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OURIQ

Um diário trasladado

OURIQ

Um diário trasladado

09
Ago12

Fazer pela vida


Eremita

Este texto, publicado na revista Salazar, não foi mais um daqueles exercícios de estilo vagamente reaccionários com que se desconsidera o vegetarianismo. Tratou-se apenas de construir as fundações morais para um futuro projecto de pecuária, a única fonte de sustento com que poderei contar nos próximos anos. 
Volto a lembrar que estou interessado em conversar com conterrâneos e outros alentejanos com experiência na criação de porco preto em sistema de montanheira. A ideia, para já, é aprender além do que se pode ler sobre o assunto online e nas publicações da especialidade. No futuro próximo, talvez haja oportunidades de negócio. 
Se algum dos poucos leitores de Ourique estiver interessado ou quiser partilhar um contacto útiil, sugiro que utilize o correio electrónico: eremitadaplanicie@sapo.pt
07
Ago12

As instituições


Eremita

Tive hoje conhecimento do resultado de um diferendo que mantive com o Estado durante algum tempo, cujo início precede a minha vinda para Ourique. Perdi esta luta e continuo convencido de que tinha razão, embora na prática perder ou ganhar pouca diferença viesse a fazer, dada a minha mudança de vida. Com este episódio, não me custa agora perceber o desprezo que os excluídos sentem pelas instituições - tudo depende da altura na vida, persistência e gravidade com que estas lhes falham, e o que se estranha é que não haja mais repartições públicas dinamitadas fora do horário de expediente. Com este episódio, confirmo ainda que apenas a família nos pode valer. E percebi que o Direito não serve para fazer justiça, mas para proteger a ordem estabelecida - faz-se justiça apenas quando esse objectivo não compromete o anterior. Apesar de não envolver dívidas, o que iniciou este processo foi algo embaraçoso para mim, por ter resultado de uma distracção estúpida de consequências graves, tivesse eu continuado uma carreira. Mais do que o orgulho, é a vergonha que me impede de reclamar a vitória moral merecida por ter respeitado as instituições.

07
Ago12

Redes


Eremita

Durante uns dias, o Judeu mostrou um inesperado interesse por redes sociais e acabou pedindo-me que lhas explicasse, o que lhe deve ter custado, pois detesta aprender comigo. Disse-lhe então que no Facebook as pessoas exibem as suas qualidades morais e no Twitter as suas qualidades intelectuais. Hoje encontrei-o em casa a escrever um postal ilustrado e não me voltou a falar em redes sociais. Fiquei muito satisfeito por o ter ajudado sem chegar a mentir.

05
Ago12

Mulheres bonitas


Eremita

Sou cada vez mais atraído pela beleza. Em Espanha, não durmo com quase ninguém e pago o dinheiro que já não tenho para ficar com a mais bonita. A propósito da frequência com que me fui cruzando com mulheres bonitas ao longo da vida, brinquei já às teorias, só que desconversei. Parte da dificuldade vem de uma certa pressão social para não elevar a beleza feminina a qualidade suprema, mas se ainda importa a parte de verdade que existe neste diário ficcionado, devo contrariar essa pressão - e isto nem sequer revela grande ousadia, pois Germaine Greer não lê o Ouriquense, duvido que mais alguma feminista o faça e as pobres feministas portuguesas sempre me pareceram vítimas da maldição das minorias, que é a de a sua identidade ser sobretudo construída por oposição à maioria que as subjuga. 

 

Continua

 

03
Ago12

Descer escadas


Eremita

Auto-ajuda


Há duas boas razões para pensarmos que as escadas deste mundo são mais vezes descidas que subidas: o elevador e a preguiça. Porém,  como metáforas as escadas são invariavelmente descritas tendo em mente o sentido ascendente. Bem sei que também existem as ascensões meteóricas além da subida lenta dos degraus da vida, mas quando se falha é sempre do cimo de um precipício que se cai na direcção do abismo. Isto sucede porque privilegiamos as descrições emotivas da realidade. Em rigor, são inúmeros os casos de declínio gradual, que seriam bem descritos como um descer de escadas.

 

A insistência na queda livre não resulta apenas da tendência natural para a hipérbole em quem conta uma história. Importa ainda a economia narrativa, o to make a long story short, porque é penoso acompanhar a crónica detalhada de um declínio na ausência de uma promessa de reviravolta. É este zelo misericordioso com que atiramos tanta gente do cimo do precipício que nos impede de apreciar os ensinamentos do simples acto de descer escadas.

 

Certa vez, desequilibrei-me nos últimos degraus de uma escada que descia. Começara a descida sem problemas, mas depois veio uma aguda consciencialização do acto que realizava e, de repente, o que instantes antes podia fazer de forma tão intuitiva tornou-se uma tarefa impossível. Não cheguei a cair, só que o problema agravou-se. Por saber que não podia pensar na complexidade mecânica de descer as escadas enquanto o fazia, sob risco de a meio do lance de escadas me sentir obrigado a executar pela primeira vez um qualquer passo avançado de tango, o pensamento era ainda mais irreprimível e os últimos degraus surgiam animados, praticamente intransponíveis. Este estado mental só durou uns dias. Seria agora insultuoso enunciar o ensinamento que esta experiência encerra; se a recordei, foi para defender a importância do simbolismo de descer escadas, algo que os mais jovens estranharão, pelo menos até à epifania somática em que os seus joelhos começarão a ressentir-se mais nas descidas do que nas subidas.

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Comentários recentes

  • Anónimo

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    Ainda está online, Eremita, e bem que poderias abr...

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    Eremita: pensava eu que o link era para as cenas d...

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