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OURIQ

Um diário trasladado

OURIQ

Um diário trasladado

23
Set12

Houellebecq


Eremita

O Judeu convenceu-me a lidar com o blues de domingo de um modo pró-activo e desde o princípio do mês temos ido sempre à barragem. Saímos de Ourique em caravana. O surfista vai à frente, na Casal, fazendo da longboard quase uma vela, e não percebo como consegue  curvar sem ter um acidente; a seguir vamos nós, o Judeu e eu, com ele a conduzir o Citroën do meu avô e a contar-me anedotas do seu povo, como aquela em que dois judeus fazem uma espera a Hitler, para o matar, o Führer começa a tardar, a tardar, e diz então um para o outro: "espero que não lhe tenha acontecido nada" - podemos rir, ó Adorno? Eh, hum, lol; no fim vem o rapaz do cineclube, de bicicleta, porque quer diminuir a sua pegada de carbono. Por vezes uma das libertinas junta-se a nós, mas não hoje. De maneira que fizemos nudismo e o Judeu aproveitou para nos mostrar as vantagens da circuncisão, recorrendo à sua própria anatomia para ilustrar algumas das suas teses. Foi quase uma cena à Houellebecq, só que sem mulheres.

20
Set12

35


Eremita

Screen Shot 2019-05-04 at 19.17.02.png

(pub) A brief history of romance comics

- Fica mais velho quando diz "ménage à trois".

- Eu não comecei esta conversa.

- Já ninguém diz "ménaaaaage à trois".

- Agora lembrou-me Jacques Chirac.

- Quem?

- Um amigo que tive em Paris.

- Ah.

- Mas não é verdade.

- O quê?

- Que "ménage à trois" tenha caído em desuso.

- A julgar por esta conversa, não caiu mesmo.

- Agora teve graça. Por vezes você tem graça. Tem noção disso?

- Não. Sou burra.

- Você não é burra.

- Ai, muito obrigado.

- Obrigada.

- Não, ninguém me obriga. Sou livre!

- Diz-se "obrigada". As mulheres devem dizer "obrigada".

- Somos livres, percebeu? Livres! Você, com as suas regras, nunca gozará um threesome.

- Experimente um sotaque com menos perdigotos, por favor.

- "Thrrrrrrrrrreesome".

- Só à bofetada.

- Ai, bata. Bata aqui...

- Não espete o rabo.

- Ficam-me bem estes calções, não ficam?

- Sim.

- Então imagine dois calções. Já pensou nas possiblidades? Seria tudo a dobrar.

- Seria mais do que a dobrar.

- Ai sim?

- Mete cálculo combinatório. Não se apoquente.

- Whaaaatever, só me dá razão. Dois calções justinhos... a pentuplicar!

- Quintuplicar.

- Pentuplicar!

- Não insista.

- "Pentuplicar" é mais sexual, não acha?

- Não existe como palavra.

- Vê? Sempre com regras, sempre reprimido.

- Não insista mais.

- Como pode recusar uma oferta destas? Não tem curiosidade?

- Alguma. Mas receio que seja como o paintpall.

- O paintball?

- Joguei uma vez e a curiosidade passou.

- Percebo-o. Não concretiza o desejo para nunca o perder.

- Isso foi surpreendentemente bem dito.

- Viu?

- Não espete o rabo.

13
Set12

34


Eremita

Screen Shot 2019-05-04 at 19.16.45.png

(pub) A brief history of romance comics

- Não nota nada?

- Cortou o cabelo?

- E assim?

- Está com um ar saudável, Lisboa fez-lhe bem. 

- Você está a brincar comigo, não está?

- Sim. Parecem reais, cumpriu a ameaça.

- Esse seu desconforto...

- O meu desconforto?

- Certos homens não admitem que gostam de mamas.

- Não tivemos já esta conversa?

- Não desconverse.

- Mas eu admito. Confesso-me culpado. Gosto muito de mamas.

- De mamas grandes. Pensam que é um gosto vulgar.

- Prefiro a pintura figurativa à abstracta, um cozido à portugues...

- Não me convence. Vi o seu olhar hesitante.

- É por ter respeito por si.

- Mas eu quero que olhe para mim.

- Não as levante assim com as mãos, por favor. Ficam menos reais. 

- A sério?

- Sim. A espontaneidade nos gestos retira verosimilhança às mamas falsas.

- Não complique. São umas belas mamas, não são?

- As melhores de Ourique.

- Acha mesmo?

- Acho. Mas nem sequer é um grande elogio, se reparar.

- Ai, sempre é mias agradável do que ser conhecida como o melhor broche de Lisboa. 

- Você era conhecida como o melhor broche de Lisboa?

- Sim. Está surpreendido?

- Não. Apesar do nome, esses são títulos de bairro. 

 

12
Set12

Larkin*


Eremita

When First We Faced, And Touching Showed

When first we faced, and touching showed
How well we knew the early moves,
Behind the moonlight and the frost,
The excitement and the gratitude,
There stood how much our meeting owed
To other meetings, other loves.

The decades of a different life
That opened past your inch-close eyes
Belonged to others, lavished, lost;
Nor could I hold you hard enough
To call my years of hunger-strife
Back for your mouth to colonise.

Admitted: and the pain is real.
But when did love not try to change
The world back to itself--no cost,
No past, no people else at all--
Only what meeting made us feel,
So new, and gentle-sharp, and strange?

 

* No fundo, um alentejano.

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    Lamento não partilhar essa obsessão com o excesso ...

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    Anda desaparecido, está a congeminar uma teoria da...

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    Costa bem?, acredito.Costa bem gordo, parece que a...

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