tão pouco dado à prosa sobre o amor, é pouco provável que o bouche à oreille dispare. Porque quem ganha afeição por Wallace vai logo lê-lo em inglês. Mas louvemos a extravagância da empreitada. Lembra o Fitzcarraldo e já não se atura a retórica dos "ganhos de eficiência". Afinal, que importa falhar, for por devocão? 

06
Nov12

Um conselho


Eremita

A fase mais patética da descrença amorosa surge quando se começa a questionar o amor de alguém por outra pessoa. Não me refiro ao amor por outra pessoa de alguém que amámos ou nos amou, mas ao amor entre conhecidos que nunca estiveram connosco envolvidos numa relação passional, nem sequer em pensamento. De repente, aquela desconfiança natural com que entendemos as relações estereotipadas, como a da jovem bela com o velho endinheirado,  é aplicada a todas as circunstâncias, numa tentativa de justificação: não seria por defeito nosso que não nos apaixonamos, seriam os outros a não ter o grau de exigência recomendado. Quando se atravessa tal fase, que tende a ser passageira, o melhor é não ter qualquer conversa sobre este assunto com os amigos. Um diário ou um blog anónimo podem ajudar. 

 

 

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