Houellebecq
Eremita
O Judeu convenceu-me a lidar com o blues de domingo de um modo pró-activo e desde o princípio do mês temos ido sempre à barragem. Saímos de Ourique em caravana. O surfista vai à frente, na Casal, fazendo da longboard quase uma vela, e não percebo como consegue curvar sem ter um acidente; a seguir vamos nós, o Judeu e eu, com ele a conduzir o Citroën do meu avô e a contar-me anedotas do seu povo, como aquela em que dois judeus fazem uma espera a Hitler, para o matar, o Führer começa a tardar, a tardar, e diz então um para o outro: "espero que não lhe tenha acontecido nada" - podemos rir, ó Adorno? Eh, hum, lol; no fim vem o rapaz do cineclube, de bicicleta, porque quer diminuir a sua pegada de carbono. Por vezes uma das libertinas junta-se a nós, mas não hoje. De maneira que fizemos nudismo e o Judeu aproveitou para nos mostrar as vantagens da circuncisão, recorrendo à sua própria anatomia para ilustrar algumas das suas teses. Foi quase uma cena à Houellebecq, só que sem mulheres.


